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The Who, a culpa foi nossa mesmo

Monday, March 26th, 2007

Recordar é viver, já diria Hebe. Os shows do Who - aqui, na Argentina e no Chile - deveriam acontecer por esses dias. Deveriam, se os brasileiros não tivessem destruído tudo.

Por coincidência, achei agora aqui o comunicado que os produtores argentinos distribuíram para a imprensa na época, mês passado. Em espanhol mesmo, aspa:

El motivo de la cancelación es la falta de disponibilidad de estadios outdoors en Brasil en las fechas previstas para dicho país, lo que convierte en inviable que el grupo baje a Sud América  para realizar un único recital en Buenos Aires con la produccion que una mega show de estas características requiere.

Aí, brasileirada.
Mas pensando bem, melhor assim que ter que aturar o confortabilíssimo Estádio do Morumbi.

Olha meu terno!

Saturday, December 9th, 2006

Textinho rápido de moda sobre os mods, a toque de caixa. Nada que você já não saiba, acredite. Se eu fosse você, pulava esse post e ia assistir Quadrophenia, que saiu há alguns meses no Brasil em DVD duplo.

Aliás, tá sabendo que os Cachorro Grande deram fôlego a uma grife do sul? Sensacional.

Os mods nunca morrem
(publicado originalmente @ Chic)

Na primeira metade dos anos 60, enquanto a moda feminina via Mary Quant e Courrèges disputando a paternidade da minissaia, os homens viviam seu período mais estiloso. A Swinging London abrigava o nascimento dos mods.

Originalmente um movimento de jovens de classe média, os mods criaram seu próprio lifestyle de música e moda. Abraçaram a música negra dos EUA, particularmente a Motown, em detrimento do rock que começava a crescer. Rapidamente, movidos pelas anfetaminas populares na época, criaram seu próprio movimento musical – liderado principalmente pela banda The Who.

The Who

Preocupadíssimos com o visual, os mods ficaram conhecidos pela alfaitaria bem ajustada, ternos de três botões, gravatinhas, blusas estampadas, cabelos compridos e bem cortados. Cuidavam das roupas tanto quanto das lambretas que usavam por toda Londres, sempre decoradas com vários espelhos.

Calças Levi’s era uma febre (e tinham todo um truque especial: os jeans eram vestidos ensopados, para “se adaptarem ao corpo”), ao lado das pólos da marca do tenista Fred Perry e das roupas Ben Sherman. A grife do estilista inglês, que já foi chamado de ‘Mod God’, existe até hoje e foi a responsável por massificar o grande sinal mod – o círculo branco, azul e vermelho, baseado no símbolo da Força Aérea Britânica.

O movimento se desfez durante os anos 70, com a explosão do flower power hippie, mas permanece vivo até hoje. Em 1979, o filme Quadrophenia alimentou um pequeno revival, liderado pela banda The Jam. Produzido pelos integrantes do The Who (ironicamente, nesta época já inseridos em uma vibe riponga), e recentemente lançado em DVD duplo no Brasil, Quadrophenia conta os conflitos da época entre os mods e os rockers, que usavam couro, veneravam Elvis Presley e preferiam motos mais modernas.

Nos anos 90 o mod ganhou nova força, travestido no britpop de Oasis, Blur e companhia. Se estes já não são tão estilosos, a década produziu o overmod Jarvis Cocker, que acaba de lançar um disco solo. Casado com a stylist Camille Bidault, Cocker recentemente causou polêmica ao dizer que moda e música não deviam andar juntos. Mas mesmo assim, com seus óculos-marca registrada, não deixa de lado o visual apurado.

No Brasil a cena mod também é recorrente, principalmente entre os sulistas, que têm um inverno mais condizente com os ternos à la Londres. A banda mais conhecida é a gaúcha Cachorro Grande, que acabou gerando uma grife amiga, especializada no figurino.