Textinho rápido de moda sobre os mods, a toque de caixa. Nada que você já não saiba, acredite. Se eu fosse você, pulava esse post e ia assistir Quadrophenia, que saiu há alguns meses no Brasil em DVD duplo.
Aliás, tá sabendo que os Cachorro Grande deram fôlego a uma grife do sul? Sensacional.
Os mods nunca morrem
(publicado originalmente @ Chic)
Na primeira metade dos anos 60, enquanto a moda feminina via Mary Quant e Courrèges disputando a paternidade da minissaia, os homens viviam seu período mais estiloso. A Swinging London abrigava o nascimento dos mods.
Originalmente um movimento de jovens de classe média, os mods criaram seu próprio lifestyle de música e moda. Abraçaram a música negra dos EUA, particularmente a Motown, em detrimento do rock que começava a crescer. Rapidamente, movidos pelas anfetaminas populares na época, criaram seu próprio movimento musical – liderado principalmente pela banda The Who.

Preocupadíssimos com o visual, os mods ficaram conhecidos pela alfaitaria bem ajustada, ternos de três botões, gravatinhas, blusas estampadas, cabelos compridos e bem cortados. Cuidavam das roupas tanto quanto das lambretas que usavam por toda Londres, sempre decoradas com vários espelhos.
Calças Levi’s era uma febre (e tinham todo um truque especial: os jeans eram vestidos ensopados, para “se adaptarem ao corpo”), ao lado das pólos da marca do tenista Fred Perry e das roupas Ben Sherman. A grife do estilista inglês, que já foi chamado de ‘Mod God’, existe até hoje e foi a responsável por massificar o grande sinal mod – o círculo branco, azul e vermelho, baseado no símbolo da Força Aérea Britânica.
O movimento se desfez durante os anos 70, com a explosão do flower power hippie, mas permanece vivo até hoje. Em 1979, o filme Quadrophenia alimentou um pequeno revival, liderado pela banda The Jam. Produzido pelos integrantes do The Who (ironicamente, nesta época já inseridos em uma vibe riponga), e recentemente lançado em DVD duplo no Brasil, Quadrophenia conta os conflitos da época entre os mods e os rockers, que usavam couro, veneravam Elvis Presley e preferiam motos mais modernas.
Nos anos 90 o mod ganhou nova força, travestido no britpop de Oasis, Blur e companhia. Se estes já não são tão estilosos, a década produziu o overmod Jarvis Cocker, que acaba de lançar um disco solo. Casado com a stylist Camille Bidault, Cocker recentemente causou polêmica ao dizer que moda e música não deviam andar juntos. Mas mesmo assim, com seus óculos-marca registrada, não deixa de lado o visual apurado.
No Brasil a cena mod também é recorrente, principalmente entre os sulistas, que têm um inverno mais condizente com os ternos à la Londres. A banda mais conhecida é a gaúcha Cachorro Grande, que acabou gerando uma grife amiga, especializada no figurino.