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Skol Beats micado, sem MSTRKRFT nem Bambaataa

Saturday, May 5th, 2007

Começou zicado o Skol Beats. Acabei de chegar lá, quatro horas antes do que deveria. MSTRKRFT, hype da noite, que deveria encerrar tudo às sete, ficou ilhado na Argentina. Diz que eles talvez toquem amanhã, mas não se sabe. Outro DJ também deu no-show – segundo as fofocas, Donnacha Costello teve crise de pânico antes de embarcar.

Pra piorar a situação, o Afrika Bambaataa enfrentou o sistema de som da tenda black, que teve problemas durante a noite inteira. Passou 40 minutos com cara de emburrado, enqüanto os técnicos tentavam consertar a situação e seus MCs berravam, tentando quebrar o silêncio. Daí tocou 15 minutos, até tudo dar pau de novo. Triste ver o negão mexendo nas picapes sem acontecer nada, mas desisti e vim pra casa. Não ia aguentar mais meia hora de ‘put your hands in the air’.

A noite, além das atrações farofa, rendeu pouco. Addictive TV foi sensacional, como na sua apresentação de 2006 (também zicada, será um sinal?). Nathan Fake e 20 20 Soundsystem também foram bem. E só.

Três nomes em seis horas? Dá medo do que esperar pra hoje à noite.

Impressões do Coachella, I

Saturday, April 28th, 2007

Como eu mesmo não fui ao Coachella (como você, ou não estaria aqui lendo), só resta roer as unhas e acompanhar os shows via Youtube. Gisela Gueiros, a primeira correspondente internacional deste blogue, mandou suas impressões do primeiro dia de shows, ontem, de alguma biboca californiana. Taí:

Tenho pouquíssimo tempo pra ficar aqui na net, mas lá vai um resuminho da maratona musical que foi ontem, nosso primeiro dia de Coachella. Depois de três horas de fila num sol de 40 graus, entramos no festival – que é num lugar de campo de pólo, com grama verdinha como as dos campos de golf. O clima lá dentro é bem mais quadrado do que se imagina: bebida só nas áreas chamadas ‘beer garden’, onde o povo bebe e aproveita pra ficar na sombra, já que não tem nuvens, nem árvores. São 5 palcos e as atrações pipocam. Pra começar vimos Flosstradamus e Noisettes – muito bom, por sinal. Pausa para um vinho branco – sim, o vinho branco é delicioso e custa o mesmo que a cerveja (sete dólares).

Depois disso, entramos no clima. E chegou a  hora do primeiro show bom do dia: Amy Winehouse. Acho que quando montaram o line up ela ainda não tava tão bombada, então deram uma tenda pequena pra ela, em vez de um dos dois palcos principais. Saia gente por tudo quanto é lado, e a Amy é maravilhosa! Linda, gostosona, simpática. Foda. Cantou todas do último disco, bebeu whisky durante o show e pediu um extra drink no meio da apresentação.

Depois da Amy teve Of Montreal, que foi meio decepcionante, teve Arctic Monkeys, Jesus and Mary Chain e Jarvis Cocker. O Jarvis é incrível, parece um Bowie. Piadista, fez um show super pocket num dos palcos grandes e tocou todos os hits do último álbum – “Black magic” e “Don’t let him waste your time”, entre outras.

Aí ouvimos Interpol de longe, e chegou a hora mais importante do dia: o show da Björk. Sonho realizado. A mulher sabe tudo. O palco todo decorado com umas bandeiras, as meninas da mini orquestra de sopros todas com umas bandeirinhas na cabeça. A Björk de legging preto, saia de havaiana, top de caveira e manguinhas de havaiana. Testa pintada de verde e vermelho. Começou com “Earth intruders”, depois “Hunter”, “Unravel”, “Oceania”, “All is full of love”, “Pleasure is all mine”, “Yoga”, “Pagan poetry”, “Modern thing”, “Army of me”, “Innocence”, “Wanderlust” e “Declare independence” – no bis. Dançou feito louca. E eu, a vinte metros de distância dela. Quase morri. É muita emocao. Dorme acorda que hoje tem mais. Depois conto detalhes.

Pianinho chubby, II

Tuesday, April 24th, 2007

Uma semana depois…

Keane em São Paulo
(publicado originalmente @ Omelete)

Escuro de repente, a música de fundo ainda tocando no Credicard Hall, Tim Rice-Oxley entra correndo no palco e ataca seu piano como um Beethoven anfetamínico, abrindo espaço na base do susto para seus colegas do Keane.

A postura de desenho animado de Rice-Oxley, maltratando as teclas lunaticamente já nos dois primeiros hit, “Put it behind you” e “Everybody’s changing”, combina com o público que encheu a casa no segundo show da banda inglesa em São Paulo. Faz tempo que um show de rock na cidade não reúne uma porcentagem tão grande de crianças na platéia.

Keane @ São Paulo, foto Natalie Gunji

É sinal de que o trio inglês faz jus à fama que vem construindo, com suas melodias à base de pianos distorcidos, com um rock bonitinho e quase inofensivo. A falta de uma guitarra em fúria e a figura de rapazes bonzinhos dos integrantes produziu uma noite família, sem vontade de afrontar ninguém.

Não que eles se importem com isso, e nem deveriam. O Keane achou seu espaço, apesar das comparações pejorativas a Coldplay e U2 (que aparecem bastante na sonoridade da banda, mas não de um modo ruim), e não tem motivo para largar o osso.

E são competentes naquilo que fazem. O repertório dos dois shows paulistanos foi idêntico, misturando as faixas mais conhecidas dos seus dois álbuns, Hope and fears (2004) e Under the iron sea (2006), com tudo o que os fãs queriam ouvir. De “This is the last time” e “Somewhere only we know” a “Is it any wonder?” e “Bedshaped”, já no bis.

Falante, o vocalista Tom Chaplin se esforçou para agradar a platéia, com todos aqueles clichês de banda gringa. Falou português, jurou que aquela era a melhor noite de sua vida e, entre juras de amor e breve retorno, só faltou vestir a camisa da seleção brasileira que recebeu.

Assim como ele, o show é formatado para se mostrar dedicadíssimo à audiência. Uma plataforma deslocou o trio para tocar no meio da platéia – momento, aliás, das únicas cordas da noite, com um violão em “Your eyes open” e “Hamburg song”. E na introdução de “A bad dream”, um vídeo recitava o poema de W. B. Yeats (no qual a música foi baseada), com legendas em português. Tudo impecável no seu esforço de fisgar o povo.

O que falta no Keane, ironicamente, é emoção. Não se pode negar que a sonoridade da banda dá uma boa liga, mas Chaplin não parece sentir nada daquilo que canta, tornando tudo meio irreal na sua boa vontade. Coisa que até Chris Martin, seu predecessor de meia geração, consegue fazer melhor. E sem isso, o Keane acaba ficando relegado ao cargo de estagiários de sua linhagem britânica.

Pianinho chubby

Wednesday, April 18th, 2007

Nunca vi tanta criança em um show de rock como no Keane, há pouco. Molecada de oito, nove, dez anos, vibrando com o bochechudinho.

E no meio do show, em “Hamburg song”, quando o Tom Chaplin pediu isqueiros na platéia (U2, alguém?), só consegui enxergar dois. O resto, telas de celulares e câmeras digitais. A geração nerd também é a geração saúde. Coisa chata.

Lanny Gordin @ Auditório Ibirapuera

Monday, April 2nd, 2007

“Um cantinho, um violão”. É irônico que Lanny Gordin inicie o show de lançamento do seu novo disco solo com “Corcovado”, do Tom Jobim, tocando sua guitarra abandonado no palco. Logo ele, que ajudou a molecada tropicalista a coalhar os bossanovistas. Ironia ou reverência, tanto faz.

Fato é que Lanny comandou shows históricos no Auditório Ibirapuera (já disse que o lugar é sensacional? acho que estou me repetindo), neste fim de semana, lançando seu Duos - dizem que é bom, eu não ouvi ainda.

Dizer que o homem é um guitarrista sensacional é lugar comum, nem vale o esforço. Vai do rock ao jazz à rumba em dois movimentos de dedos. E funciona melhor no repertório que se espera dele (lá vem “Baby” ou “Tropicália” ou “Mucuripe”) do que nas coisas mais novas que ele também gravou (como a chata chata chata, e novo hit entre os mpbelezistas, “Lua vermelha”, by Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown). E ainda carrega na bagagem a sua banda Projeto Alpha, com o Fábio Sá, o baixista mais divertido dessa geração que anda por aí.

Notório também é o mau humor de Lanny, que só falou ao microfone para anunciar os convidados. Compreensível, já que teve que aturar a interação quase incoveniente de Max de Castro, que quase roubou o show só pra si. Simpatizo com o Max, mas ele precisa aprender o conceito de “artista convidado” no palco alheio.

Da noite, só valeu mesmo a participação de Jards Macalé, duetando sua “Movimento dos barcos” e contrapondo a guitarra do anfitrião ao seu jeito todo próprio de debulhar um violão.

Histórico. E sem fotos, que eu descobri a chapelaria do Auditório e fiquei descamerizado.