Quem andou pelas áreas centrais de São Paulo nas duas últimas semanas deu de cara com, pelo menos, uma dúzia de stencils misteriosos de um rosto familiar.

Depois de um tempo de pulga atrás da orelha, o mistério veio à tona. A fuça é de Seu Jorge, o nego brasileiro mais adotado pela finesse européia. A campanha agressiva - que se completou/explicou depois com lambe-lambes, postais e anúncios ‘normais’ – é da Sagatiba, auto-proclamada fina flor da cachaça nacional.
“Eterna busca“, além de slogan da pinga, é o título da nova música do cantor, que já toca nas rádios e é carro chefe do seu novo álbum. Até aí tudo normal, se a campanha publicitária da marca não ultrapassasse as fronteiras do bom senso e se enfiasse no meio da faixa. Mas a bebida é a musa de inspiração da letra, declaradamente, com seu nome repetido várias vezes (dá pra ouvir – e baixar o mp3 – aqui).
Não quero discutir, porém, a esperteza sacana da Sagatiba (que ganha publicidade infinita sem gastar um puto, em teoria, com divulgação) nem a “integridade artística” de Jorge (que sempre achei um grande caso de superestimação sonora. E sua parceira com marcas não é novidade – ou você não lembra que o seu primeiro álbum só foi lançado por aqui em parceira com a grife Mandi, da qual ele foi garoto propaganda?).
O problema, aqui, é que marketing de guerrilha tem limites. E a cachaçaria ultrapassou a todos, estampando o cantor estilizado em um número surreal pela cidade. Aqui na Vila Madalena, onde também fica a casa brasileira do rapaz, é uma overdose: postes em seqüência; tapumes com dois, três, quatro em uma esquina; nem muros residenciais escaparam, o que já vira sacanagem das brabas.
A pergunta que fica é: no fim das contas, quem paga o pato? E a tinta?

Afinal, encarar Seu Jorge todo dia de manhã no caminho do trabalho é dose pra leão.