Posts Tagged ‘Mutantes’

Pirando

Saturday, October 18th, 2008

“É uma espécie de honra estar aqui, em função de um passado.” – Arnaldo Baptista

Piração, cada um tem a sua.

Enquanto todo mundo se horrorizava com a loucura do seqüestrador de Santo André (candidato ao Oscar 2010?), o Cinesesc abrigava uma piração mais “saudável e generosa” (entre várias aspas): a estréia paulistana de Loki, documentário sobre Arnaldo Baptista, dentro da programação da Mostra.

Loki

Arnaldo é daqueles gênios que, de tão venerados, têm sua história pessoal mergulhada em mitos. Criador do real rock brasileiro, à frente dos Mutantes. Roqueiro que nunca parou de fritar no ácido. Suicida. Pirado. Nosso Brian Wilson, nosso Syd Barrett, depende da sua fase, depende de quem vê.

Loki é um belo trabalho de redenção de um personagem precioso. O documentário desmistifica a carreira de Arnaldo, mostrando como o moleque apaixonado e talentoso dos anos 60/70 se tornou um músico sisudo e compenetrado, por conta do LSD e da separação (nunca superada, dá pra ver bem) de Rita Lee; se perdeu no seu interior, tentou suicídio e foi resgatado por uma nova alma gêmea, novos amigos, novo hobby, neurônios parados num velho espaço-tempo todo particular. Talentoso e genial mas, lá dentro, só um cara meio perdido e machucado.

“Eu fui levando a vida assim, diante das injustiças”, ele diz, sobre suas várias passagens em hospícios. Em outro momento, deixa bem claro nas entrelinhas que tentou se matar “em homenagem ao aniversário de quem me internou pela primeira vez”. Ou seja, o velho fantasma de Rita (que faz aniversário no dia 31/12. Arnaldo se jogou pela janela no réveillon de 1982).

Ao mesmo tempo, o que é legal, o filme serve pra mitificar ainda mais o homem, uma das maiores jóias do nosso rock. Afinal, não é nada fácil explicar o que se passa/passou pela cabeça de Arnaldo. Ele bem tenta deixar claro, naquele seu jeito de falar que é tão inocente quanto brilhante de tão simples. Duro é acompanhar.

Loki tem o mesmo efeito do show dos Mutantes no começo de 2007, no Parque da Independência. Lá, era difícil não ficar emocionado pela presença dele. Com o filme, também.

Assim como ver Arnaldo ser ovacionado por cinco seis sete minutos, dentro de um cinema lotado. Do jeito que anda a coisa aqui fora, a cabeça dele está muito melhor.

Loki tem pelo menos mais duas exibições na Mostra. Corre.

O maior espetáculo da Terra

Monday, January 29th, 2007

O título é batiiiido, mas é de coração. E sem fotos, que já está tudo no outro post.

Mutantes em São Paulo
(publicado originalmente @ Omelete)

Começo de noite em São Paulo, eles entram marchando no palco. Um Napoleão, um corsário e um padre, com fogos pipocando no fundo de cena, prontos para enfrentar o jardim elétrico do Parque da Independência, como se trinta e tantos anos fossem ontem, como se nada tivesse acontecido. Ah, baby, há quanto tempo. Os Mutantes estão ali, sorrindo e pulando, ante uma platéia que cresceu ouvindo sem saber os seus filhotes pelo mundo.

Certas coisas só se acredita vendo. Mesmo com as notícias de shows pela Europa e EUA, mesmo com um DVD recém-lançado, não me leve a mal, as provas não convencem. Ali era o verdadeiro retorno da verdadeira banda de rock brasileiro. Algo só comparável ao retorno dos Beatles – mas, pena para os ingleses, os nossos estão bem vivos.

A situação, num improvável túnel do tempo, remete ao começo dos anos 70. Rita Lee acabou de abandonar os microfones, mas foi substituída e a banda, apesar de algumas rugas aqui e ali, toca a sua boa vida. Uma fase chata progressiva? Brigas, acidentes, fofoquinhas? Vê, vê que tudo mudou. Está tudo bem, tudo bom.

O bom humor era patente ali, mesmo antes das risadas tresloucadas de “Dom Quixote”, a primeira música. Ninguém lembrava sequer do aniversário da cidade. Pra que? Estavam todos ali para ver Sérgio Dias empunhar sua velha guitarra, Arnaldo Baptista sentar-se sob seus teclados e Dinho Leme retomar as baquetas, nosso presente de ano novo. Ah, bicho, não chore ainda não. A coisa toda está só começando.

O show seguiu exatamente o mesmo setlist de 21 músicas do DVD, gravado no primeiro show em Londres, em 2006. Um difícil best of das grandes faixas mutantes. A vantagem é ignorar as chatices do registro, como as legendas erradas, o som dessincronizado ou as versões em inglês para gringo ver.

E se naquela época os Mutantes entraram no palco com um mês de ensaio corrido, aqui eles chegam louvados por meses de turnê pelos EUA. Mas não vêm afiados em tecnices, e se jogam no calor do momento. A quentura que faz Sérgio errar notas ou a letra de “Balada do louco”. Desbunde é emoção ou o quê?

A banda não é mais aquela, é verdade, e conta com o aparo de um grupo de apoio de sensacionais instrumentistas, mais dois backing vocals. Mas isso não é um demérito e torna toda a bagunça dos arranjos mais consistente e interessante.

E está tudo ali, como deveria ser, principalmente entre os dois irmãos geniais. Sérgio liga tudo com sua veia de maestro e mostra, na guitarra ou no violão, que não está entre os grandes guitar heroes brasileiros à toa. E Arnaldo, com seu jeito terno meio desligado, conquista qualquer um – o arrepio foi inevitável nos seus vocais solos de “Cantor de mambo” e “Dia 36”.

O fator delicado seria Zélia Duncan, recrutada para ocupar o espaço de Rita Lee. A vocalista original só apareceu nas capas dos livros e discos que os fãs empunhavam no lugar e – duro dizer isso – não fez muita falta. Zélia se provou a escolha perfeita para a vaga. Esperta, ficou no seu lugar de coadjuvante da glória, glória alheia. Não se intimidou com a missão e, ao mesmo tempo, não tentou puxar a estrela para si. Sua voz grave também não foi um problema, graças à ajuda preciosa da backing vocal. A moça é cantora versátil e vê-se que treinou a garganta para estar ali – preste atenção à sua performance de “Fuga n° II” para entender. Esquece, não pensa mais. Ela está onde deve.

Outro momento emocionante foi a participação de Tom Zé, que abriu a noite ao lado da Nação Zumbi. Tropicalismo na veia, ele veio e cantou suas duas canções “Dois mil e um” e “Qualquer bobagem” – a única que não está no DVD, em dueto torto com Arnaldo. Só faltou mesmo uma homenagem ao recém-falecido maestro Rogério Duprat, tão importante para a banda, pelo menos em “Panis et circenses”.

Como não podia deixar de ser, os Mutantes conquistaram as tantas mil pessoas que lotaram as margens do Ipiranga, finalmente retomando o seu lugar devido. Tanto que voltaram para dois bis, com outra chance de Sérgio errar novamente “Balada do louco”.

E quer saber? Nunca a letra dessa música fez tanto sentido. Brrlll.

A little spaced out

Friday, January 26th, 2007

Estou há horas falando que os Mutantes, ontem, fizeram o show da minha vida – e ninguém me leva a sério. Pois foi. Eu discorro depois, quando botar minhas idéias no lugar. Por enqüanto, vou entupir isso aqui de fotos mesmo. Hmm.

Mutantes @ SP, foto Gab Marchi 

Mutantes @ SP, foto Gab Marchi

Mutantes @ SP, foto Gab Marchi

Mutantes @ SP, foto Gab Marchi

Mutantes @ SP, foto Gab Marchi

Mutantes @ SP, foto Gab Marchi

Mutantes @ SP, foto Gab Marchi

Os Mutantes @ SP

Monday, January 22nd, 2007

Se você ainda não sabe os horários certinhos do show dos Mutantes, na quinta-feira, anota aí. A coisa toda começa com Nação Zumbi (16h), emenda com Tom Zé (18h) e fecha com eles às 20h. Sem correria, nada de shows curtinhos, tudo ao ar livre. Uma belezinha de feriado. E diz que Tom deve subir no palco pra reunir um setentismo. Eu aposto em “Parque industrial” – óbvio, mas quem liga? A Nação também deve invadir em algum momento, que eles não são bobos.

Você vai, é claro que vai. O Parque da Independência fica ali nas barbas do imperador, pelo Ipiranga. Você sabe onde é, claro que sabe. Se não, tenta se guiar aqui.

Fora daqui, Os Mutantes se apresentam no Vivo Rio no dia 03.02. E me falaram que já estão semi-fechadas datas em Brasília, Goiânia e Porto Alegre, pra março, mais o Abril Pro Rock (a banda quase tocou lá em 2006, antes do primeiro show em Londres) e Porão do Rock, em junho.

Mutantes returns

Tuesday, May 23rd, 2006

Frustrado por não ter assistido ao retorno d’Os Mutantes em Londres, ontem? Aqui já tem dois vídeos. O som é ruim, o vídeo é pequeno e o zoom é tosco. Mas não reclama que, ao vivo, vai demorar.

Pelo menos dá pra ”ver” Arnaldo cantando “A minha menina”.

Como diria o cara que gravou: putaquepariu.

Update: Thomas Pappon reporta sobre o show para a BBC.