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Confissões de super-heróis

Monday, October 20th, 2008

Esse Confissões de super-heróis é um dos melhores nerdocumentários que já vi. Tinha assistido no começo do ano e de repente ele está na seleção da Mostra. Dica certa.

O filme retrata quatro atores fracassados que ganham dinheiro encarnando super-heróis na Calçada da Fama, em Hollywood, e posando para fotos com os turistas que passam por ali. São quatro personagens: um Huk negro, uma Mulher-Maravilha ex-cheerleader, um Batman com problemas de controle de raiva e um Super-Homem pirado.

Confissões de super-heróis

É esse último a estrela loser do doc. O cara se parece com o Christopher Reeves (tem até o mesmo nome) e dedica a vida ao super-herói. Tem uma casa entupida de memorabília e não sabe pensar (e falar) sobre outra coisa. Até a moral, se esforça em copiar. Enquanto os companheiros de filme estão mais para ganhar a vida, ele é daquelas crias meio obsessivas do mundo dos quadrinhos, de dar medo.

Além de bom, o filme tem uma fotografia massa e uma trilha sonora bem boazinha – assinada por Greg Kuehn, que já fez parte do TSOL.

Pirando

Saturday, October 18th, 2008

“É uma espécie de honra estar aqui, em função de um passado.” – Arnaldo Baptista

Piração, cada um tem a sua.

Enquanto todo mundo se horrorizava com a loucura do seqüestrador de Santo André (candidato ao Oscar 2010?), o Cinesesc abrigava uma piração mais “saudável e generosa” (entre várias aspas): a estréia paulistana de Loki, documentário sobre Arnaldo Baptista, dentro da programação da Mostra.

Loki

Arnaldo é daqueles gênios que, de tão venerados, têm sua história pessoal mergulhada em mitos. Criador do real rock brasileiro, à frente dos Mutantes. Roqueiro que nunca parou de fritar no ácido. Suicida. Pirado. Nosso Brian Wilson, nosso Syd Barrett, depende da sua fase, depende de quem vê.

Loki é um belo trabalho de redenção de um personagem precioso. O documentário desmistifica a carreira de Arnaldo, mostrando como o moleque apaixonado e talentoso dos anos 60/70 se tornou um músico sisudo e compenetrado, por conta do LSD e da separação (nunca superada, dá pra ver bem) de Rita Lee; se perdeu no seu interior, tentou suicídio e foi resgatado por uma nova alma gêmea, novos amigos, novo hobby, neurônios parados num velho espaço-tempo todo particular. Talentoso e genial mas, lá dentro, só um cara meio perdido e machucado.

“Eu fui levando a vida assim, diante das injustiças”, ele diz, sobre suas várias passagens em hospícios. Em outro momento, deixa bem claro nas entrelinhas que tentou se matar “em homenagem ao aniversário de quem me internou pela primeira vez”. Ou seja, o velho fantasma de Rita (que faz aniversário no dia 31/12. Arnaldo se jogou pela janela no réveillon de 1982).

Ao mesmo tempo, o que é legal, o filme serve pra mitificar ainda mais o homem, uma das maiores jóias do nosso rock. Afinal, não é nada fácil explicar o que se passa/passou pela cabeça de Arnaldo. Ele bem tenta deixar claro, naquele seu jeito de falar que é tão inocente quanto brilhante de tão simples. Duro é acompanhar.

Loki tem o mesmo efeito do show dos Mutantes no começo de 2007, no Parque da Independência. Lá, era difícil não ficar emocionado pela presença dele. Com o filme, também.

Assim como ver Arnaldo ser ovacionado por cinco seis sete minutos, dentro de um cinema lotado. Do jeito que anda a coisa aqui fora, a cabeça dele está muito melhor.

Loki tem pelo menos mais duas exibições na Mostra. Corre.