Em defesa das cuecas brancas

O New York Times publicou hoje um texto comemorando o retorno das cuecas brancas, daquelas básicas. A história é que Eric Wilson, que assina, se emocionou ao encontrar na Macy’s um pacote de três modelos simples da Calvin Klein Underwear, produto que estava fora de circulação há quatro anos. Um trecho:

The style is a basic bikini brief, a marvel of minimalism sold in a three-pack for $24.50. It has the design distinction of a thin elastic waistband sewn into a tunnel of cotton, rather than one of those two-inch-wide billboards blaring the designer’s name in a way that can be interpreted only as a dastardly scheme to achieve market domination via brand impressions made through the pornography and plumbing industries.

Por coincidência, eu visitei a loja da CKU da Oscar Freire hoje de tarde e passei o olho pelas prateleiras das cuecas. Entre megalistras, cavas e outros enfeites, “básico” é palavra que passa longe ali. Pedi um modelo simples e recebi da vendedora uma cueca branca, com um elástico de 10 centímetros e o logo bordado em… amarelo fluo!

E isso não é exclusividade dessa marca, claro. Em outras mais baratas também é difícil encontrar um modelo simples de verdade, sem logotipos, sem padronagens, confortável e em algodão bom. Como escreve Wilson, “roupa íntima ficou muito complicada”.

Curioso é que, no seu texto, o repórter conclui que o retorno da cueca básica – mais barata, de produção mais simples e vendida em pacote econômico – é fruto da crise financeira que estourou pelo primeiro mundo. Faz sentido. Essa parte boa da crise, pelo visto, não bateu aqui ainda.

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