Archive for the ‘Rio de Janeiro’ Category

Stuck at (Fashion) Rio

Thursday, January 18th, 2007

Estou gastando meus dias na Marina da Glória e vou te dizer: se João Gilberto tivesse nascido nos anos 80, teria se tornado um guitarrista headbanger, daqueles virtuosi, fã de Yngwie Malmsteen.

Impossível alguém inventar algo como a Bossa Nova com o fedor que vem dessa Baía da Guanabara. O amor, o sorriso e a flor passam longe. E olha que nem está sol.

Sobre o novo Secretário de Cultura carioca

Wednesday, November 22nd, 2006

Já virou clichê esse papo de “eleitor brasileiro não tem memória”. Então vamos relembrar algumas coisas.

Em 1996, o Circo Voador foi fechado pela prefeitura do Rio de Janeiro. Segundo o que conta a história, Luiz Paulo Conde, prefeito eleito nas eleições daquele ano, comemorou sua vitória ali e bateu de frente com uma platéia punk que foi assistir ao show dos Ratos de Porão e (acho) Garotos Podres, marcado para o mesmo dia. Conde, obviamente, saiu do Circo vaiado pelos punks, o que causou rebuliço na mídia e o fechamento do lugar pelo ainda prefeito César Maia. Motivos oficiais, as reclamações dos vizinhos pela precariedade acústica do palco, demolido no ano seguinte. Ponto.

Já nas eleições de 2000, em articulação com Fernando Gabeira e Maria Juçá, eterna defensora do CV, César Maia colocou na sua pauta a reconstrução do espaço. Maia concorria com seu ex-aliado Conde. Venceu e cumpriu a promessa, reabrindo o Circo em 2004. Ponto.

Corta para a semana passada, quando o novo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, anuncia o seu novo Secretário de Cultura. O nome? Luiz Paulo Conde, mesmo pivô da demolição do primeiro Circo, ex-vice de Rosinha Garotinho e que, olha só, se elegeu prefeito em 1996 derrotando o próprio Cabral. É uma cacetada ou não? Na minha cabeça, é um perigo.

Jogo a bola pra cariocada.

Tim Festival no chão

Monday, October 16th, 2006

O Tim Festival lançou mão de boa tática de mídia alternativa para sua versão 2006 no Rio de Janeiro, que acontece a partir do dia 27.

Neste feriado, faixas de pedestre amanheceram aplicadas com nomes da escalação. A nota é via Blue Bus, que publica foto de cruzamento em Ipanema. Devendra, tadinho, já se borrou inteiro.

O povo fala

Friday, July 7th, 2006

Coincidência das brabas: São Paulo e Rio de Janeiro, praticamente na mesma semana, se integraram a dois projetos de blogues coletivos planetários.

Os cariocas aderiram ao Metroblogging, tornando-se os primeiros sul-americanos numa lista de quase 50 cidades dentro do grupo, que nasceu em Los Angeles em 2003. Na equipe, nomes célebres neste blogue – Bruna Beber, poeta e musa de São Januário, e Fernando Paiva, da Luisa mandou um beijo.

Já deste lado paulistês, o grupo caiu em uma rede mais modesta (14 cidades), mas não menos afamada, do sufixo IST (Nova York, 2002).

A coisa toda ainda está crua (ambos não têm nem uma semana direito no ar), mas tende a render mais quando ganhar traquejo e identidade. O blogue do Rio parece ir por uma linha crônica, bem a cara da cidade. Os paulistanos, por outro lado, preferem uma veia jornalística mais quadrada.

Desta mão, meu peixe vai pelos cariocas, por enqüanto.
Mas a idéia não é escolher.

Glória é o cacete

Sunday, June 11th, 2006

Passei uma semana internado na Marina da Glória, trabalhando. A conclusão: o espaço que é alugado para terceiros é ótimo, com vista para o Pão de Açúcar e o mar e etcetera.

Mas tenho que desabafar. Não há orla à meia luz que salve um mega-evento sem acesso decente. O estacionamento do lugar é uma bagunça, e a organização da cariocada é um conceito à parte. Resultado é que as entradas entopem de carros e táxis em um piscar de olhos, e você demora uns bons vinte minutos para vencer a fila e chegar à porta.

A Marina era cotada como alternativa para o Tim Festival (depois de, em teoria, abandonar o MAM, agora patrocinado pela concorrente Vivo), que já sinaliza repetir o formato de 2005, com a sua maior filial em terras cariocas.

TF no Rio é mais bacana do que em São Paulo – sair dos shows e dar de cara com a paisagem carioca é uma das maiores vantagens. Agora, se os planos se mantiverem, eles vão precisar de muito sangue frio para organizar o trânsito do público por ali.

Ou vai dar merda.