No sábado, tentei conhecer o tal Inferno novo. Às duas da manhã, a fila monstruosa me fez voltar correndo para casa. Achei que era sinal de sucesso até ficar sabendo que o povo da casa curte aquela mania de segurar fila. Belezinha, hein?
Mais traumático foi o domingo, quando me arrastei até o Tom Brasil Nações Unidas para o show de Maria Bethânia e me dei conta de quão ruim é aquele lugar.
Além de ser no quinto dos infernos (foram dez paus de táxi da estação de trem mais próxima), o TB é uma sucessão de tragédias. Com mesas apertadas, cadeiras não voltadas para o palco, sem um milímetro para onde virá-las, é tão confortável quanto a classe econômica de um Fokker 100. Assistir a um show ali significa um exercício complicado em conseguir uma frestinha entre as cabeças à sua frente. Para ajudar, solícitos garçons que não deixam de passar na sua frente durante o show, falando como se nada estivesse acontecendo.
E o público, ah, o público. Assim como os garçons, não deixam de papear um instante sequer. Bethânia se esgoelava no palco e a audiência tratava como uma cantora de boteco. Nos momentos instrumentais, então, a coisa toda degringolava ao nível de um happy hour.
Conclusão: se você não está nas três primeiras fileiras, o Tom Brasil Nações Unidas é o lugar mais escroto para um show. Lembre-se disso.