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Assunto: moda

Melk

15.01.2007 @ 23:42No Comments

Seguindo a minha campanha semestral de hypar outro estilista brasileiro com um sobrenome que ninguém sabe falar. Faz mais sentido vendo as fotos.

Melk Zda, foto Charles Naseh

Melk Zda - Inverno 2007
(publicado originalmente @ Chic)

Surpresa: para quem achava que o pernambucano Melk Zda não gostava de traduzir sua moda para um ambiente urbano, a primeira parte do seu desfile de inverno 2007 surpreendeu. Com calças e seus já conhecidos shortinhos, vieram looks quase sportswear, com casaquetes, camisetas largas e saias. Melk foi na contramão da moda-proteção, fechada e austera, e não se desfez dos tecidos esvoaçantes. Sua inspiração veio mais uma vez do mundo animal, com pássaros como tema, e do universo dos mangás. A primeira apareceu bem, referenciada nos bordados típicos do estilista e nas tiras que fazem as vezes de penas. Já a temática japonesa não ficou muito fácil de sacar, passando quase em branco, não fossem os quimonos disfarçados. O meio da apresentação foi dedicada aos vestidos já conhecidos por quem o acompanha: sobreposições, transparências e proporções próprias, e suas cores típicas, lavadas ou em degradê, com apresentação do amarelo. A melhor parte parte veio no final, com looks em preto estampado (incluindo um macacão sensacional com as mangas recortadas) e em lurex. O desfile foi encerrado com a grande imagem do dia, trazendo a neo-top Diane Conterato embrulhada em um mantô de penas falsas. A modelo com cara de passarinho virou um passarinho na passarela. Lindo.

Eight Legs @ SP, trilha de desfile, II

09.01.2007 @ 19:01No Comments

Mistério fechado. Depois que o último post saiu também ali, o SPFW correu atrás e soltou (via seu site oficioso de notícias, claro) a info correta. Os Eight Legs não fazem trilha de desfile coisa nenhuma: tocam em um show fechado no lounge da Fiat, um dos patrocinadores do evento. A data se mantém: 25.01.

Fechou.

Eight Legs @ SP, trilha de desfile

08.01.2007 @ 18:58One Comment

Cantaram essa bola pra mim na semana passada e a banda me deu a confirmação hoje: a indie inglesa Eight Legs, em processo de pré-hype, passa por São Paulo no final do mês. Tem um show marcado em alguma casa da cidade para o dia 26.01.

O motivo da viagem, pelo visto, não é de graça. Eles vêm para cá no começo dos desfiles de inverno 2007 do SPFW (que acontecem entre 24 e 29.01), e tocam ao vivo para uma das marcas participantes no dia 25.01. Talvez para a Ellus, que trouxe Wry, a banda brasileira radicada em Londres, para o seu mega-desfile de inverno 2006 em janeiro do ano passado. A marca, porém, nega de pés juntos. Ainda estou tentando descobrir.

A ligação do Eight Legs com a moda não é nova. Também em janeiro, em Paris, a banda produziu uma versão de 15 minutos da sua “These grey days” para o desfile de inverno da Dior Homme, o nome mais expressivo da moda masculina lá fora atualmente - e que tem toda uma conexão com o rock moderno através do seu estilista, Hedi Slimane. Beck, Razorlight e The Rakes são outros que já ocuparam recentemente o cargo de trilha sonora para a maison.

Quer ouvir? Aperta aí o play.

Olha meu terno!

09.12.2006 @ 03:26No Comments

Textinho rápido de moda sobre os mods, a toque de caixa. Nada que você já não saiba, acredite. Se eu fosse você, pulava esse post e ia assistir Quadrophenia, que saiu há alguns meses no Brasil em DVD duplo.

Aliás, tá sabendo que os Cachorro Grande deram fôlego a uma grife do sul? Sensacional.

Os mods nunca morrem
(publicado originalmente @ Chic)

Na primeira metade dos anos 60, enquanto a moda feminina via Mary Quant e Courrèges disputando a paternidade da minissaia, os homens viviam seu período mais estiloso. A Swinging London abrigava o nascimento dos mods.

Originalmente um movimento de jovens de classe média, os mods criaram seu próprio lifestyle de música e moda. Abraçaram a música negra dos EUA, particularmente a Motown, em detrimento do rock que começava a crescer. Rapidamente, movidos pelas anfetaminas populares na época, criaram seu próprio movimento musical – liderado principalmente pela banda The Who.

The Who

Preocupadíssimos com o visual, os mods ficaram conhecidos pela alfaitaria bem ajustada, ternos de três botões, gravatinhas, blusas estampadas, cabelos compridos e bem cortados. Cuidavam das roupas tanto quanto das lambretas que usavam por toda Londres, sempre decoradas com vários espelhos.

Calças Levi’s era uma febre (e tinham todo um truque especial: os jeans eram vestidos ensopados, para “se adaptarem ao corpo”), ao lado das pólos da marca do tenista Fred Perry e das roupas Ben Sherman. A grife do estilista inglês, que já foi chamado de ‘Mod God’, existe até hoje e foi a responsável por massificar o grande sinal mod – o círculo branco, azul e vermelho, baseado no símbolo da Força Aérea Britânica.

O movimento se desfez durante os anos 70, com a explosão do flower power hippie, mas permanece vivo até hoje. Em 1979, o filme Quadrophenia alimentou um pequeno revival, liderado pela banda The Jam. Produzido pelos integrantes do The Who (ironicamente, nesta época já inseridos em uma vibe riponga), e recentemente lançado em DVD duplo no Brasil, Quadrophenia conta os conflitos da época entre os mods e os rockers, que usavam couro, veneravam Elvis Presley e preferiam motos mais modernas.

Nos anos 90 o mod ganhou nova força, travestido no britpop de Oasis, Blur e companhia. Se estes já não são tão estilosos, a década produziu o overmod Jarvis Cocker, que acaba de lançar um disco solo. Casado com a stylist Camille Bidault, Cocker recentemente causou polêmica ao dizer que moda e música não deviam andar juntos. Mas mesmo assim, com seus óculos-marca registrada, não deixa de lado o visual apurado.

No Brasil a cena mod também é recorrente, principalmente entre os sulistas, que têm um inverno mais condizente com os ternos à la Londres. A banda mais conhecida é a gaúcha Cachorro Grande, que acabou gerando uma grife amiga, especializada no figurino.

Nossa garota

16.11.2006 @ 18:16No Comments

O primeiro trailer de Factory girl caiu no Youtube. O filme é uma biografia de Edie Sedgwick, musa sessentista, obra de Andy Warhol, trepada (ou não) de Bob Dylan, inspiradora de “Femme fatale” do Velvet Underground - além de monstruosamente linda -, morta em 1971.

Andy Warhol & Edie Sedgwick

Edie é uma personagem fenomenal, mas o filme parece estar naquele limiar: pode ser muito bom ou pode ser a bomba de 2007. Basta ver o trailer. Sienna Miller está no papel principal - que só ganhou depois de ser traída por Jude Law. Warhol é Guy Pearce, esquisitíssimo com tanta maquiagem na cara.

Hayden Christensen, o par romântico, era para ser Dylan, que resmungou dizendo nunca ter se envolvido com Edie. Resultado: o personagem virou um misto dele com Jagger, Bowie e Reed. Lou Reed, aliás, é interpretado por Brian Bell, guitarrista do Weezer. E o baterista da banda encarna John Cale.

A cada frase, Factory girl fica mais e mais bizarro.