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Assunto: lá fora

Ah, esse assunto

11.09.2006 @ 15:30One Comment

Onze de setembro, né? Cinco anos e tal. Tinha prometido que ia passar em branco sobre todo esse assunto. Não tenho boas histórias pra contar, já que não estava nos EUA em 2001 e passei aquele dia inteiro trabalhando.

Mas aí fui fuçar no blogue da época e achei várias observações interessantes. Algumas:

. O Clear Channel, que controla centenas de estações de rádios no país, soltou uma lista recomendando a retirada de certas músicas das programações. Entre elas: Stairway to heaven, Lucy in the sky with diamonds, Imagine e todo o catálogo do Rage Against the Machine.

David Bowie registrou um diário in loco no seu site. Aspa: “Os novaiorquinos são pessoas que pensam rápido e se recuperam facilmente. Lembram os meus conterrâneos londrinos.”

. Uma semana depois abriram as vendas dos ingressos para o Free Jazz daquele ano. No lineup, Belle & Sebastian, Moacir Santos, Sigur Rós, Grandaddy, Macy Gray, Fatboy Slim. Na fila, ninguém mais lembrava do marco zero.

. Mais uma semana, o Luna fazia shows pelo Brasil. 

. Mas a melhor de todas é a declaração de Stockhausen, metaforizando em uma coletiva de imprensa. Aspa:

“What happened there is - they all have to rearrange their brains now - is the greatest work of art ever.

“That characters can bring about in one act what we in music cannot dream of, that people practise madly for 10 years, completely fanatically for a concert and then die.

“That is the greatest work of art for the whole cosmos. Against that we composers are nothing.”

Depois da repercussão, o homem foi rapidamente crucificado, com vários concertos cancelados. Mas o pior é que não dá para discordar dele. Dá?

Elegias online

06.09.2006 @ 03:41No Comments

Depois da morte do Caçador de Crocodilos, o Youtube foi entupido de vídeos em homenagem ao australiano. É o efeito da massificação cada vez maior dos serviços de vídeo online. Agora, os fãs externam sua comoção via webcam. Enqüanto a gravação com o ataque fatal da arraia não aparece por lá, tem slide show, reprises de programas, discursos emocionados e músicas compostas em homenagem ao cara.

Por alto, este aqui ganha destaque pelo seu efeito involuntariamente (ou não) irônico: uma gravação submarina de um bando de arraias com “U can’t touch this”, do MC Hammer, ao fundo.

O partido da perna de pau

30.08.2006 @ 06:45No Comments

Enqüanto as eleições brasileiras vão na base da briga de egos e do horário político transmitido às moscas, lá fora algumas iniciativas interessantes tomam forma.

A Suécia, que também enfrenta um pleito em 2006, já abriga um partido político dedicado à discussão da livre produção e difusão de cultura e informação, batizado ironicamente de Partido Pirata.

Piratpartiet

Fundado no começo do ano, o grupo lançou no dia 28 um candidato oficial, seu idealizador Rickard Falkvinge, blogueiro e ex-funcionário da Microsoft.

O manifesto do partido, de 15 páginas, vai de encontro direto ao Data Retenction Act, aprovado em novembro de 2005 pela União Européia para controlar com mais eficiência a transmissão de dados pela web (e, de quebra, tentar barrar a livre troca de material pirateado).

No texto, os suecos defendem a livre e anônima transmissão de dados e, conseqüentemente, uma nova visão do copyright, da propriedade intelectual e das patentes registradas. Eles reduzem tudo aos códigos binários que formam os arquivos eletrônicos - ou seja, ler um e.mail pessoal e baixar o disco novo do Bob Dylan, no fundo, é a mesma coisa.

Além de utopia longínqua, o Piratpartiet tem, com seus oito mil afiliados, chances reais de eleger membros para o parlamento nas eleições, marcadas para o final de setembro. Segundo reportes, inclusive, os principais partidos locais mudaram suas visões sobre esses temas depois que os piratas começaram a ganhar popularidade.

Depois da iniciativa dos suecos, o Partido Pirata ganhou filiais registradas em diversos países - Bélgica, França, Itália, Áustria (segundo a já se candidatar às eleições locais deste ano), Espanha, Rússia, Polônia, Alemanha e, sempre mais delicado nesse assunto de luta por direito autoral, os EUA - que aproveitou o mítico 04/07, dia da independência.

(Ironia fina, o grupo também viu a aparição de um domínio britânico, anônimo, que fazem questão de deixar claro que não faz parte dos oficiais - um partido pirata… pirata!)

E o Brasil, nessa história? Alguém tem culhão?

Update: acabei de abrir o jornal e vi que a Folha publicou hoje uma matéria sobre o assunto no caderno de Informática.

Save Pluto

28.08.2006 @ 07:00No Comments

Já que ninguém conseguiu ver Marte a olho nu nestes dias, o assunto cósmico da vez é o fato de Plutão não ser mais um planeta

A decisão inútil de astrônomos detalhistas e desocupados - que só serviu para destruir mais uma vez tudo o que as últimas gerações estudaram na escola - virou assunto de boteco, almoço de firma, reunião familiar. E já rendeu campanhas de apoio ao planeta pela web (algumas notoriamente criadas por escorpianos, que agora têm seu signo regido por um cocô espacial).

Mas o mais divertido que chegou por aqui é este concurso de Photoshop do Worth1000. Tem muito lixo (incluindo a maioria que usa o Pluto da Disney, que em inglês é homônimo do ex-planeta), mas algumas geniais.

Vale também dar uma olhada no site da IAU e conferir os outros doze candidatos ao cargo de novos membros do sistema solar. Porra, tem até um planeta oval!

Cuba libre, Cuba pop

06.08.2006 @ 23:06No Comments

Jornalista bom é aquele que vomita um texto de quase 55 mil toques e que faz o leitor, depois do ponto final, ficar com vontade de investigar o assunto in loco.

Exemplo é a reportagem de Jon Lee Anderson, publicada na New Yorker há 15 dias e reeditada no Mais!, hoje. Especialista em mostrar o mundo lá fora aos norte-americanos, Anderson faz um raio x da sociedade e da revolução cubana nestes dias, à beira dos 80 anos de Fidel Castro - completados no domingo que vem.

Claro que a mitologia que ele tinha em mãos ajudou, mas o texto dá uma inveja das grandes em qualquer um que se esforce em escrever textos decentes. Dá pra acessar a íntegra no site da revista ou, se você tiver uma senha e muita preguiça, a versão traduzida na Folha.

Como bônus track, a New Yorker contextualizou o material, em face da retirada de Castro de cena (a reportagem foi publicada antes), com uma rápida entrevista com Anderson.

Leia. E veja se não dá vontade de passar uns meses em Havana.
Será que a Juventude Socialista financia passagens?