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	<title>Quarto Piso &#187; jornais</title>
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	<description>por Eduardo Viveiros</description>
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		<title>Argumento de velho</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jun 2007 00:16:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Viveiros</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A crítica é velha, e diz que a coluna de Alvaro Pereira Junior no Folhateen é 100% pautada pelas revistas importadas (sem contar a ranzinzice que não diz nada ao público do caderno). A de hoje também tem eco na argumentação, me disseram. A ver:
APJ, resmungando sobre os Arctic Monkeys:
Se você ouviu alguém com mais de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A crítica é velha, e diz que a coluna de <strong>Alvaro Pereira Junior</strong> no <strong><em>Folhateen</em></strong> é 100% pautada pelas revistas importadas (sem contar a ranzinzice que não diz nada ao público do caderno). A de hoje também tem eco na argumentação, me disseram. A ver:</p>
<p>APJ, <a target="_blank" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www1.folha.uol.com.br/fsp/folhatee/fm2506200713.htm" title="Não confie em ninguém com mais de 30 anos @ Folha de SP (160 hits)">resmungando sobre os <strong>Arctic Monkeys</strong></a>:</p>
<blockquote><p>Se você ouviu alguém com mais de 30 anos, que não seja nativo de língua inglesa, dizendo que gosta de Arctic Monkeys, duvide. Não é possível alguém dessa idade ter qualquer referência em comum com essa banda inglesa, liderada por Alex Turner, 21. Os Arctic Monkeys vêm tocar no Brasil, no Tim Festival. Não consigo entender que apelo eles possam ter para as platéias daqui.</p></blockquote>
<p><strong>Jeff Tweedy</strong>, resmungando sobre os <strong>Babyshambles</strong>, em entrevista à <strong><em><a target="_blank" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www.uncut.co.uk/" title="Uncut (202 hits)">Uncut</a></em></strong>:</p>
<blockquote><p>I can&#8217;t for the life of me understand how 50-year-old rock critics can pretend to like Babyshambles. It just drives me nuts. I&#8217;m like: how can you pretend to like that? What the fuck &#8211; are you serious? There&#8217;s no way . You can&#8217;t. You have to be young. You have to be that age to do that, because you should know better by now.</p></blockquote>
<p>É veneno gratuito demais falar que um se inspirou no outro pra falar, então o ponto aqui é outro. APJ esquece que escreve num caderno pretensamente teen, para um público que está fervendo pela idéia de assistir a um show dos Monkeys. O argumento dele é tão válido quanto dizer que alguém com menos de 20 não pode gostar de <strong>Pink Floyd</strong>. Já o Tweedy encarnou um dinossauro babão mesmo, e vai pelo mesmo caminho &#8211; o que acontece com o rock pelo rock, só pela diversão?</p>
<p>Puta bando de velhos.</p>
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		<title>Paulo Francis vs John Lennon</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Feb 2007 20:02:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Viveiros</dc:creator>
				<category><![CDATA[jornais]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[Beatles]]></category>

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		<description><![CDATA[Dez anos da morte de Paulo Francis, todo mundo por aí contando histórias (como Ivan Lessa aqui ou Ruy Castro ali). Eu, que nunca joguei pôquer com o velho, só lembro que passei a infância imitando seu jeito de falar das aparições na TV. Era bom nisso, acho.
Daí que chegou agora por e.mail (umas cinco vezes) o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dez anos da morte de <strong><a target="_blank" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www.paulofrancis.com/" title="Paulo Francis (146 hits)">Paulo Francis</a></strong>, todo mundo por aí contando histórias (como <a target="_blank" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/02/070205_ivanlessa_tp.shtml" title="Paulo Francis @ BBCBrasil (250 hits)"><strong>Ivan Lessa </strong>aqui</a> <strong>ou <a target="_blank" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www.editorafrancis.com.br/noticias.php?idnews=64" title="Paulo Francis, Ruy Castro @ Editora Francis (138 hits)">Ruy Castro </a></strong><a target="_blank" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www.editorafrancis.com.br/noticias.php?idnews=64" title="Paulo Francis, Ruy Castro @ Editora Francis (138 hits)">ali</a>). Eu, que nunca joguei pôquer com o velho, só lembro que passei a infância imitando seu jeito de falar das aparições na TV. Era bom nisso, acho.</p>
<p>Daí que chegou agora por e.mail (umas cinco vezes) o texto célebre de PF dissecando a imagem de <strong>John Lennon</strong>, publicado na <strong><em>Folha</em></strong> logo após a morte do cabeludo, no dia 09.12.80. Na época, Francis causou polêmica (duh) e virou inimigo público número 01 das viúvas do Beatle.</p>
<p>Eu não lembro, já que ainda nem borrava a fralda ouvindo <strong><a target="_blank" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://en.wikipedia.org/wiki/Ray_Conniff" title="Ray Conniff @ Wikipedia (107 hits)">Ray Conniff</a></strong>. Mas o texto é bom (duh), tá colado na íntegra aí depois do clique.</p>
<p><strong>Cinco tiros abrem novos negócios<br />
</strong>(Paulo Francis)</p>
<p>John Lennon, compositor, cantor, músico, o &#8220;pai&#8221; dos Beatles, foi assassinado à uma hora da manhã (hora de Brasília) de ontem, por um vagabundo, Mark Chapman, que disparou nele seis tiros de um revólver 38, acertando cinco. O crime aconteceu no saguão de um dos prédios mais famosos de Nova York, a oeste do Central Park, o Dakota (que a maioria dos brasileiros conhece como cenário do filme de Roman Polanski <em>Rosemary&#8217;s baby</em>, com Mia Farrow e John Cassavetes). Lennon estava acompanhado da mulher, Yoko Ono, e dois cavalheiros ainda não identificados. Chapman esperou por ele horas no saguão, sem ser incomodado pelos agentes de segurança do prédio (cuja maioria dos moradores é celebridade, gente como Lauren Bacall etc.) que provavelmente, como é freqüente em Nova York, estavam bêbados ou dormindo. Lennon tinha 40 anos. Chapman, de Atlanta, Geórgia, conterrâneo de Jimmy Carter, tem 25.</p>
<p><span id="more-381"></span></p>
<p>A polícia, chamada ao local, apreendeu facilmente Chapman, que largou o revólver depois de esvaziá-lo, sorrindo, certo (e está certíssimo) que do anonimato se tornará, como Lennon, uma celebridade. Esse o motivo aparente do crime. O canibalismo de celebridades que é rotina neste país (e no Brasil e todo o mundo ocidental), graças a um sistema de comunicações que evita assuntos sérios, mas que fornece um &#8220;circo&#8221; permanente, obsessivo, avassalador, sobre a vida dos bem-sucedidos e ricos, excitando sentimentos contraditórios, da adoração bocó dos fãs à frustração homicida, que às vezes se manifesta a la Chapman. É tolice atribuir o crime à violência de Nova York. Chapman estava em Nova York havia apenas duas semanas, proveniente de Atlanta (trabalhou um tempo no Havaí, como guarda de segurança, vulgo &#8220;vigia&#8221;). Em Nova York não é possível comprar armas de fogo sem extensa e prévia investigação policial (estou falando do mercado legal, naturalmente). Em Atlanta, onde recentemente 12 crianças negras foram assassinadas, é possível comprá-las em qualquer armazém&#8230;</p>
<p>A polícia de Nova York é treinada em paramedicina. Tentou ressuscitar Lennon, aplicando-lhe técnicas recomendadas, sem sucesso. Uma ambulância recolheu Lennon, que ainda falou aos médicos, dizendo quem era (&#8220;Meu nome é John Lennon&#8221;) mas foi pronunciado &#8220;D.O.A.&#8221;, morto ao chegar, no Hospital Roosevelt, a 13 quarteirões do Dakota. A causa: hemorragias incontroláveis.</p>
<p>A nova celebridade, Chapman, está presa. Não precisa declarar nada. Pode exigir a presença de um advogado. Se não tiver dinheiro para pagá-lo, o Estado paga. É a lei. Se for chamado de assassino pela imprensa, um juiz poderá anular o julgamento, considerando-o preconceituoso contra o réu, presumindo-o culpado antes que um júri o condene ou absolva. É também a lei. Mas o provável é que se determine que Chapman é um psicopata, ou seja, passará o resto da vida num manicômio judiciário, vendendo direitos de lhe filmarem a vida, &#8220;escrevendo&#8221; memórias, vendendo entrevistas etc. Neste país tudo é faturável. A polícia já o chamou de &#8220;whaco&#8221; (demente, em gíria), pois a polícia conhece como ninguém como funciona o processo judiciário americano.</p>
<p>O canibalismo continua depois da morte. Fãs histéricos cercam o Dakota, cantando músicas dos Beatles. Ringo Starr, o primeiro dos ex-companheiros de Lennon a chegar aos EUA, de Londres, teve de ser protegido pela polícia, em face da malta de fãs que queriam depredá-lo, amorosamente, claro&#8230; A aventureira japonesa Yoko Ono, herdeira da fortuna dos 150 milhões de dólares de Lennon, também está representando &#8220;Madame Butterfly&#8221;, vítima trágica do destino, que lhe roubou o homem amado. Também há bons negócios à vista para a viúva. Todo mundo está faturando, de estações de rádio à TV, que tocam incessantemente as músicas dos Beatles e continuam o canibalismo do cadáver. É a sociedade do consumo, em seu aspecto mais grotesto.</p>
<p><strong>John, Paul, Ringo, George, filhos da Guerra Fria</strong></p>
<p>Em nenhuma época um conjunto de música popular fez tanto sucesso como os Beatles. De certa maneira, eles são o símbolo mais à mão da chamada contracultura da década de 1960. Nunca tiveram o prestígio entre as elites do movimento de um Bob Dylan (cujas letras parafraseavam poemas de Eliot e outros heróis do modernismo da alta cultura. Hoje Dylan é um &#8220;renascido em Cristo&#8221;, à la Jimmy Carter, apesar de judeu de ascendência), ou de Jimi Hendrix, considerado o supremo inovador do rock, que morreu, como sua par, Janis Joplin, de uma dose excessiva de drogas. E só no início, que pouco chegou ao grande público, os Beatles tinha a agressividade da classe trabalhadora inglesa característica dos mais famosos produtos dos &#8220;Rolling Stones&#8221;, de Mick Jagger (cuja &#8220;The Citadel&#8221; nos diz mais sobre a guerra do Vietnã do que o excelente filme de Francis Ford Coppola, &#8220;Apocalipse agora&#8221;). Os Beatles se sofisticaram muito sob a mão de um gerente de gênio, Brian Epstein, outro viciado em drogas, que se suicidou em 1967, e que, homossexual, parecia exercer uma tutela absoluta sobre os quatro Beatles, Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr e George Harrison.</p>
<p>O segredo dos Beatles, depois de &#8220;peneirados&#8221; por Epstein, é simples: limpeza. O rock nasceu uma mistura de jazz e música montanhesa americana, sob o signo das cadeiras rebolantes de Elvis Presley. Foi, apesar de adorado pela garotada, uniformemente condenado pela classe dirigente americana, de que <em>Time</em> era um dos símbolos (até 1968, quando perdeu quase todo o prestígio), e <em>Time</em> escreveu longos editoriais sobre a imoralidade de Elvis, &#8220;O Pelvis&#8221;, como o apelidaram.<br />
Quando os Beatles chegaram ao quarteto final, depois de se chamarem &#8220;The Quarrymen&#8221; e outros nomes, eles, apesar de virem das favelas de Liverpool, faziam músicas românticas, chorosas, sem qualquer sofisticação de contexto e, depois que Epstein os vestiu de ternos e lhes aparou os cabelos (relativamente), os Beatles produziram um rock acessível aos valores da classe média, sem os &#8220;excessos&#8221; prévios e posteriores de Elvis e Jagger, respectivamente.</p>
<p>Eles se sofisticaram bastante musicalmente, em <em>Sgt. Pepper&#8217;s</em>, um disco divertido, de &#8220;Lucy&#8221; (supostamente sobre LSD, mas Lennon em entrevista a <em>Playboy</em> diz que foi tirado de <em>Alice no País das Maravilhas</em>. Ele pensa que isso confere inocência à música. Alice é bem mais pervertida do que LSD&#8230;), mas não há dúvida que foram as composições mais simples, &#8220;Love me do&#8221;, &#8220;I wanna hold your hand&#8221;, &#8220;Help&#8221; etc., que lhes angariaram os milhões de fãs, que lhes garantiram a venda de 250 milhões de discos, ou mais, o que levou John Lennon a dizer que o grupo era mais popular que Jesus Cristo. Isso irritou muita gente. Nunca entendi por quê. Jesus não foi popular em vida. Terminou crucificado. Jesus não penetrou no mundo judeu, muçulmano e ateu. Os Beatles penetraram até na URSS (clandestinamente, no mercado negro, mas aos milhões&#8230;).</p>
<p>O charme da música deles sempre me escapou, o que deve ser um problema geracional (se bem que o antigo Dylan e o Jagger de &#8220;The citadel&#8221; e &#8220;Helter skelter&#8221; me diziam muito, não sempre agradável) de quem foi educado sob jazz &#8220;hot&#8221; e &#8220;cool&#8221; e o rápido mas inesquecível &#8220;bepop&#8221;, talvez o maior salto qualitativo da música popular neste século.</p>
<p>Mas, sociologicamente, eles sempre foram interessantes. Aquela choradeira infantil que os celebrizou, o romantismo quase hilariante de baladas como &#8220;Yesterday&#8221; representavam certamente o estado de espírito de uma geração que emergiu na década de 1960, depois que as tensões totalitárias da guerra fria se abaterem quando Kennedy e Kruschev decidiram não destruir o mundo em face da presença de mísseis nucleares soviéticos em Cuba, 1962.</p>
<p>Não houve o estouro do pós-guerra de 1919 no outro pós-guerra de 1945. Isso porque passamos diretamente aos terrores ainda maiores, nucleares, da guerra fria, que Kennedy e Kruschev diminuíram em 1962, permitindo assim uma verdadeira revolução de costumes, &#8220;revolução cultural&#8221;, da década de 1960.</p>
<p>A palavra infantilidade não é aqui usada insultuosamente. As crianças da década de 1960, nascidas sob o ruído dos aviões a jato, dos mistérios da eletrônica, sob o terror nuclear, sem qualquer acesso ao poder democrático, já que o poder, dos EUA à URSS, passara a ser exercido por burocratas sem cara, grupos de &#8220;experts&#8221; cuja sapiência era incontestada, crianças que nasceram quando os conceitos de religião, família e outras âncoras tradicionais haviam desaparecido sob o impacto da revolução capitalista-tecnológica-tecnocrática, tentaram criar o mundinho delas, de &#8220;quero segurar sua mão&#8221; e &#8220;socorro&#8221; (este quase um apelo direto). Renegaram a maneira de vestir, a maneira de pensar, a suposta ética de trabalho, de competição (a corrida entre ratos), o totalitarismo cultural da minha e precedentes gerações. Era, claro, uma revolução impossível, pois, em verdade, foi faturada pelas mesmas forças capitalistas, tecnológicas e tecnocráticas que dirigem o mundo. A contracultura nada mais foi que uma variante da sociedade de consumo. As pobres crianças tentaram saída, recorrendo ao misticismo do Leste (no pseudomisticismo de Herman Hesse, na maioria dos casos), ao uso das drogas, o que equivale a montar num tigre (Quem monte num tigre acaba no estômago do tigre&#8230;) e, finalmente, encontraram uma causa na guerra do Vietnã, em que era possível, enfim, lutar contra (não por) alguma coisa, a crueldade inominável dos EUA, do establishment, no sudeste da Ásia.</p>
<p>A música foi naturalmente a linguagem mais acessível a essa geração. O socialista Michael Harrington, num dos mais agudos ensaios que já li, observa que os fanhos de Bob Dylan eram uma forma de contestar a cultura cruel que era capaz de criar um Beethoven (Quem pode melhorar Beethoven?) e os horrores tecnológicos do &#8220;napalm&#8221;, de Hiroxima e Nagasaki. As crianças procuraram um estilo delas, do blue jeans aos cabelos longos, que imaginavam contestação, enquanto os fabricantes de jeans e outros produtos da contracutlura, como a bolinha, diziam &#8220;Business as usual&#8221;, ou &#8220;Caixinha, obrigado&#8221;.</p>
<p>Mas crianças envelhecem, Lennon está certo em dizer à <em>Playboy</em> que os Beatles não fazem mais sentido em 1980, que os Beatles eram os anos 60, ainda que o verdadeiro motivo dele seja o ódio incontido que revela nesta mesma entrevista contra seu ex-companheiro Paul McCartney (ele e John criaram a maioria das composições mais célebres dos Beatles), porque McCartney continua sendo o músico mais popular do mundo, enquanto que ele, John Lennon, teve uma década de 1970 repleta de fracassos. O último disco que lançou <em>Double fantasy</em>, estava fazendo um certo sucesso e um compacto do dito, &#8220;Starting over&#8221;, está entre os dez mais vendidos. Mas Lennon permanecia muito atrás de McCartney. Ringo e Harrison nunca tiveram o mesmo destaque.</p>
<p><strong>O último símbolo de um sonho impossível </strong></p>
<p>Depois da morte de Epstein, os Beatles começaram a se dissolver. São dois os motivos: disputas de espólios da empresa em que eram sócios, a &#8220;Apple&#8221;, e, principalmente, as mulheres de John e Paul, Yoko Ono e Linda Eastman. Linda é herdeira da Eastman-Kodak, o que dispensa comentários. Foi &#8220;groupie&#8221; de grupos de rock, ou seja, prestava serviços de cama a qualquer tamborineiro famoso, a pedidos. Conseguiu porém fisgar Paul McCartney e lhe domina a vida, inclusive participando do conjunto dele, Wings, apesar de não ter nenhum talento. É mais velha que Paul. Ele parece até hoje uma menina. Esse tipo de mulher é o que se chama eufemisticamente &#8220;órgão de alicate&#8221;. &#8220;Prende&#8221; o homem dela em partes vitais. E Linda não se deu com sua equivalente Yoko Ono, que John Lennon, órfão de mãe, bebê e abandonado pelo pai, chamava (e o que mais poderia ser?) de mamãe. Foi o choque entre Yoko e Linda que provavelmente destruiu os Beatles. Yoko, japonesa, se autodescreve como &#8220;escultora&#8221; e da &#8220;alta sociedade de Tóquio&#8221;. É quase certamente uma gueixa, mas de &#8220;alicate&#8221;, e dominou completamente a vida de Lennon, o que ele confessa prazerosamente na entrevista à <em>Playboy</em>. Freud explica. Sempre explica.</p>
<p>Se Yoko se arrumou, soube dar a John Lennon fortuna e proteção. Escrevi que Lennon deixa cerca de 150 milhões de dólares. Fracassando em músicas novas nos anos 70 (a começar pelo ridículo LP de 1969 em que ele e a teratológica Yoko posam nus na capa e contracapa, as fotos trazendo má reputação à pornografia), ele, sob a direção do alicate de Yoko, aplicou o dinheiro Beatle, que continua e continuará rendendo, em mansões em Palm Beach, Flórida, Long Island, numa série de fazendas totalizando 1.600 acres n norte de Nova York, em valiosas vacas Holstein (uma foi vendida outro dia por 256 mil dólares&#8230;), num iate de quase duzentos metros e no apartamento do Dakota de 28 cômodos.</p>
<p>No auge dos Beatles, Lennon favorecia causas radicais. Marchou contra a guerra do Vietnã. Fez experimentos perigosos com drogas, filmes que contrariavam a moral vigente (um sobre o próprio pênis), se tornou feminista etc. Sob Yoko, milionário, parecia mais criatura de astrologia, comedor de macrobiótica, &#8220;mãe de família&#8221; (ele cuida do filho do casal, Sean, de 5 anos, enquanto ela dirige os negócios da família), e, coisa inconcebível num radical, chagou a dar uma contribuição de mil dólares para a compra de coletes à prova de bala para a polícia de Nova York, a mesma polícia que sob o pretexto de que era drogado tentou deportá-lo até que todo mundo depôs a favor dele e conseguiu permanecer em Nova York, a polícia que não o protegeu do assassino quando morreu na cidade que mais amou.</p>
<p>A morte dele é o fim de uma época, talvez a última que conheçamos em que uma geração de jovens talentosos, como os Beatles, tentou humanizar o nosso mundo de poderes impiedosos, impessoais e letais. Que John Lennon tenha morrido um milionário egoísta, rancoroso, vivendo no casulo de uma japonesa aventureira, não diminui as boas intenções iniciais dos jovens revoltosos dos anos 60, ainda que o fim dele, mesmo antes de morrer, também revele a ingenuidade dos métodos e aspirações que abraçaram.</p>
<p>Lennon baniu Reagan, Brejnev, Israel, Síria e Jordânia do centro das notícias. Talvez porque a maioria das pessoas reconhecesse nele um ser humano, enquanto que esses outros problemas não podem ser tocados pelo cidadão comum, que, se interessado neles, é submetido à dieta de &#8220;press release&#8221; dos poderosos. Com Lennon se foi, não só uma era, nos parece, mas um anseio de simplicidades que se tornaram aparentemente impossível em nosso tempo.</p>
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		<title>Sem mais</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Dec 2006 23:41:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Viveiros</dc:creator>
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		<category><![CDATA[música]]></category>

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		<description><![CDATA[Já viu a capa do Mais! de hoje? Na onda de matérias de encerramento de ano, o caderno da Folha publicou o seu 100 +, convocando especialistas a indicarem os cinco tópicos &#8220;que irão dominar o debate em suas áreas&#8221; &#8211; presumivelmente em 2007, mas nada ali especifica.
Alguns temas mereceram mais de uma lista, caso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já viu <a title="Os 100 + @ Folha de SP (98 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/inde17122006.htm" target="_blank">a capa do <strong><em>Mais!</em></strong> de hoje</a>? Na onda de matérias de encerramento de ano, o caderno da <strong><em>Folha</em></strong> publicou o seu <strong>100 +</strong>, convocando especialistas a indicarem os cinco tópicos &#8220;que irão dominar o debate em suas áreas&#8221; &#8211; presumivelmente em 2007, mas nada ali especifica.</p>
<p>Alguns temas mereceram mais de uma lista, caso da música. O bizarro é que o jornal chamou <strong><a title="Livio Tragtenberg @ Wikipedia (118 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://pt.wikipedia.org/wiki/Livio_Tragtenberg" target="_blank">Livio Tragtenberg</a></strong>, com sua especialização mais ligada à &#8220;alta cultura&#8221;, e o DJ <strong><a title="Renato Lopes @ Smartbiz (107 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www2.uol.com.br/smartbiz/djs_renatolopes.html" target="_blank">Renato Lopes</a></strong>. A segmentação deixa de lado a movimentação da cultura pop e, por conseqüência, gera uma distorção sem tamanho.</p>
<p><a title="Música 1 @ Folha de SP (93 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1712200620.htm" target="_blank">A lista de Tragtenberg</a> é bem respeitável (puxa a sardinha a <strong>Mario de Andrade</strong>, <strong>Duprat</strong> e <strong>Elsie Houston</strong>), mas se detona ao levantar a bola do &#8220;rap feminino&#8221;. Sua recomendação, via a grife global <strong><em><a title="Antônia (88 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://antonia.globo.com/" target="_blank">Antônia</a></em></strong>, louva &#8220;a mulher negra cantora e compositora de rap&#8221; sem dar muita atenção à qualidade dessa nova chatice mercadológica inflada pela emissora carioca. Ir contra o &#8220;universo racista e machista&#8221;, realmente, é das últimas coisas que precisam de atenção ali.</p>
<p><a title="Música 2 @ Folha de SP (91 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1712200621.htm" target="_blank">Lopes, por outro lado</a>, me deixou com medo do ano que vem. Se uma das cinco grandes coisas de 2007 na música eletrônica será mesmo a terceira (!) edição de remixes da trilha sonora de <strong><em><a title="Cidade de Deus (172 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www.cidadededeus.com/" target="_blank">Cidade de Deus</a></em></strong>, com <strong><a title="Felipe Venâncio (120 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www.felipevenancio.com.br/" target="_blank">Felipe Venâncio</a></strong> no meio, eu acho que prefiro pular diretamente pra 2008. Cruzes.</p>
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		<title>iPod, o gadget uncool?</title>
		<link>http://www.quartopiso.com.br/2006/09/13/ipod-o-gadget-uncool/</link>
		<comments>http://www.quartopiso.com.br/2006/09/13/ipod-o-gadget-uncool/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 13 Sep 2006 05:54:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Viveiros</dc:creator>
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		<category><![CDATA[iPod]]></category>

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		<description><![CDATA[No domingo, o jornal inglês The Observer publicou uma matéria provocativa em relação ao iPod. Segundo o texto, a Apple deveria começar a se preocupar, já que o seu player não é mais tão legal.
Os argumentos são bem simples. Um, com as enormes vendas, o fone branco se massificou e está cada vez mais uncool (o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No domingo, o jornal inglês <strong><em><a title="The Observer (74 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://observer.guardian.co.uk/" target="_blank">The Observer</a></em></strong> publicou uma <a title="Why the iPod is losing its cool @ The Observer (199 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://observer.guardian.co.uk/uk_news/story/0,,1869042,00.html" target="_blank">matéria provocativa em relação ao <strong>iPod</strong></a>. Segundo o texto, a <strong><a title="Apple (78 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www.apple.com/" target="_blank">Apple</a></strong> deveria começar a se preocupar, já que o seu player não é mais tão legal.</p>
<p>Os argumentos são bem simples. Um, com as enormes vendas, o fone branco se massificou e está cada vez mais uncool (o que é verdade, mas não é lá muito importante para as pessoas normais). Além disso, a molecada não liga muito para a qualidade e fidelidade sonora e, com o crescimento tecnológico dos celulares que tocam mp3, vão acabar deixando seu iPod de lado pela praticidade de um único aparelho no bolso &#8211; sintoma que não atinge só o gadget da Apple, mas a indústria inteira.</p>
<p>Dois, as vendas &#8220;caíram&#8221;. A curva, que atingiu <strong>14</strong> milhões em dezembro passado, desbarrancou para <strong>8,1</strong> milhões nos últimos três meses.</p>
<p>A matéria vale a olhada, mas é sensacionalista. O império do mp3 player mais simpático do mercado não cai tão cedo. Mesmo com a <strong>Microsoft</strong> finalmente tentando abocanhar a sua parcela, via seu <strong><a title="Zune (110 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?https://www.comingzune.com/" target="_blank">Zune</a></strong>, que chega a tempo do natal.</p>
<p>O páreo vai ser duro mas, apesar das bandas já carregadas de fábrica na memória (incluindo <strong>Hot Chip</strong>, <strong>30 Seconds to Mars</strong> e a brazileira <strong>Cansei de Ser Sexy</strong>), duvido que <strong>Bill Gates</strong> arrase com o foninho branco.</p>
<p>Ainda mais contra alguém como <strong>Steve Jobs</strong> e sua Apple, que adora fazer você achar que precisa de mais e mais gadgets, coisa que a MS nunca conseguiu.</p>
<p>Ou vai dizer que você não achou sensacional o novo <strong><a title="iPod shuffle (106 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www.apple.com/ipodshuffle/" target="_blank">iPod shuffle</a></strong>, que tem o tamanho de quatro <strong><a title="Pastilhas Garoto (11 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www.garoto.com.br/handles/produtos/tpl_produto_detalhes.php?id_tipo_produto=6&#038;id_produto=32&#038;cod_idioma=PT" target="_blank">pastilhas Garoto</a></strong>?</p>
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		<title>“Se fosse o New Order, tudo bem, claro”, II</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Sep 2006 04:46:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Viveiros</dc:creator>
				<category><![CDATA[jornais]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[Bob Dylan]]></category>

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		<description><![CDATA[Na última sexta-feira, Thiago Ney continuou sua embananação colunística. Vacas sagradas veio em resposta à polêmica gerada pelo texto Quem precisa de Bob Dylan?, da outra semana, quando preteriu o novo disco do cantor ao hype do novo pelo novo.
O que ele parece confundir é a &#8216;necessidade&#8217; de um novo Dylan com a importância que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na última sexta-feira, <strong>Thiago Ney</strong> continuou sua <a title="'Se fosse o New Order, tudo bem, claro' @ Quarto Piso (117 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://quartopiso.com.br/2006/09/05/se-fosse-o-new-order-tudo-bem-claro/" target="_blank">embananação colunística</a>. <strong><em><a title="Vacas sagradas @ Folha de São Paulo (108 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0809200609.htm" target="_blank">Vacas sagradas</a></em></strong> veio em resposta à polêmica gerada pelo texto <strong><em><a title="Quem precisa de Bob Dylan @ Folha de São Paulo (109 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0109200609.htm" target="_blank">Quem precisa de Bob Dylan?</a></em></strong>, da outra semana, quando preteriu o novo disco do cantor ao hype do novo pelo novo.</p>
<p>O que ele parece confundir é a &#8216;necessidade&#8217; de um novo Dylan com a importância que o cara estancou. Chegar aos quase 70 anos e ainda conseguir jogar nas lojas um disco coerente com seu histórico não é pra qualquer um. Nada mais natural que isso gere páginas e mais páginas, no <em><strong><a title="The Guardian (66 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www.theguardian.co.uk" target="_blank">The Guardian</a></strong></em> ou na própria <em><strong><a title="Folha de São Paulo (182 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www.folha.uol.com.br/fsp/" target="_blank">Folha</a></strong></em>.</p>
<p>Bob Dylan não precisa de um novo disco de Bob Dylan. Assim como ninguém precisa de um disco novo dos <strong><a title="Strokes (192 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www.strokes.com/" target="_blank">Strokes</a></strong>. Muito menos de um disco novo dos <strong>Mutantes</strong>. Mas se vier, que venha. E que seja bom.</p>
<p>Mais à frente nas frases, ele detona a imprensa brasileira (Aspa: &#8220;Estamos num país que cultua vacas sagradas. Bandas novas colhem lá fora os elogios que não recebem por aqui&#8221;), como se esse fosse um sintoma local. A diferença é que nossas vacas sagradas têm história nas costas, enqüanto as de lá mal tem um disco no currículo.</p>
<p>Sinceridade? Eu prefiro as daqui.</p>
<p>E falar que no Brasil ninguém critica <strong><a title="Caetano Veloso (86 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www.caetanoveloso.com.br" target="_blank">Caetano</a></strong> ou <strong><a title="Chico Buarque (89 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://chicobuarque.uol.com.br/" target="_blank">Chico</a></strong>, convenhamos, é falta de leitura da imprensa nacional. Principalmente no caso do primeiro.</p>
<p>Só faltou falar que ninguém bate na <strong><a title="Gal Costa (101 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www.galcosta.com.br/" target="_blank">Gal</a></strong>.</p>
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		<title>&#8220;Se fosse o New Order, tudo bem, claro&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Sep 2006 20:31:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Viveiros</dc:creator>
				<category><![CDATA[jornais]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[revistas]]></category>
		<category><![CDATA[Bravo!]]></category>

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		<description><![CDATA[Dois exemplos recentes de textos nonsense em espaços nobres da imprensa cultural:
Um. Tirando o atraso dos jornais, li a coluna de Thiago Ney na Folha de sexta-passada. Ele, que ocupou o espaço semanal dedicado ao último grito do hype, fundamentado no jornal por Lucio Ribeiro, se esforçou no quesito &#8216;opinião bizarra&#8217;. Aspa:
&#8220;Ok, Bob Dylan é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dois exemplos recentes de textos nonsense em espaços nobres da imprensa cultural:</p>
<p><strong>Um.</strong> Tirando o atraso dos jornais, li <a title="Quem precisa de Bob Dylan? @ Folha de São Paulo (109 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0109200609.htm" target="_blank">a coluna de <strong>Thiago Ney</strong> na <strong><em>Folha</em></strong> de sexta-passada</a>. Ele, que ocupou o espaço semanal dedicado ao último grito do hype, fundamentado no jornal por <strong><a title="Lucio Ribeiro (95 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www.lucioribeiro.com.br/" target="_blank">Lucio Ribeiro</a></strong>, se esforçou no quesito &#8216;opinião bizarra&#8217;. Aspa:</p>
<p>&#8220;Ok, <strong><a title="Bob Dylan (90 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www.bobdylan.com/" target="_blank">Bob Dylan</a></strong> é lenda, e <em><a title="Modern times, Bob Dylan @ Submarino (16 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www.submarino.com.br/cds_productdetails.asp?Query=ProductPage&#038;ProdTypeId=2&#038;ProdId=1652246&#038;ST=SE&#038;franq=148993" target="_blank">Modern times</a></em> está longe de ser ruim, mas&#8230; Será que o mundo precisa tanto assim de um novo disco do Bob Dylan? (se fosse o <strong><a title="New Order (206 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www.neworderonline.com/" target="_blank">New Order</a></strong>, tudo bem, claro). O que eu sei é que sempre precisamos de bandas como <strong><a title="The Automatic (89 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www.theautomatic.co.uk/band.php" target="_blank">Automatic</a></strong> e <strong><a title="Be Your Own Pet (69 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www.beyourownpet.net/" target="_blank">Be Your Own Pet</a></strong>. Bandas jovens que fazem música para jovens. No festival de Leeds, na semana passada, teve gente que ficou para fora da tenda de 8.000 pessoas. Dentro, adolescentes gritavam suas músicas. Tudo bem novo, tudo bem 2006.&#8221;</p>
<p>Aí fica a pergunta: o que importa é o novo pelo novo? Sem análise de valor? Não quero endeusar Dylan ou detonar a BYOP, mas&#8230;</p>
<p>E afinal, se pegarmos a última frase e substituirmos o personagem (que não dá pra entender qual das duas bandas é), o contexto cai como uma luva em <strong><a title="Milli Vanilli @ Wikipedia (5 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www.google.com/url?q=http://en.wikipedia.org/wiki/Milli_Vanilli&#038;revid=610003341&#038;sa=X&#038;oi=revisions_inline&#038;ct=result&#038;cd=1" target="_blank">Milli Vanilli</a></strong>. Ou, sei lá, <strong><a title="Menudo @ Wikipedia (78 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://en.wikipedia.org/wiki/Menudo" target="_blank">Menudo</a></strong>.</p>
<p><strong>Dois.</strong> Na <strong><em><a title="Bravo! (125 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www.revistabravo.com.br/" target="_blank">Bravo!</a></em></strong> do mês, <strong>José Flavio Junior</strong> dedica uma página a <strong><a title="Regina Spektor (54 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www.reginaspektor.com/" target="_blank">Regina Spektor</a></strong>. E diz, aspa:</p>
<p>&#8220;Certos artistas não ficam bem em prateleira alguma. Você tenta associá-los a um gênero, a uma cena, a uma tendência moderna ou revivalista&#8230; Só que nenhum rótulo satisfaz. Claro que, em 2006, essa é uma espécie bastante rara.&#8221;</p>
<p>Rara onde? Opinião é opinião, OK. Mas um embasamento histórico, às vezes, ajuda. E esse parágrafo cai por terra assim que a gente começa a dissecar o conteúdo das estantes de qualquer loja de discos.</p>
<p>Ou sou eu que vivo em um universo paralelo?</p>
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		<title>O sol de quase dezembro</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Aug 2006 20:57:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Viveiros</dc:creator>
				<category><![CDATA[@ Omelete]]></category>
		<category><![CDATA[auto-clipping]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[jornais]]></category>
		<category><![CDATA[cinema nacional]]></category>

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		<description><![CDATA[Neste post e no anterior, duas críticas rápidas sobre filmes que chegam amanhã aos cinemas. Os dois brasileiros, os dois documentários. Um é realmente bom, sobre um assunto que nem é tanto. O outro, sobre um tema excelente, é meia boca, mas vale os cobres da entrada. Vai assistir e tenta adivinhar qual é qual.
O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Neste post e no anterior, duas críticas rápidas sobre filmes que chegam amanhã aos cinemas. Os dois brasileiros, os dois documentários. Um é realmente bom, sobre um assunto que nem é tanto. O outro, sobre um tema excelente, é meia boca, mas vale os cobres da entrada. Vai assistir e tenta adivinhar qual é qual.</font></p>
<p><font size="2"><strong>O sol &#8211; Caminhando contra o vento<br />
</strong><em>(publicado originalmente @ <a title="O sol - Caminhando contra o vento @ Omelete (132 hits)" href="http://www.quartopiso.com.br/go.php?http://www.omelete.com.br/cinema/artigos/base_para_artigos.asp?artigo=3265" target="_blank">Omelete</a>)</em></font></p>
<p><font face="Verdana" size="2">O Brasil tem uma história pródiga no quesito ‘imprensa alternativa’, que vem sendo re-observada e documentada aos poucos nos últimos anos. Principalmente a importante fase dos anos 60/70, da resistência à repressão e às fardas: o <strong><em>Pasquim</em></strong> virou uma coletânea nas livrarias, o <strong><em>Pif Paf</em></strong> de Millôr também ganhou versão luxuosa de prateleira. E agora, via documentário, o cinema resgata a história do menos conhecido <strong><em>O Sol</em></strong>. </font></p>
<p><img title="O sol - Caminhando contra o vento" alt="O sol - Caminhando contra o vento" src="http://quartopiso.wordpress.com/files/2006/08/osol.jpg" /></p>
<p><font face="Verdana" size="2">Criado pelo jornalista e poeta <strong>Reynaldo Jardim</strong> em 68, <em>O Sol</em> era um encarte diário do <em>Jornal dos Sports</em>, um projeto romântico de jornal-escola, feito para aproveitar a molecada idealista que saia das faculdades. Durou seis meses nas bancas, até ser desmantelado pela censura.</font></p>
<p><font face="Verdana" size="2">Produzido pela dupla <strong>Tetê Moraes</strong> e<strong> Martha Alencar</strong>, integrantes da equipe do jornal, <em><strong>O Sol – Caminhando contra o vento</strong></em> se baseia em uma reunião afetiva de estrelas do universo intelectual carioca da época, um <em>petit comité </em>de cérebros. É a desculpa perfeita para uma seqüência de discursos informais de um elenco gigantesco – de <strong>Hugo Carvana</strong> a <strong>Arnaldo Jabor</strong>, de <strong>Ziraldo</strong> a <strong>Ruy Castro</strong>, e a trinca musical da época, <strong>Gilberto Gil</strong>, <strong>Chico Buarque</strong> e <strong>Caetano Veloso</strong> (que, aliás, eternizou o jornal na letra de seu clássico &#8220;Alegria, alegria&#8221;: <em>&#8220;o sol nas bancas de revista / me enche de alegria e noticia / quem lê tanta notícia?&#8221;</em>). </font></p>
<p><font face="Verdana" size="2">No fim das contas, o documentário parece o encontro de um grupo nostálgico de adolescentes, que se reencontra para lembrar os brinquedos de sua primeira infância. É bonito de se ver, uma pequena homenagem a uma geração que começou em 68 e influencia a cultura brasileira até hoje. </font></p>
<p><font face="Verdana" size="2">Mas fica um vácuo de história, de uma análise mais aprofundada sobre esse formato de imprensa, sobre o tal &#8220;sonho revolucionário&#8221; – que realmente acabou, mas que tanto fez pelo país.</font></p>
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