Archive for the ‘jornais’ Category

Argumento de velho

Monday, June 25th, 2007

A crítica é velha, e diz que a coluna de Alvaro Pereira Junior no Folhateen é 100% pautada pelas revistas importadas (sem contar a ranzinzice que não diz nada ao público do caderno). A de hoje também tem eco na argumentação, me disseram. A ver:

APJ, resmungando sobre os Arctic Monkeys:

Se você ouviu alguém com mais de 30 anos, que não seja nativo de língua inglesa, dizendo que gosta de Arctic Monkeys, duvide. Não é possível alguém dessa idade ter qualquer referência em comum com essa banda inglesa, liderada por Alex Turner, 21. Os Arctic Monkeys vêm tocar no Brasil, no Tim Festival. Não consigo entender que apelo eles possam ter para as platéias daqui.

Jeff Tweedy, resmungando sobre os Babyshambles, em entrevista à Uncut:

I can’t for the life of me understand how 50-year-old rock critics can pretend to like Babyshambles. It just drives me nuts. I’m like: how can you pretend to like that? What the fuck – are you serious? There’s no way . You can’t. You have to be young. You have to be that age to do that, because you should know better by now.

É veneno gratuito demais falar que um se inspirou no outro pra falar, então o ponto aqui é outro. APJ esquece que escreve num caderno pretensamente teen, para um público que está fervendo pela idéia de assistir a um show dos Monkeys. O argumento dele é tão válido quanto dizer que alguém com menos de 20 não pode gostar de Pink Floyd. Já o Tweedy encarnou um dinossauro babão mesmo, e vai pelo mesmo caminho – o que acontece com o rock pelo rock, só pela diversão?

Puta bando de velhos.

Paulo Francis vs John Lennon

Sunday, February 4th, 2007

Dez anos da morte de Paulo Francis, todo mundo por aí contando histórias (como Ivan Lessa aqui ou Ruy Castro ali). Eu, que nunca joguei pôquer com o velho, só lembro que passei a infância imitando seu jeito de falar das aparições na TV. Era bom nisso, acho.

Daí que chegou agora por e.mail (umas cinco vezes) o texto célebre de PF dissecando a imagem de John Lennon, publicado na Folha logo após a morte do cabeludo, no dia 09.12.80. Na época, Francis causou polêmica (duh) e virou inimigo público número 01 das viúvas do Beatle.

Eu não lembro, já que ainda nem borrava a fralda ouvindo Ray Conniff. Mas o texto é bom (duh), tá colado na íntegra aí depois do clique.

Cinco tiros abrem novos negócios
(Paulo Francis)

John Lennon, compositor, cantor, músico, o “pai” dos Beatles, foi assassinado à uma hora da manhã (hora de Brasília) de ontem, por um vagabundo, Mark Chapman, que disparou nele seis tiros de um revólver 38, acertando cinco. O crime aconteceu no saguão de um dos prédios mais famosos de Nova York, a oeste do Central Park, o Dakota (que a maioria dos brasileiros conhece como cenário do filme de Roman Polanski Rosemary’s baby, com Mia Farrow e John Cassavetes). Lennon estava acompanhado da mulher, Yoko Ono, e dois cavalheiros ainda não identificados. Chapman esperou por ele horas no saguão, sem ser incomodado pelos agentes de segurança do prédio (cuja maioria dos moradores é celebridade, gente como Lauren Bacall etc.) que provavelmente, como é freqüente em Nova York, estavam bêbados ou dormindo. Lennon tinha 40 anos. Chapman, de Atlanta, Geórgia, conterrâneo de Jimmy Carter, tem 25.

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Sem mais

Sunday, December 17th, 2006

Já viu a capa do Mais! de hoje? Na onda de matérias de encerramento de ano, o caderno da Folha publicou o seu 100 +, convocando especialistas a indicarem os cinco tópicos “que irão dominar o debate em suas áreas” – presumivelmente em 2007, mas nada ali especifica.

Alguns temas mereceram mais de uma lista, caso da música. O bizarro é que o jornal chamou Livio Tragtenberg, com sua especialização mais ligada à “alta cultura”, e o DJ Renato Lopes. A segmentação deixa de lado a movimentação da cultura pop e, por conseqüência, gera uma distorção sem tamanho.

A lista de Tragtenberg é bem respeitável (puxa a sardinha a Mario de Andrade, Duprat e Elsie Houston), mas se detona ao levantar a bola do “rap feminino”. Sua recomendação, via a grife global Antônia, louva “a mulher negra cantora e compositora de rap” sem dar muita atenção à qualidade dessa nova chatice mercadológica inflada pela emissora carioca. Ir contra o “universo racista e machista”, realmente, é das últimas coisas que precisam de atenção ali.

Lopes, por outro lado, me deixou com medo do ano que vem. Se uma das cinco grandes coisas de 2007 na música eletrônica será mesmo a terceira (!) edição de remixes da trilha sonora de Cidade de Deus, com Felipe Venâncio no meio, eu acho que prefiro pular diretamente pra 2008. Cruzes.

iPod, o gadget uncool?

Wednesday, September 13th, 2006

No domingo, o jornal inglês The Observer publicou uma matéria provocativa em relação ao iPod. Segundo o texto, a Apple deveria começar a se preocupar, já que o seu player não é mais tão legal.

Os argumentos são bem simples. Um, com as enormes vendas, o fone branco se massificou e está cada vez mais uncool (o que é verdade, mas não é lá muito importante para as pessoas normais). Além disso, a molecada não liga muito para a qualidade e fidelidade sonora e, com o crescimento tecnológico dos celulares que tocam mp3, vão acabar deixando seu iPod de lado pela praticidade de um único aparelho no bolso – sintoma que não atinge só o gadget da Apple, mas a indústria inteira.

Dois, as vendas “caíram”. A curva, que atingiu 14 milhões em dezembro passado, desbarrancou para 8,1 milhões nos últimos três meses.

A matéria vale a olhada, mas é sensacionalista. O império do mp3 player mais simpático do mercado não cai tão cedo. Mesmo com a Microsoft finalmente tentando abocanhar a sua parcela, via seu Zune, que chega a tempo do natal.

O páreo vai ser duro mas, apesar das bandas já carregadas de fábrica na memória (incluindo Hot Chip, 30 Seconds to Mars e a brazileira Cansei de Ser Sexy), duvido que Bill Gates arrase com o foninho branco.

Ainda mais contra alguém como Steve Jobs e sua Apple, que adora fazer você achar que precisa de mais e mais gadgets, coisa que a MS nunca conseguiu.

Ou vai dizer que você não achou sensacional o novo iPod shuffle, que tem o tamanho de quatro pastilhas Garoto?

“Se fosse o New Order, tudo bem, claro”, II

Monday, September 11th, 2006

Na última sexta-feira, Thiago Ney continuou sua embananação colunística. Vacas sagradas veio em resposta à polêmica gerada pelo texto Quem precisa de Bob Dylan?, da outra semana, quando preteriu o novo disco do cantor ao hype do novo pelo novo.

O que ele parece confundir é a ‘necessidade’ de um novo Dylan com a importância que o cara estancou. Chegar aos quase 70 anos e ainda conseguir jogar nas lojas um disco coerente com seu histórico não é pra qualquer um. Nada mais natural que isso gere páginas e mais páginas, no The Guardian ou na própria Folha.

Bob Dylan não precisa de um novo disco de Bob Dylan. Assim como ninguém precisa de um disco novo dos Strokes. Muito menos de um disco novo dos Mutantes. Mas se vier, que venha. E que seja bom.

Mais à frente nas frases, ele detona a imprensa brasileira (Aspa: “Estamos num país que cultua vacas sagradas. Bandas novas colhem lá fora os elogios que não recebem por aqui”), como se esse fosse um sintoma local. A diferença é que nossas vacas sagradas têm história nas costas, enqüanto as de lá mal tem um disco no currículo.

Sinceridade? Eu prefiro as daqui.

E falar que no Brasil ninguém critica Caetano ou Chico, convenhamos, é falta de leitura da imprensa nacional. Principalmente no caso do primeiro.

Só faltou falar que ninguém bate na Gal.