Archive for the ‘cotidiano’ Category

São Paulo mezzo limpa

Monday, April 2nd, 2007

Começou a vigorar ontem, pra valer, a lei que proíbe outdoors e regulamenta fachadas em São Paulo. E hoje o que se vê por aí, além de dúzias de outdoors no chão, é coisa de cidade fantasma: uma série de fachadas esburacadas, logotipos desaparecidos e muita parede suja e descascada, que não via a luz do sol há anos, enfeiando a paisagem. Tudo para combater a poluição visual, com efeitos inversos.

Não vou discutir a validade da lei, já que urbanismo está longe de ser minha especialidade. Mas espero que tenha algum fotógrafo esperto acompanhando essas transformações pelas ruas. É material imperdível.

Al-fa-rror

Thursday, March 22nd, 2007

Já tentou comer seu alfajor hoje?

Café Havanna sem alfajores
(publicado originalmente @ Chic

São Paulo está vivendo uma crise internacional de proporções épicas: todos os pontos de venda da confeitaria Havanna estão sem seus tradicionais alfajores no estoque.

“Nosso carregamento está preso na alfândega há quase um mês. Mas deve chegar até a semana que vem”, explica o atendente do Café Havanna nos Jardins, com a cara de quem repete a mesma história dúzias de vezes ao dia. Sem exagero: em meia hora de uma quarta-feira, a loja foi visitada pelos tipos mais variados, atrás da mesma coisa. E o choque é sempre o mesmo. Reflexo do sucesso da marca no Brasil – a franquia argentina chegou no meio de 2006 e, até o fim do ano, já tinha batido um milhão de alfajores vendidos.

Antes de tremer de decepção, saiba que o cardápio do lugar ajuda. Se a opção de doces para comer nas poltronas gigantes está restrita, a variedade de ‘bocaditos’ (como eles batizaram seus salgados) é surpreendente. Vale experimentar o Belgrano, roll de roast beef com chimi churri (R$ 12), ou o San Telmo, com cogumelos e mussarela de búfala na ciabatta (R$ 9).

No acompanhamento, como boa cafeteria que é, o Havanna oferece drinks feitos de café. A recomendação máxima é se aventurar nas camadas multicoloridas do novo Granadine Frizz (leva água com gás, granadine (xarope de romã) e gotas de limão e custa R$ 7) ou com o Brisa do Verão, combinação de café com iogurte de baunilha e pêssego, receita premiada do barista Éder Ferreira, que assina o balcão da casa.

Os cafezistas mais tradicionais têm como opção o expresso normal (R$ 2,50), que disputa espaço com o Café Havanna (com leite condensado e canela, R$ 5). Ou o mais pedido da casa, o Havana Shake, batido de café com o sensacional “dulce de leche” argentino (R$ 9).

Falando no doce, não tem como não lembrar dos alfajores proibidos. Enquanto eles não vêm, afogue as mágoas com as galletitas, bolachinhas com recheio sabor limão (R$ 2,50 cada), ou com as barras de doce de leite (R$ 2,50). É açúcar suficiente para dar energia e começar logo uma passeata contra a burocracia alfandegária.

Havanna Café
R. Bela Cintra, 1829, Jardins, São Paulo – SP
Tel. 11-3082 5722

O inferninho e o infernão

Monday, February 12th, 2007

É sempre bom quando abrem novos lugares em São Paulo. Elimina aquela sensação de “nada pra fazer nesta cidade”, pelo menos até a semana seguinte. Vi dois neste fim de semana, opostos, que valem a freqüência.

O Astronete, portica vermelha à Matias Aires, refresca o congestionado circuito da Augusta. Cerveja razoavelmente barata, balcão bacana, decoração retrô, bom som e – o melhor – ainda não foi descoberto pelo Xico Sá ou a Folha de SP. Logo, ainda não está cheio de gente. Funciona como uma Funhouse transitável e abre como boteco no fim das tardes. É só não ligar para a barata que passeia entre as garrafas que está tudo bem.

Já o Clash, projeto megalomaníaco do povo da Circuito, é outra coisa. Eu tenho uma certa birra com essa tendência de coisas acontecendo na região da Barra Funda, mas acho que se eu tivesse um carro o sentimento seria outro. O lugar ocupa um galpão no bairro, com pista gigantesca (ignore os lasers da iluminação), pé direito alto e lounge a céu aberto (lembra o do Vegas, se é que o de lá ainda existe). A solução de eliminar as comandas é prático, mas o ato de comprar fichinhas deve se tornar um problema quando já se passou da segunda dose de vódega. Só não saquei qual é a do tão divulgado “sistema de reconhecimento facial Cognitec”: além de não anotar meu sobrenome, a mocinha do caixa não teve paciência de explicar que eu tinha que olhar para a luzinha vermelha da câmera e fui arquivado com um rosto esquisitíssimo. Se o Pee Wee Herman passar lá e der o meu nome, acho que cola.

Stuck at (Fashion) Rio

Thursday, January 18th, 2007

Estou gastando meus dias na Marina da Glória e vou te dizer: se João Gilberto tivesse nascido nos anos 80, teria se tornado um guitarrista headbanger, daqueles virtuosi, fã de Yngwie Malmsteen.

Impossível alguém inventar algo como a Bossa Nova com o fedor que vem dessa Baía da Guanabara. O amor, o sorriso e a flor passam longe. E olha que nem está sol.

Truque na noite

Saturday, January 13th, 2007

Ontem à noite, na porta do Studio SP, eu e o segurança:

_ Vocês têm nome na lista?
_ Não.
_ Ah, então é R$ 15 cada um.
_ OK.
_ Vão pagar com dinheiro?
_ Sim.
_ Bom – abaixando a voz – se os três pagarem agora, eu faço por R$ 10 a entrada. É só me dar o dinheiro e eu coloco VIP nas comandas.

Belezinha, essa.