Archive for the ‘comportamento’ Category

Cortina de fumaça

Saturday, October 18th, 2008

A Mostra é o tipo de evento que reúne uma parcela massiva de fumantes. E esta é a primeira edição (se não me engano muito) que acontece sob a fiscalização anti-tabagista mais pesada. Não quero discutir nenhuma polêmica contra ou a favor da proibição (ainda mais por ser fumante – logo, culpado), mas isso gerou um fenômeno curioso ontem à noite, durante a exibição de Loki.

Fazia tempo que não ia ao Cinesesc, mas sabia que o hall interno já tinha se tornado área de não-fumaça. A novidade é que o bar dentro da sala – originalmente criado para que os espectadores pudessem fumar durante o filme – também virou no smoking. Acho um saco, mas compreendo.

Ontem, antes do início da sessão, o que se via era o feitiço contra o feiticeiro. Todos os fumantes ocupavam a entrada do lugar, aproveitando o único lugar liberado – platéia, um dos projecionistas, até o próprio Arnaldo Baptista, com seu cigarrinho cinzento. Todo mundo que chegava dava de nariz com um fumacê concentrado na rampa de entrada do cinema. Um calvário para os não-fumantes.

Olha meu terno!

Saturday, December 9th, 2006

Textinho rápido de moda sobre os mods, a toque de caixa. Nada que você já não saiba, acredite. Se eu fosse você, pulava esse post e ia assistir Quadrophenia, que saiu há alguns meses no Brasil em DVD duplo.

Aliás, tá sabendo que os Cachorro Grande deram fôlego a uma grife do sul? Sensacional.

Os mods nunca morrem
(publicado originalmente @ Chic)

Na primeira metade dos anos 60, enquanto a moda feminina via Mary Quant e Courrèges disputando a paternidade da minissaia, os homens viviam seu período mais estiloso. A Swinging London abrigava o nascimento dos mods.

Originalmente um movimento de jovens de classe média, os mods criaram seu próprio lifestyle de música e moda. Abraçaram a música negra dos EUA, particularmente a Motown, em detrimento do rock que começava a crescer. Rapidamente, movidos pelas anfetaminas populares na época, criaram seu próprio movimento musical – liderado principalmente pela banda The Who.

The Who

Preocupadíssimos com o visual, os mods ficaram conhecidos pela alfaitaria bem ajustada, ternos de três botões, gravatinhas, blusas estampadas, cabelos compridos e bem cortados. Cuidavam das roupas tanto quanto das lambretas que usavam por toda Londres, sempre decoradas com vários espelhos.

Calças Levi’s era uma febre (e tinham todo um truque especial: os jeans eram vestidos ensopados, para “se adaptarem ao corpo”), ao lado das pólos da marca do tenista Fred Perry e das roupas Ben Sherman. A grife do estilista inglês, que já foi chamado de ‘Mod God’, existe até hoje e foi a responsável por massificar o grande sinal mod – o círculo branco, azul e vermelho, baseado no símbolo da Força Aérea Britânica.

O movimento se desfez durante os anos 70, com a explosão do flower power hippie, mas permanece vivo até hoje. Em 1979, o filme Quadrophenia alimentou um pequeno revival, liderado pela banda The Jam. Produzido pelos integrantes do The Who (ironicamente, nesta época já inseridos em uma vibe riponga), e recentemente lançado em DVD duplo no Brasil, Quadrophenia conta os conflitos da época entre os mods e os rockers, que usavam couro, veneravam Elvis Presley e preferiam motos mais modernas.

Nos anos 90 o mod ganhou nova força, travestido no britpop de Oasis, Blur e companhia. Se estes já não são tão estilosos, a década produziu o overmod Jarvis Cocker, que acaba de lançar um disco solo. Casado com a stylist Camille Bidault, Cocker recentemente causou polêmica ao dizer que moda e música não deviam andar juntos. Mas mesmo assim, com seus óculos-marca registrada, não deixa de lado o visual apurado.

No Brasil a cena mod também é recorrente, principalmente entre os sulistas, que têm um inverno mais condizente com os ternos à la Londres. A banda mais conhecida é a gaúcha Cachorro Grande, que acabou gerando uma grife amiga, especializada no figurino.

KKK-ramer

Friday, December 1st, 2006

Não vou falar muito sobre o episódio do Michael Richards com a ‘n word’, ainda não me decidi se foi um destempero racista ou o stand up comedy levado ao extremo. Mas o assunto já rendeu pelo menos dois momentos brilhantes por aí:

1. O KKKramer rap, remixando as frases do comediante. Mashup da vida real, prontinho pra festa do Matias. Dá pra ouvir aqui ou, como o site vive caindo, no play aí embaixo.

2. A criação de um episódio perdido de Seinfeld, misturando o show fatídico com cenas do seriado e as desculpas de Richards no David Letterman.

Isso sem falar na camiseta.

Muito melhor que a Britney Spears sem calcinha 24/7, diz aí.

A ‘classe A’ no cinema

Tuesday, November 28th, 2006

Agora de noite, fui à pré-estréia de Maria Antonieta. Público alvo, toda aquela gente que move as colunas sociais – estilistas, designers, consultores, jornalistas de luxo, peruas, magnatas. Muito prosecco, macarons, aquela coisa.

Mas o mais divertido foi na hora da entrada na sala, pós-coquetel. Enquanto as pessoas normais fazem fila automaticamente, minutos antes de começar a sessão, os proclamados chiques e famosos aglomeram-se de forma blasé na porta, papeando, como se nada estivesse acontecendo.

É o cúmulo do eufemismo.

Blog de rua

Friday, August 25th, 2006

Esse assunto dá pano pra manga, se alguém se dispuser a analisar. Mas por enqüanto vai um textinho rápido – o espaço não é dos maiores e o tempo também foi curto.

Street blogs, foto Face Hunter

Blogs mapeiam o estilo das ruas
(publicado originalmente @ Chic)

Ignore a passarela e olhe pela janela. Muitas vezes esquecida no cotidiano, é sempre bom lembrar que é na rua que a moda tem sua prova de fogo. É na calçada, mais que nos tapetes vermelhos, que as tendências realmente funcionam – ou não. E é essa criatividade anônima que também alimenta a criação dos estilistas, que atualizam o pacote e o jogam de volta nas ruas.

Hoje, com a crescente utilização dos blogs, pipocam sites pela internet que registram o estilo do cidadão comum, já apelidados de street-style blogs. Mas esse tipo de apontamento não é novidade. As grandes marcas sempre quiseram manter um olho aberto para essas tendências espontâneas – e os escritórios de coolhunting, com seus agentes caçadores de tendências e lifestyle, já fazem esse serviço há anos.

A diferença agora é que essa nova pesquisa é feita por gente comum, despretensiosamente, sem o olhar viciado dos insiders e sem longas análises. O que importa é imagem, e as conclusões ficam por conta dos leitores.

Blogroll

. Face Hunter - é o meu preferido e um dos mais famosos. Quem alimenta é Yvan Rodic, um suíço, radicado em Paris, que viaja pela Europa de máquina fotográfica na mão.

. Hel Looks - outro dos badalados, registra a juventude cool de Helsinque, capital da Finlândia.

Tokyo Street Style - a navegação é bem chata, mas os japoneses, mestres da moda de rua, não podem ficar de fora.

The Clothes Project - traz fotos de Singapura, e se esforça em decifrar o look e o personagem registrado.

Stiliberlin - os jovens alemães sabem das coisas.

Moscow Street Fashion - tem legendas em russo, mas isso não atrapalha.

City Runway - de Buenos Aires.

São Paulo Style - foi encontrado por acidente, mas vale o registro só por ser da vizinhança. Ainda pouco atualizado, tem fotos na Galeria do Rock, na Paulista, no Ibotirama…

The Sartorialist - o mais falado de todos, que vem de Nova York e é mantido por Scott Schumann. Ficou ainda mais famoso por fazer a cobertura da temporada de desfiles masculinos para o site da Vogue America. O acordo deu tão certo que Schumann já foi contratado para cobrir os femininos também, em setembro.

Esses são só alguns pinçados. É so começar a navegar que eles aparecem às dúzias.