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Assunto: comidas

Doce de rainha

15.03.2007 @ 20:256 Comments

Nham.

O doce preferido de Maria Antonieta
(publicado originalmente @ Chic)

Se o filme Maria Antonieta tem mais alguma grande estrela além de Kirsten Dunst, esse brilho vai para o macaron, um dos mais tradicionais doces da pâtisserie francesa. Consumidos às dúzias pela rainha e suas consortes durante o filme, as cores pastel, a textura e até o formato do quitute também inspiraram boa parte do visual da produção – da fotografia aos figurinos oscarizados de Milena Canonero. E o que é que o macaron tem?

Macaron Ladurée

As histórias da sua origem são variadas. As primeiras versões da receita teriam sido trazidas de Veneza para a corte Francesa na época renascentista de Catarina de Médici (cerca de 200 anos antes de Antonieta chegar ao poder) – pelos chefs da rainha ou por freiras refugiadas em Nancy, conforme as diferentes explicações.

O que pouca gente sabe é que os primeiros macarons não eram como os de hoje. A massa, feita de suspiro com amêndoa em pó, era a mesma, mas o doce ainda não tinha recheio.

O macaron moderno começou a ser confeccionado no começo do século passado, pela pâtisserie Ladurée, em Paris. Foi aí que o docinho se tornou um sanduíche recheado com creme – os mais tradicionais são os de chocolate, café e baunilha. A Ladurée é ainda a casa mais tradicional a produzir a guloseima – são vendidas milhares de unidades por dia. São da Ladurée os doces que você vê no filme Maria Antonieta.

Em São Paulo, os macarons viraram febre há menos de dez anos. A receita é complicada, o nosso clima tropical briga com o frágil doce, mas mesmo assim ele se tornou figurinha fácil em casamentos chics – chegando a disputar lugar com os tão tradicionais bem-casados – e, em seguida, em bistrôs pela cidade. Veja abaixo o nosso roteiro e encare uma peregrinação atrás do seu macaron preferido. Acompanhando, peça um chá (como os franceses), um café ou, se preferir, uma bela taça de champanhe.

Le Vin Patisserie
R$ 2,10 cada
Al. Tietê, 178, Jardins, São Paulo - SP
Tel. 11-3063 1094

Deli Paris
R$ 2,80 o macaron grande, R$ 0,90 o mini
Rua Harmonia, 484, Vila Madalena, São Paulo - SP
Tel. 11-3816 5911

Le Fournil
R$ 1,50 cada
Rua Sena Madureira, 1355, Vila Clementino, São Paulo - SP
Tel. 11-5087 0888

Pati Piva
R$ 3 cada, R$ 28 a caixa com 10
Rua Oscar Freire, 154, Jardins, São Paulo - SP
Tel. 11-3062 5046

Comendo um francês

08.03.2007 @ 21:12No Comments

Esses bistrôs são afetados, mas divertidos. No cardápio deste, um dos pratos é descrito como “filé frrango grelhado”. Frrango. Só pode ser piada.

Paladar Chic: bistrô na madrugada
(publicado originalmente @ Chic)

Quatro da manhã, nos Jardins. Para quem está acordado e não quer cozinhar nem apelar para o velho cardápio da Galeria dos Pães, são poucas as opções no bairro. É aí que entra em cena o Paris 6, primeiro bistrô 24 horas da cidade, no coração da Haddock Lobo.

Paris 6, foto Eduardo Viveiros

Aberto desde setembro, o lugar é uma homenagem do seu criador Isaac Azar, dono da butique de azeites Azaït, aos clássicos cafés e restaurantes do Montparnasse e do sexto distrito parisiense, que abrigou a intelectualidade francesa do começo do século passado.

Se aqui a rua não é tão badalada – e tampouco se discute existencialismo com tanta propriedade como naquela época – o Paris 6 compensa o clima com seus garçons atenciosos, mesmo no meio da madrugada – detalhe raro na cidade. Outro fator positivo é o agradável salão principal, com pé direito alto e decorado com fotos de São Paulo em “clima parisiense” (obras da fotógrafa Bianca Cutait). Hits da chanson fazem a trilha sonora oficial. O incômodo maior é a disposição das mesas, apertadinhas, que acabam com qualquer privacidade – ainda que esse modelo seja fiel ao original.

O cardápio do bistrô, combinando com sua “boutique de vinhos” com centenas de títulos, tem pratos elaborados. Mas abre espaço merecido para as comidinhas, clássicos máximos da brasserie francesa, perfeitos para aquele lanche de noite adentro.

Tente os tradicionais Vol-au-vent (massa folhada recheada com frango e champignon ao molho bechamel, R$ 23) ou o Croque-monsieur (sanduíche quente de presunto, queijo emmental, molho branco e bechamel, R$ 19), que fazem sucesso entre os freqüentadores.

Para momentos de fome menos trivial, a recomendação vai para a sopa de cebola e emmental (R$ 19) e, nas noites de verão, as coxas e sobrecoxas de rã, grelhadas ao alho e óleo (R$ 39).

O Paris 6 também serve como ponto de encontro, mesmo sem o Sena por perto. Esqueça o cardápio e o salão e abrigue-se nas mesinhas ao ar livre, na frente do bistrô. A Haddock Lobo, com seu trânsito quase inexistente durante as madrugadas, serve como belo cenário para um café em ritmo de noite parisiense. Só não vale discutir Sartre.

Paris 6
R. Haddock Lobo, 1240
De segunda a segunda, aberto 24h
Tel. (11) 3085 1595

Fast coffee, III

13.01.2007 @ 17:35No Comments

Na seqüência do “oi, meu nome é Josimar”. Prometo que não volto mais a esse assunto tão cedo - mas já viu que a próxima loja vai ser dentro do Higienópolis? Deve abrir em março.

Starbucks no Brasil
(publicado originalmente @ Chic)

Se os sanduíches de bagel são, ao lado dos cheesebúrgueres, o símbolo da comida rápida da Nova York pop, poucas bebidas americanas são tão icônicas quanto os cafés gigantes servidos nos copos de papel da Starbucks. Fundada há 36 anos, a rede de cafeterias se tornou rapidamente símbolo do lifestyle yuppie da cidade – seja pelo marketing agressivo, seja por Hollywood. Quem não se lembra da bebida aparecendo, mesmo que de maneira velada, nos filmes de Woody Allen, em Sex and the city ou O diabo veste Prada?

Starbucks, foto divulgação

Com tudo isso, o frisson da abertura da primeira loja no Brasil era esperado. As filas depois da inauguração, em novembro do ano passado, rivalizavam com as dos primeiros Burger King em 2004. De primeira tacada, foram duas lojas dentro do MorumbiShopping. E agora, quase dois meses depois, a multidão ainda não desapareceu.

“É preciso muita paciência”, disse o atendente, enquanto anotava o meu nome no copo (a intimidade com o cliente é rotina na rede). Realmente, a fila demorada não é só efeito da curiosidade brasileira. Difícil mesmo é encarar o gigantesco cardápio que você enfrenta, caso queira mais do que um simples café.

Qual o tamanho do copo? Quente ou frio? Leite normal ou de soja? Sabor extra de caramelo, framboesa, menta? Chantilly, talvez? Normal ou light? As opções confundem qualquer mortal. É capaz que, nos momentos mais calmos, eles até acabem deixando o cliente operar as máquinas do café.

Já que o forte são as bebidas, as comidinhas não trazem nada de inovador. O menu foi adaptado para o gosto do brasileiro, ganhando os tradicionais pães de queijo. Se quiser algo mais elaborado, tente o wrap de presunto cru e cream cheese (R$ 13,50) ou a baguette com frango al pesto (R$ 9,50). Ou, com mais coragem, o croissant de presunto, queijo, abacaxi e mel (R$ 6,50). Irresistíveis mesmo são os doces – destaque para o brownie (R$ 5,00) e o muffin de blueberry, clássico da matriz norte-americana (R$ 6).

O outro clássico da rede são os Frappucinos, batidos à base de café e chantilly, com muito gelo. É divertido se aventurar nas opções de sabores para rebater os dias de calor. O hit, os baristas juram, fica dividido entre o Mocha e o Caramelo (entre R$ 7,50 e R$ 11,50, dependendo do tamanho).

E, claro, os cafés também estão ali. Novamente, as opções são gigantescas - do macchiato (com a espuma do leite) ao mocha branco. Mas quem quiser deixar essas frescuras de lado e beber apenas um bom café puro, pode se dar por feliz com as duas opções, sempre fortes e bem tiradas: o expresso clássico ou o Brasil blend (R$ 2,80), com uma combinação de grãos do país.

Duro é encarar a versão americana do expresso – aquele com uma dose extra de água, tornando tudo sem graça. Eles lá batizaram de café ‘suavizado’. Mas, na minha terra, a gente chama de ‘aguado’ mesmo.

Bagel pop

15.12.2006 @ 22:31One Comment

Yummy.

Bagel pop
(publicado originalmente @ Chic) 

De Woody Allen e Dorothy Parker a Bob Dylan, Roy Lichtenstein e Scarlett Johansson, não é de hoje que os judeus nova-iorquinos movimentam a base da cultura pop mundial. Maior concentração judaica fora de Israel, a cidade estadunidense recebeu forte influência dos seus costumes – além da arte e do pensamento, principalmente no seu estômago. Se Paris é conhecida pelos seus croissants, Nova York tem um gigantesco bagel dentro do seu imaginário.

Nada mais lógico, então, que um restaurante especializado nesse pão tradicionalmente judeu ganhe o nome de Pop’s Bagels & Coffee. Ocupando há um ano uma casa pequena na Bela Cintra, afastada da movimentação central dos Jardins, o lugar vem ganhando fãs a cada dia, com suas mesinhas ao ar livre e decoração que remete (claro!) à pop art.

Capitaneado pelo chef Cássio Machado (conhecido pelo B&B Burger Bistrot, ali ao lado), o fast food de luxo do Pop’s tem um pequeno cardápio, onde o sanduíche no bagel é a grande estrela. Apesar das variações nos recheios (como pastrami, rosbife ou o vegetariano, com legumes grelhados), a pedida recomendada é o tradicional lox (iídiche para salmão). Na receita mãe dos sanduíches judeus, o peixe defumado é servido com cream cheese, cebola e tomate (R$ 15). Mas se o sabor é certeiro, difícil é escolher o tipo do pão. A gente indica o coberto com sementes de papoula, mas ainda tem o tradicional, o integral, com parmesão, gergelim…

Sanduíche lox, foto Charles Naseh

Se quiser arriscar menos, já que o paladar brasileiro não é tão familiarizado com o massudo bagel, ou se a fome não for tanta, tente o cachorro quente próprio da casa, servido no pão preto (cerca de R$ 8). É a desculpa perfeita para dar uma olhadinha na prateleira que fica logo na entrada, repleta de mostardas de diversas marcas e origens.

Visitar o Pop’s é uma ótima oportunidade para os góis, como são chamados os não-judeus, conhecerem um pouquinho da culinária desse povo. Aproveite que o Chanucá, a festa judaica de oito dias do final do ano, começa hoje e erga um brinde a eles.

Pop’s Bagels & Coffee
Rua Bela Cintra, 1541 – Jardins
Tel 11 3063 5232

Fast coffee, II

30.11.2006 @ 23:326 Comments

Estive há pouco na recepção de inauguração da primeira Starbucks brasileira, que começa a funcionar amanhã para o público, no MorumbiShopping.

Entre um punhado de velhos ricos e Sérgio Mendes (que, dizem, estava lá - eu não achei), foi o primeiro coquetel que vi servir mais café que prosecco. Apesar dos preços (R$ 2.80 um expresso, os cafés mais elaborados estão na casa dos R$ 10) e de estar enfurnada nos fundos de um shopping insuportável, a cafeteria é realmente um ambiente convidativo. Pra quem gosta de passar horas lendo e engolindo cafeína, as poltronas em camurça do lugar são uma bela pedida.

Mas o café, ah o café, é exatamente como eu temia. Aguado como dizem ser o bom (bom?) café servido nas lanchonetes dos EUA. Perfeitamente aguado para ser servido nas canecas de meio litro, vendidas ali (uma estampada com o MASP, outra ilustrada com um tucano clichezento) lado a lado com pacotes de pó de todo o mundo (a bizarros R$ 30 a saca de 250 gramas, tem até da Guatemala Antiga).

Espero que o “expresso brasileiro”, oferecido no cardápio, seja menos intragável. Esse que, aliás, eu vou demorar pra conseguir experimentar. Afinal, o frisson pela abertura da Starbucks deve se comparar ao dos primeiros Burger King, em 2004. Lembra das filas?

E a pergunta que fiz em outubro ainda está no ar: abrir a primeira filial de uma cafeteria que ficou famosa pelas suas lojas de rua, dentro de uma livraria que fica dentro de um shopping é realmente estratégia que preste?