Archive for the ‘@ Chic’ Category

Funga minha cueca

Friday, March 16th, 2007

Pelo menos, eu me divirto.

Test drive: cueca perfumada
(publicado originalmente @ Chic)

“Oi, cheira minha cueca?” A frase não é das melhores, mas é o que deu vontade de sair dizendo por aí quando vesti o alvo deste nosso primeiro test drive: uma cueca perfumada. Minha sorte é que desisti da proposta logo de manhã – se já seria uma cantada medonha na pior sauna gay da cidade, imagina se eu falasse isso para o porteiro do prédio.

A cueca é lançamento da Upman, marca de underwear do Rio Grande do Sul. A novidade, segundo a empresa, são as microcápsulas de perfume presas no tecido, que se rompem no contato com a pele. O cheiro é uma alquimia de couro, figo, patchouli, âmbar, madeira…

Mas a pergunta que fica, melhor do que a proposta do começo, é: para que serve uma cueca perfumada? Pela minha investigação com amigos, a resposta é taxativa: para nada. Uma cueca cheirosa é o equivalente do guarda-roupa ao papel higiênico com cheiro de frutas.

Não que o cheiro seja de todo desagradável. Na minha paranóia, o calor de São Paulo nessa semana fez com que eu andasse com uma nuvem de couro-figo-patchouli ao meu redor. Durante a tarde, passei a sentir o perfume no ar, em todos os lugares, principalmente nos dedos. Mas todo o resto da redação tratou de negar a minha loucura.

De qualquer forma, cheguei à conclusão de que essa cueca só serve mesmo para celibatários ou para quem não pretende dividir a cama com ninguém tão cedo – não seria constrangedor ter de lidar com um aroma repentino vindo de uma área tão… localizada?

Pelo menos a cueca é bem confortável, apesar de ser feita de tecido 100% sintético. Só estou esperando as microcápsulas sumirem – a marca jura que elas ainda duram trinta lavagens…

Doce de rainha

Thursday, March 15th, 2007

Nham.

O doce preferido de Maria Antonieta
(publicado originalmente @ Chic)

Se o filme Maria Antonieta tem mais alguma grande estrela além de Kirsten Dunst, esse brilho vai para o macaron, um dos mais tradicionais doces da pâtisserie francesa. Consumidos às dúzias pela rainha e suas consortes durante o filme, as cores pastel, a textura e até o formato do quitute também inspiraram boa parte do visual da produção – da fotografia aos figurinos oscarizados de Milena Canonero. E o que é que o macaron tem?

Macaron Ladurée

As histórias da sua origem são variadas. As primeiras versões da receita teriam sido trazidas de Veneza para a corte Francesa na época renascentista de Catarina de Médici (cerca de 200 anos antes de Antonieta chegar ao poder) – pelos chefs da rainha ou por freiras refugiadas em Nancy, conforme as diferentes explicações.

O que pouca gente sabe é que os primeiros macarons não eram como os de hoje. A massa, feita de suspiro com amêndoa em pó, era a mesma, mas o doce ainda não tinha recheio.

O macaron moderno começou a ser confeccionado no começo do século passado, pela pâtisserie Ladurée, em Paris. Foi aí que o docinho se tornou um sanduíche recheado com creme – os mais tradicionais são os de chocolate, café e baunilha. A Ladurée é ainda a casa mais tradicional a produzir a guloseima – são vendidas milhares de unidades por dia. São da Ladurée os doces que você vê no filme Maria Antonieta.

Em São Paulo, os macarons viraram febre há menos de dez anos. A receita é complicada, o nosso clima tropical briga com o frágil doce, mas mesmo assim ele se tornou figurinha fácil em casamentos chics – chegando a disputar lugar com os tão tradicionais bem-casados – e, em seguida, em bistrôs pela cidade. Veja abaixo o nosso roteiro e encare uma peregrinação atrás do seu macaron preferido. Acompanhando, peça um chá (como os franceses), um café ou, se preferir, uma bela taça de champanhe.

Le Vin Patisserie
R$ 2,10 cada
Al. Tietê, 178, Jardins, São Paulo – SP
Tel. 11-3063 1094

Deli Paris
R$ 2,80 o macaron grande, R$ 0,90 o mini
Rua Harmonia, 484, Vila Madalena, São Paulo – SP
Tel. 11-3816 5911

Le Fournil
R$ 1,50 cada
Rua Sena Madureira, 1355, Vila Clementino, São Paulo – SP
Tel. 11-5087 0888

Pati Piva
R$ 3 cada, R$ 28 a caixa com 10
Rua Oscar Freire, 154, Jardins, São Paulo – SP
Tel. 11-3062 5046

Comendo um francês

Thursday, March 8th, 2007

Esses bistrôs são afetados, mas divertidos. No cardápio deste, um dos pratos é descrito como “filé frrango grelhado”. Frrango. Só pode ser piada.

Paladar Chic: bistrô na madrugada
(publicado originalmente @ Chic)

Quatro da manhã, nos Jardins. Para quem está acordado e não quer cozinhar nem apelar para o velho cardápio da Galeria dos Pães, são poucas as opções no bairro. É aí que entra em cena o Paris 6, primeiro bistrô 24 horas da cidade, no coração da Haddock Lobo.

Paris 6, foto Eduardo Viveiros

Aberto desde setembro, o lugar é uma homenagem do seu criador Isaac Azar, dono da butique de azeites Azaït, aos clássicos cafés e restaurantes do Montparnasse e do sexto distrito parisiense, que abrigou a intelectualidade francesa do começo do século passado.

Se aqui a rua não é tão badalada – e tampouco se discute existencialismo com tanta propriedade como naquela época – o Paris 6 compensa o clima com seus garçons atenciosos, mesmo no meio da madrugada – detalhe raro na cidade. Outro fator positivo é o agradável salão principal, com pé direito alto e decorado com fotos de São Paulo em “clima parisiense” (obras da fotógrafa Bianca Cutait). Hits da chanson fazem a trilha sonora oficial. O incômodo maior é a disposição das mesas, apertadinhas, que acabam com qualquer privacidade – ainda que esse modelo seja fiel ao original.

O cardápio do bistrô, combinando com sua “boutique de vinhos” com centenas de títulos, tem pratos elaborados. Mas abre espaço merecido para as comidinhas, clássicos máximos da brasserie francesa, perfeitos para aquele lanche de noite adentro.

Tente os tradicionais Vol-au-vent (massa folhada recheada com frango e champignon ao molho bechamel, R$ 23) ou o Croque-monsieur (sanduíche quente de presunto, queijo emmental, molho branco e bechamel, R$ 19), que fazem sucesso entre os freqüentadores.

Para momentos de fome menos trivial, a recomendação vai para a sopa de cebola e emmental (R$ 19) e, nas noites de verão, as coxas e sobrecoxas de rã, grelhadas ao alho e óleo (R$ 39).

O Paris 6 também serve como ponto de encontro, mesmo sem o Sena por perto. Esqueça o cardápio e o salão e abrigue-se nas mesinhas ao ar livre, na frente do bistrô. A Haddock Lobo, com seu trânsito quase inexistente durante as madrugadas, serve como belo cenário para um café em ritmo de noite parisiense. Só não vale discutir Sartre.

Paris 6
R. Haddock Lobo, 1240
De segunda a segunda, aberto 24h
Tel. (11) 3085 1595

O xadrez é o novo preto

Wednesday, February 7th, 2007

Essa é a típica matéria sem público alvo. Eu, até hoje, nunca conheci um metrosexual. Hetero, né? Que os outros já ignoraram tudo isso aí abaixo e estão vasculhando os brechós tentando achar qualquer retalhinho Burberry.

Sempre mais útil acompanhada das fotos.

O guarda-roupa masculino para o inverno 2007
(publicado originalmente @ Chic)

Não é de se espantar que os desfiles brasileiros não atraiam muito a atenção do grande público masculino. Enqüanto os centros da moda européia despejam dezenas de fortes coleções para homens a cada temporada, por aqui a coisa diminui cada vez mais.

Basta fazer as contas: para este inverno 2007, apenas cinco nomes fizeram desfiles exclusivamente para os rapazes. São Paulo ficou sem os ternos de Ricardo Almeida, sem o masculino de Fause Haten e sem Maxime Perelmuter, seu nome mais experimental. No Rio de Janeiro, curiosamente, as três marcas masculinas são novatas: os queridinhos da Reserva e, do Rio Moda Hype, R. Groove e Adpac, revelação da temporada. Restam os grandes nomes (como Alexandre Herchcovitch, Ronaldo Fraga, Osklen) e marcas que mostram coleções mistas (Sommer, Vide Bula, Forum, Cavalera…).

Também por isso, fica difícil detectar uma cartela de tendências para a moda masculina tão detalhada como a feminina. Talvez pelo momento difícil da indústria, o mercado se vê forçado a se colocar mais próximo do consumidor, sem grandes criações arriscadas.

Algumas tendências combinam com as femininas, ainda que de forma tímida, como o vinil e o metalizado. Ao contrário da silhueta seca das estações passadas, desta vez o justo vai ter que conviver com alguns looks oversized. Lavagens de jeans, apareceram claras e escuras. Os homens vão continuar usando blasers e coletes mas, agasalhando os looks mais esportivos, a hora é das parcas. Os tricôs fininhos da outra temporada deram espaço para o tricozão pesado em situações esportivas. Nos pés, destaque para as botas e coturnos.

Xadrez Burberry

Mas a grande estrela do inverno para eles é o xadrez, ocupando o espaço das listras, que mal aparecem. Do pied de poule ao cobertor Do Estilista, em look inteiro ou discretinho, a padronagem marcou presença em boa parte das coleções masculinas.

Melk

Monday, January 15th, 2007

Seguindo a minha campanha semestral de hypar outro estilista brasileiro com um sobrenome que ninguém sabe falar. Faz mais sentido vendo as fotos.

Melk Zda, foto Charles Naseh

Melk Zda – Inverno 2007
(publicado originalmente @ Chic)

Surpresa: para quem achava que o pernambucano Melk Zda não gostava de traduzir sua moda para um ambiente urbano, a primeira parte do seu desfile de inverno 2007 surpreendeu. Com calças e seus já conhecidos shortinhos, vieram looks quase sportswear, com casaquetes, camisetas largas e saias. Melk foi na contramão da moda-proteção, fechada e austera, e não se desfez dos tecidos esvoaçantes. Sua inspiração veio mais uma vez do mundo animal, com pássaros como tema, e do universo dos mangás. A primeira apareceu bem, referenciada nos bordados típicos do estilista e nas tiras que fazem as vezes de penas. Já a temática japonesa não ficou muito fácil de sacar, passando quase em branco, não fossem os quimonos disfarçados. O meio da apresentação foi dedicada aos vestidos já conhecidos por quem o acompanha: sobreposições, transparências e proporções próprias, e suas cores típicas, lavadas ou em degradê, com apresentação do amarelo. A melhor parte parte veio no final, com looks em preto estampado (incluindo um macacão sensacional com as mangas recortadas) e em lurex. O desfile foi encerrado com a grande imagem do dia, trazendo a neo-top Diane Conterato embrulhada em um mantô de penas falsas. A modelo com cara de passarinho virou um passarinho na passarela. Lindo.