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//@ Chic, auto-clipping, comidas

Bebendo cocô

27.07.2007 @ 15:33

Gastroaventurismo. Tipo isso.

Café sabor civeta
(publicado originalmente @ Chic)

“Café de onde?” É essa a primeira pergunta incrédula dos desavisado, ao ouvir falar sobre a mais recente excentricidade gastronômica a desembarcar em São Paulo, o café Kopi Luwak. A segunda é inevitável: “Quanto?” São os dois pontos fundamentais da iguaria.

Estranhezas na cozinha não são novidade, sempre disponíveis para quem quiser provar - estão aí as fritadas de testículos de boi que não me deixam mentir. Mas normalmente essas pequenas esquisitices, de uma forma ou de outra, são minimamente aceitáveis no senso comum. O detalhe do Kopi Luwak é sua origem, que torce o nariz de qualquer ocidental civilizado.

O tal luwak é uma espécie de civeta, mamífero parecido com um gato focinhento, comum no sudeste da Ásia, que tem sua dieta baseada em frutas, insetos, animais pequenos e… grãos de café. São esses mesmos grãos que, semi-digeridos, aparecem quase intactos nas fezes dos animais. E que, depois de lavados e torrados rapidamente, são moídos para formar o blend especial do “café de civeta”.

Cocô do Luwak

A produção mais intensa do Kopi Luwak vem do arquipélago indonésio, apesar de ter também ramificações em outros países vizinhos. E graças ao complicado processo de produção, totalmente dependente de um animal selvagem, o café ganhou fama como o mais caro do mundo. Não à toa, com seu preço ultrapassando os 300 dólares por quilo. A suposta qualidade do café também reflete no preço: o civeta tem o instinto para escolher os melhores grãos dos cafeeiros.

Em São Paulo, o extravagante café começou a ser oferecido recentemente nas duas lojas do Santo Grão, e o Chic resolveu encarar essa aventura.

Chegando lá, você descobre que a bebida não está no cardápio, disponível apenas para quem questionar o garçom. O preço: R$ 20 a xícara. Nunca um cocô foi tão secreto e tão caro, você pensa.

Apesar de parecer um café normal, o background talvez precise de uma preparação psicológica. Mas ataque a bebida sem medo. Ainda que caro e excêntrico, o Kopi Luwak não tem nada de assustador.

À primeira golada, a impressão que se tem é que é um café menos amargo, que não marca tanto o paladar. Os teóricos explicam que, durante a digestão do civeta, suas enzimas quebram parte das proteínas dos grãos, tornando-os naturalmente mais suaves. Já os publicitários que vendem a variedade prometem um “sabor achocolatado”, que não apareceu. Se você não é um gourmet de café, daqueles que costumam beber o expresso sem adoçar, a dica é usar pouquíssimo açúcar. Em grande quantidade, o doce arruina o sabor do Kopi, tornando-o quase intragável.

Ao fim da xícara, você nem vai se lembrar de todo o processo de “fabricação” do café. Ou pior, vai lembrar e gostar mesmo assim. Que tal?

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