Archive for June, 2007

Datarock @ Morumbi, ou não?

Thursday, June 28th, 2007

Noutro dia, foi confirmado um show da dupla norueguesa Datarock para o Estádio do Morumbi, num evento produzido pelo mesmo povo responsável pelo Skol Beats e supostamente patrocinado pelo Terra. Há uma semana, Lucio Ribeiro jogou que o Devo estava na jogada também.

Um festival bizarro, com duas bandas sem culhão pra encher um estádio. E ainda marcado para 06.10, uma semana depois de todo o público ter torrado a grana do mês no Tim Festival.

Agora, à boca pequena, dizem que esse dia vagou na agenda do Datarock. E sem previsão pra nova data brasileira. Dizem.

Se for verdade, pena, já que o primeiro disco da dupla é uma das coisas mais divertidas que saiu em 2005. Baixa aí pra ver.

Update: boca grande, agora. O festival foi pra novembro, segundo Lucio Ribeiro, que atualizado o blog na surdina ontem de noite. Coisa mala, reescrever post sem avisar.

Björk @ Timfa 2007

Tuesday, June 26th, 2007

Aê a notícia da semana. Fechou o que todo mundo já dava como certo por aí: Björk vem pro Tim Festival, em outubro. Mais ela, Arctic Monkeys, The Killers e Juliette (Lewis) & The Licks, anúncio da semana passada.

(Só pra registrar, o Timfa tá marcado entre 26 e 31.10. Rio de Janeiro, São Paulo, Vitória, Curitiba.)

Correndo por fora, na minha listinha, tem Amy Winehouse, Antony, Girl Talk, Cat Power, Animal Collective, Hot Chip, Klaxons, Feist, Justice, Mika, Gogol Bordello, Cansei de Ser Sexy, Vanguart, Móveis Coloniais de Acaju, Orquestra Imperial, Lobão. Só mezzo-factóide.

Argumento de velho

Monday, June 25th, 2007

A crítica é velha, e diz que a coluna de Alvaro Pereira Junior no Folhateen é 100% pautada pelas revistas importadas (sem contar a ranzinzice que não diz nada ao público do caderno). A de hoje também tem eco na argumentação, me disseram. A ver:

APJ, resmungando sobre os Arctic Monkeys:

Se você ouviu alguém com mais de 30 anos, que não seja nativo de língua inglesa, dizendo que gosta de Arctic Monkeys, duvide. Não é possível alguém dessa idade ter qualquer referência em comum com essa banda inglesa, liderada por Alex Turner, 21. Os Arctic Monkeys vêm tocar no Brasil, no Tim Festival. Não consigo entender que apelo eles possam ter para as platéias daqui.

Jeff Tweedy, resmungando sobre os Babyshambles, em entrevista à Uncut:

I can’t for the life of me understand how 50-year-old rock critics can pretend to like Babyshambles. It just drives me nuts. I’m like: how can you pretend to like that? What the fuck – are you serious? There’s no way . You can’t. You have to be young. You have to be that age to do that, because you should know better by now.

É veneno gratuito demais falar que um se inspirou no outro pra falar, então o ponto aqui é outro. APJ esquece que escreve num caderno pretensamente teen, para um público que está fervendo pela idéia de assistir a um show dos Monkeys. O argumento dele é tão válido quanto dizer que alguém com menos de 20 não pode gostar de Pink Floyd. Já o Tweedy encarnou um dinossauro babão mesmo, e vai pelo mesmo caminho – o que acontece com o rock pelo rock, só pela diversão?

Puta bando de velhos.

Só tem tamanho

Monday, June 25th, 2007

Genial:

Cão perdido

Mês e meio fora, e a cara de pau chega ao ponto de colar uma foto e fingir que tá tudo bem. Desculpaí, mas poderia ser pior, poderia ser alguma letra de música.

O blogue completou um ano de beta teste sem atualização. O beta já deveria ter acabado, mas isso aqui tá longe de estar em full power ainda. Então vai seguindo a vida, que eu vou colar vários textos velhos e assuntos ultrapassados no buraco que ficou aí embaixo.

Não é pra fazer sentido.

Falando turco

Thursday, June 7th, 2007

Vou te falar: rap turco é o que liga.

Atravessando a ponte - O som de Istambul
(publicado originalmente @ Omelete)

Às vezes, grandes filmes rendem bons filhotes a partir de seus bastidores. É o caso deste documentário, dirigido por Fatih Akin.

Durante a gravação da trilha sonora de seu Contra a parede, que o consagrou em 2004, Akin ficou impressionado pela comunicação musical entre o clarinetista turco Selim Sesler e o músico alemão Alexander Hacke. No ano seguinte, contrariando as expectativas da crítica, que esperava mais um filme de ficção, o diretor lançou este Atravessando a ponte, um documentário sobre a atual cena musical e cultural de Istambul, a megalópole da Turquia.

Alemão descendente de turcos, Akin é obcecado em escavar e traduzir a cultura dos seus antepassados. Aqui, ele vai fundo no que habita os ouvidos do povo local. Hacke, músico da lendária banda germânica Einstürzende Neubauten, assume o papel de personagem principal e alter-ego do diretor na documentação, desembarcando em Istambul com um mini-estúdio nas malas para gravar a música que não chega nas fronteiras pop do circuito ocidental.

Atravessando a ponte - O som de Istambul

A ponte do título faz referência à própria Turquia. Encravado no limite entre a Europa e Ásia, o país costuma ser referenciado como uma “ponte” entre o Ocidente e o Oriente, fundindo as duas culturas em uma massa singular. A música do lugar, como não poderia deixar de ser, se aproveita dessa bagunça de referências de cá e de lá – e é esse retrato que o filme traça.

Didático, Akin faz questão de iniciar a viagem com imagens facilmente mastigáveis pelos ocidentais – como o Baba Zula, grupo apadrinhado por Mad Professor, que se beneficia dos cenários naturais para criar psicodelias sobre ritmos locais, os roqueiros do Duman e da Replika, uma “versão turca” de Sonic Youth. Essa primeira fase exibe também o hip hop de Istambul, politizado, com mais referências ao Public Enemy do que ao gangsta. Acompanhar o rapper Ceza cantando em turco se prova uma experiência e tanto para os acostumados ao som que vem dos EUA.

À medida que o filme avança, o diretor apresenta as sonoridades de maior ligação com a borda oriental do país – mas sempre aos poucos, com consciência de que pode enfrentar uma audiência sem paciência para aprender mais sobre a baglama, instrumento especialidade de Orhan Gencebay, uma das grandes estrelas do país. Sem inovar muito na forma, Akim se detém mais no conteúdo: na montagem final, depois de mais de 150 horas de gravação, dá mais espaço para a música do que para grandes discursos (apesar de revelar sensacionais personagens, como o enfant terrible Erkin Koray, na ativa desde a década de 50). Pode ser um problema, já que poderia se aprofundar mais em como funciona a relação dos músicos turcos com suas influências vindo de lados diferentes do globo. Mas alcança seu objetivo ao instigar sua platéia ao Google, em busca de mais detalhes sobre o rol apresentado na tela.

A ponte está aí, mais aberta do que nunca. É só aproveitar.