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Publicados em April, 2007

The Magic Numbers @ RJ, SP

16.04.2007 @ 11:08No Comments

25 de julho é a data fechada para o primeiro show dos Magic Numbers no Brasil, no Circo Voador, Rio de Janeiro. Passam por aqui logo depois do espanhol Benicàssim.

O site dos caras promete um segundo show em São Paulo, no dia 26. Mas como eles juram que aqui também tem um Circo Voador, não dá pra botar muita fé.

Björk e os intrusos, novo single

09.04.2007 @ 13:43One Comment

Björk, meu ovo com surpresa favorito, encarnou o presente de Páscoa desse ano. O primeiro single de Volta caiu na web durante o fim de semana.

“Earth intruders” tem produção do Timbaland, remexendo a voz dela com a batucada eletrônica do Konono n° 01. É Björk de volta às músicas divertidas de se ouvir, pelo visto. E sem virar sexy, que era meu medo depois de ver o Timba na jogada. E sabe o que me lembrou? Arto Lindsay.

No play, lá embaixo, a versão by Mark Stent, que caiu no iTunes “sem querer”.

Björk, Volta

Tá ativo o countdown pro show dela no Coachella, dia 27. Este blogue vai ter correspondência de luxo por lá.

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Falando sobre bundas

09.04.2007 @ 13:12One Comment

No caso, a minha.

Isso é a. excesso de auto-confiança ou b. falta de amor próprio?

Test drive: cuecas com enchimento
(publicado originalmente @ Chic)

Eu sempre fui um desbundado, resultado talvez da descendência portuguesa. Há quem diga que isso tem o seu charme mas, como a gente nunca gosta do que tem no espelho, eu sempre invejei quem tivesse aquele pouco mais de gordura localizada, que faz a diferença.

Então, mais que depressa, topei testar as novas cuecas com enchimento da linha Support, lançamento da Mash. Esta matéria é esperada desde 2005, quando o Chic testou uma calcinha com bumbum extra em um modelo, para ver se funcionava. Naquela época, o resultado não foi decepcionante, mas usar uma calcinha é desconforto demais para aumentar a auto-estima.

Cueca com enchimento, foto Adelaide Ivánova

Agora, depois de duas semanas de testes, no dia-a-dia da redação e em festas durante a noite, a conclusão é que uma cueca com enchimento serve apenas para isso mesmo: satisfação psicológica.

O primeiro prazer vem com o espelho. Depois de décadas convivendo com um bumbum retinho, faz bem para o ego vestir uma calça justinha e observar a nova curvatura. Autoconfiança instantânea em tecido, e ainda com a vantagem de ter uma almofadinha ambulante – com uma cueca assim, nunca mais as cadeiras duras serão desconfortáveis.

Claro que o resultado depende muito da roupa que se usa. O ideal, para que o bumbum novo passe como natural, é usar calças escuras e com tecido pesado. Evite as cores claras ou tecidos mais leves: a diferença é brutal, e todo mundo vai perceber onde acabam suas coxas e começam os enchimentos. Bermudas e shorts, nem pensar. Só vão fazer você passar vergonha.

O problema é que, diferentemente das mulheres, para os homens não parece haver grande vantagem em ter um traseiro mais bem definido. Enquanto elas ganham mais atenção com esses truques, nós passamos despercebidos. Durante todos os dias em que usei o bumbum fake, absolutamente ninguém pareceu notar a diferença. Ou seja: meu novo traseiro serviu apenas para meu próprio deleite.

Efeito contrário tem o outro modelo da linha, uma cueca com enchimento frontal. A almofadinha vertical não é tão descarada quanto os alongadores penianos, populares nas vitrines dos sex shops  - mas, ao mesmo tempo, também não parece natural.

Cueca com enchimento, foto Adelaide Ivánova

O volume pélvico é constrangedor, principalmente se usado com calças mais justas. É garantido: todo mundo nota. Mas você só vai ganhar reações de estranheza. Quando vestido sob calças mais largonas, o enchimento passa mais disfarçado – mas então, convenhamos, não vale de muita coisa. Talvez a marca devesse pensar em modelos mais modestos.

Gisele @ Rolling Stone espanhola

09.04.2007 @ 04:49No Comments

Pelo visto, a nossa Rolling Stone não só importa conteúdo da matriz americana. Agora, estão exportando material também. O ensaio com a Gisele Bündchen, que estampou a capa do primeiro número, em outubro do ano passado, foi parar na versão espanhola da revista. Saca:

Gisele @ Rolling Stone espanhola + Rolling Stone brasileira

Gisele @ Rolling Stone espanhola 

A diferença é que eles inverteram a ordem das fotos. A primeira foto da matéria, para a gente, virou a capa deles. E vice versa. A chamada é quase a mesma - de “Gisele, a maior popstar brasileira” para “Popstar Gisele” -, mas o texto mudou de assinatura.

E já que o assunto é esse, pergunta: quando é que a Rolling Stone nacional vai fazer alguma coisa com seu site-vergonha? Aquilo é tão 1998…

A rosa no moinho

06.04.2007 @ 17:28No Comments

Quando vi esse filme na última Mostra, passei uma hora e meia pensando na morte dalguma bezerra e não consegui sacar a excelência da coisa. Revi nesta semana e taí: direto pro topo dos grandes musicais nacionais. 

E ganha menção também pela campanha de marketing, com pessoas distribuindo rosas em botecos da cidade (alusão a “As rosas não falam”, música de Cartola), com um convite para assistir ao filme.

(Aliás, sabia que Cartola deu nome a um navio cargueiro da Petrobrás? Lá, é primo do Ataulfo Alves.)

O que eu não consigo entender é o motivo de terem distribuído mais fotos de divulgação com o Nelson Sargento (que toca no filme, vá lá) do que do próprio Cartola. Até no site oficial é assim. Vão começar a chamar Nelson de outro nome, aí quero ver.

Cartola
(publicado originalmente @ Omelete) 

Poucas vezes se viu, na história da música brasileira, figura tão fascinante quanto Angenor de Oliveira, o Cartola. Endeusado por qualquer um que conheça um pouquinho que seja do riscado, o sambista ganha agora um documentário à altura de seu nome, resultado de anos de trabalho da dupla Lírio Ferreira e Hilton Lacerda.

Cartola, foto Milton Montenegro

A veneração ao homem não é gratuita. Dono de uma vida cheia de altos e baixos, Cartola é o estereótipo daquela simplicidade quase inocente da vida no morro carioca, que não existe mais. Carregado de um lirismo que não aprendeu na escola (que não freqüentou), compôs uma série das grandes pérolas do velho samba de violão, viu sua estrela brilhar tarde demais e, ainda assim, não trocava seu conhaque com cerveja por badalação nenhuma.

A história do artista Cartola, nascido em 1908, começa nas décadas de 1920 e 30. É aí que funda a Mangueira, escola de samba com quem teve uma relação de amor e ódio, e começa a vender suas composições para baluartes da música da época – como Francisco Alves e Mário Reis – se torna amigo de Villa Lobos e Noel Rosa e é gravado por Carmen Miranda.

Sua fase mais reconhecida hoje vem do final dos anos 50 quando, depois de uma época de ostracismo, em que chegou a ser dado como morto, é encontrado por Stanislaw Ponte Preta (persona de Sérgio Porto, dos jornalistas mais influentes de então) trabalhando como lavador de carros. É então que, já casado com Dona Zica, vira personagem valioso do meio artístico, fazendo seus primeiros shows solo. Seus únicos quatro discos foram registrados entre 74 e 79, pouco antes de sua morte, em 1980.

O grande mérito de Cartola, mais do que ser um retrato fiel do compositor carioca, é se mostrar um filme tão extraordinário quanto seu personagem. A dupla não se limita a contar a história de Angenor, ponto a ponto, como um documentário comum: prefere construir um mosaico poético sobre ele, fazendo paralelos sutis à história cultural e política da época.

Daí que, a partir das cenas iniciais sobre o enterro de Cartola, ilustram sua vida com imagens do cinema nacional (referenciando, por exemplo, Júlio Bressane e Aviso aos navegantes, chanchada com Oscarito) e trechos ficcionais. A montagem é um dos grandes destaques do documentário, ao lado da sensacional pesquisa de arquivo, que resgata imagens raras do músico (em programas de auditório, cantando ao lado de Chico Buarque, material jornalístico ou em momentos pessoais, ao lado do pai). Os musicais e depoimentos recuperados também são preciosos, como as imagens de Madame Satã, Donga, Pixinguinha e Elza Soares.

A carga lírica acaba por comprometer um pouco da necessidade factual do documentário, com alguns aspectos da vida de Cartola analisados superficialmente ou ignorados pelo recorte final – a origem do apelido, seus programas de rádio, os conflitos que resultaram no seu afastamento da Mangueira ou os anos em que passou longe de tudo (resumidos pela tela enegrecida, embalada pela voz de Elizeth Cardoso). Defeitos que poderiam ser resolvidos com alguns minutos a mais de filme.

Mas nada disso tira o brilho da produção. Cartola não é (e nem se propõe a ser) um retrato definitivo sobre o sambista mais querido do Brasil. Já se basta em prestar uma bela homenagem a Angenor, à beira da marca dos seus 100 anos de nascimento. E se gerar uma curiosidade maior sobre o homem e sua obra, já cumpriu muito bem sua missão.