“Um cantinho, um violão”. É irônico que Lanny Gordin inicie o show de lançamento do seu novo disco solo com “Corcovado”, do Tom Jobim, tocando sua guitarra abandonado no palco. Logo ele, que ajudou a molecada tropicalista a coalhar os bossanovistas. Ironia ou reverência, tanto faz.
Fato é que Lanny comandou shows históricos no Auditório Ibirapuera (já disse que o lugar é sensacional? acho que estou me repetindo), neste fim de semana, lançando seu Duos - dizem que é bom, eu não ouvi ainda.
Dizer que o homem é um guitarrista sensacional é lugar comum, nem vale o esforço. Vai do rock ao jazz à rumba em dois movimentos de dedos. E funciona melhor no repertório que se espera dele (lá vem “Baby” ou “Tropicália” ou “Mucuripe”) do que nas coisas mais novas que ele também gravou (como a chata chata chata, e novo hit entre os mpbelezistas, “Lua vermelha”, by Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown). E ainda carrega na bagagem a sua banda Projeto Alpha, com o Fábio Sá, o baixista mais divertido dessa geração que anda por aí.
Notório também é o mau humor de Lanny, que só falou ao microfone para anunciar os convidados. Compreensível, já que teve que aturar a interação quase incoveniente de Max de Castro, que quase roubou o show só pra si. Simpatizo com o Max, mas ele precisa aprender o conceito de “artista convidado” no palco alheio.
Da noite, só valeu mesmo a participação de Jards Macalé, duetando sua “Movimento dos barcos” e contrapondo a guitarra do anfitrião ao seu jeito todo próprio de debulhar um violão.
Histórico. E sem fotos, que eu descobri a chapelaria do Auditório e fiquei descamerizado.


April 3rd, 2007 at 10:23 pm
http://youtube.com/watch?v=dzSyCNeZP1k
Vejam só o que aconteceu em Pérola Negra. Inesquecivel.