Archive for April, 2007

Impressões do Coachella, I

Saturday, April 28th, 2007

Como eu mesmo não fui ao Coachella (como você, ou não estaria aqui lendo), só resta roer as unhas e acompanhar os shows via Youtube. Gisela Gueiros, a primeira correspondente internacional deste blogue, mandou suas impressões do primeiro dia de shows, ontem, de alguma biboca californiana. Taí:

Tenho pouquíssimo tempo pra ficar aqui na net, mas lá vai um resuminho da maratona musical que foi ontem, nosso primeiro dia de Coachella. Depois de três horas de fila num sol de 40 graus, entramos no festival – que é num lugar de campo de pólo, com grama verdinha como as dos campos de golf. O clima lá dentro é bem mais quadrado do que se imagina: bebida só nas áreas chamadas ‘beer garden’, onde o povo bebe e aproveita pra ficar na sombra, já que não tem nuvens, nem árvores. São 5 palcos e as atrações pipocam. Pra começar vimos Flosstradamus e Noisettes – muito bom, por sinal. Pausa para um vinho branco – sim, o vinho branco é delicioso e custa o mesmo que a cerveja (sete dólares).

Depois disso, entramos no clima. E chegou a  hora do primeiro show bom do dia: Amy Winehouse. Acho que quando montaram o line up ela ainda não tava tão bombada, então deram uma tenda pequena pra ela, em vez de um dos dois palcos principais. Saia gente por tudo quanto é lado, e a Amy é maravilhosa! Linda, gostosona, simpática. Foda. Cantou todas do último disco, bebeu whisky durante o show e pediu um extra drink no meio da apresentação.

Depois da Amy teve Of Montreal, que foi meio decepcionante, teve Arctic Monkeys, Jesus and Mary Chain e Jarvis Cocker. O Jarvis é incrível, parece um Bowie. Piadista, fez um show super pocket num dos palcos grandes e tocou todos os hits do último álbum – “Black magic” e “Don’t let him waste your time”, entre outras.

Aí ouvimos Interpol de longe, e chegou a hora mais importante do dia: o show da Björk. Sonho realizado. A mulher sabe tudo. O palco todo decorado com umas bandeiras, as meninas da mini orquestra de sopros todas com umas bandeirinhas na cabeça. A Björk de legging preto, saia de havaiana, top de caveira e manguinhas de havaiana. Testa pintada de verde e vermelho. Começou com “Earth intruders”, depois “Hunter”, “Unravel”, “Oceania”, “All is full of love”, “Pleasure is all mine”, “Yoga”, “Pagan poetry”, “Modern thing”, “Army of me”, “Innocence”, “Wanderlust” e “Declare independence” – no bis. Dançou feito louca. E eu, a vinte metros de distância dela. Quase morri. É muita emocao. Dorme acorda que hoje tem mais. Depois conto detalhes.

Björk, Volta na web

Wednesday, April 25th, 2007

Volta, novo da Björk, está na mão, pra quem quiser. O disco só deve sair no dia 02.05, mas é claro que ia vazar antes para a Internet – ainda mais pra gerar o buzz gratuito com o show de estréia, sexta-feira no Coachella.

Diz que as faixas caíram para venda no iTunes por acidente, ontem. A história é manjada, mas quem liga? Os primeiros torrents apareceram na madrugada de hoje (segundo a lógica de Brasília).

Tem versão nova de “Earth intruders” (mais ‘devagar’ que a outra), tem rap produzido pelo Timbaland, dueto com o Antony, punk, riot grrl…

Quer? Pega.

Céu, queridinha da Billboard

Tuesday, April 24th, 2007

Essa ninguém esperava: depois de ser lançada nos EUA, com disco e shows, Céu bateu recordes nas paradas da Billboard divulgadas no fim da semana passada.

O álbum entrou em três listas. Pegou o primeiro lugar de World music (batendo o grupo irlandês Celtic Woman, que ocupava o topo do ranking por 89 semanas consecutivas), a lanterninha do Top 200 (146°) .

E, mais impressionante, fez bonito dentro dos álbuns independentes, derrubando vários hypes. Estreou em sétimo na outra semana e agora subiu pra segundo, ocupando o lugar do Arcade Fire (que caiu pra sétimo), ficando atrás de Bright Eyes e à frente de Elliott Yamin, primeiro lugar na lista anterior.

Tudo bem, dizem que a Billboard é meio jabazenta. Mas a Céu é boa, o disco é bom, e o hype é justificado.

E eu não acho que a Starbucks, que lançou ela por lá, pagaria por tudo isso. Mesmo que a cantora seja a primeira não anglo-falante no seu catálogo.

Pianinho chubby, II

Tuesday, April 24th, 2007

Uma semana depois…

Keane em São Paulo
(publicado originalmente @ Omelete)

Escuro de repente, a música de fundo ainda tocando no Credicard Hall, Tim Rice-Oxley entra correndo no palco e ataca seu piano como um Beethoven anfetamínico, abrindo espaço na base do susto para seus colegas do Keane.

A postura de desenho animado de Rice-Oxley, maltratando as teclas lunaticamente já nos dois primeiros hit, “Put it behind you” e “Everybody’s changing”, combina com o público que encheu a casa no segundo show da banda inglesa em São Paulo. Faz tempo que um show de rock na cidade não reúne uma porcentagem tão grande de crianças na platéia.

Keane @ São Paulo, foto Natalie Gunji

É sinal de que o trio inglês faz jus à fama que vem construindo, com suas melodias à base de pianos distorcidos, com um rock bonitinho e quase inofensivo. A falta de uma guitarra em fúria e a figura de rapazes bonzinhos dos integrantes produziu uma noite família, sem vontade de afrontar ninguém.

Não que eles se importem com isso, e nem deveriam. O Keane achou seu espaço, apesar das comparações pejorativas a Coldplay e U2 (que aparecem bastante na sonoridade da banda, mas não de um modo ruim), e não tem motivo para largar o osso.

E são competentes naquilo que fazem. O repertório dos dois shows paulistanos foi idêntico, misturando as faixas mais conhecidas dos seus dois álbuns, Hope and fears (2004) e Under the iron sea (2006), com tudo o que os fãs queriam ouvir. De “This is the last time” e “Somewhere only we know” a “Is it any wonder?” e “Bedshaped”, já no bis.

Falante, o vocalista Tom Chaplin se esforçou para agradar a platéia, com todos aqueles clichês de banda gringa. Falou português, jurou que aquela era a melhor noite de sua vida e, entre juras de amor e breve retorno, só faltou vestir a camisa da seleção brasileira que recebeu.

Assim como ele, o show é formatado para se mostrar dedicadíssimo à audiência. Uma plataforma deslocou o trio para tocar no meio da platéia – momento, aliás, das únicas cordas da noite, com um violão em “Your eyes open” e “Hamburg song”. E na introdução de “A bad dream”, um vídeo recitava o poema de W. B. Yeats (no qual a música foi baseada), com legendas em português. Tudo impecável no seu esforço de fisgar o povo.

O que falta no Keane, ironicamente, é emoção. Não se pode negar que a sonoridade da banda dá uma boa liga, mas Chaplin não parece sentir nada daquilo que canta, tornando tudo meio irreal na sua boa vontade. Coisa que até Chris Martin, seu predecessor de meia geração, consegue fazer melhor. E sem isso, o Keane acaba ficando relegado ao cargo de estagiários de sua linhagem britânica.

Los Hermanos, o fim

Tuesday, April 24th, 2007

Mesmo prometendo álbum novo pro segundo semestre e turnê para 2008, Los Hermanos anunciou um “recesso por tempo indeterminado” no seu site oficial, em nota datada de ontem, para que os integrantes cuidem de suas carreiras solo, que não existem oficialmente.

Para alívio dos fãs, garantem que continuam “jogando truco toda quinta-feira”.

Uma vez, lá pelo lançamento de Ventura, em 2004, eu disse que a banda não durava mais dois discos. Eu achava que Camelo e Amarante estavam tomando caminhos separados demais pra manter um grupo. Não publiquei em lugar nenhum na época, perdi a chance de ganhar fama de visionário.

Pena, mas eu acho é bom. Antes isso do que uma banda em processo de decadência.