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Publicados em February, 2007

Black is beautiful

16.02.2007 @ 17:40No Comments

Não gosta de musicais? Passe longe, que esse é genuíno.
Não gosta da Beyoncé? Não esquenta, você nem vai perceber que ela existe.
Não gosta das Supremes? Hein? 

Dreamgirls - Em busca de um sonho
(publicado originalmente @ Omelete) 

Seria muito fácil falar mal de Dreamgirls – Em busca de um sonho (Dreamgirls, 2007). Dizer que a produção suntuosa esconde um enredo que não aprofunda os sentimentos dos personagens. Que, na meia hora final, a história se perde. Ou cuspir que Beyoncé Knowles, como atriz dramática, é um ótimo corpinho.

Mas pra que estragar a festa? Dreamgirls não quer provar nenhum tipo de arte, e não precisa ser tratado como tal. É diversão e ponto.

Dreamgirls

Baseado no musical homônimo, que estreou na Broadway em 1981, o filme é uma bela revisão da música negra estadunidense de vinte anos antes, daquele momento crucial em que o cinismo tomou conta da música e resultou no cenário de hoje, com rappers movidos a peso de ouro e divas R&B insossas construídas com massa de modelar.

O enredo, importado da peça, adapta em um trio fictício a história de Diana Ross e as Supremes. O caminho é praticamente o mesmo: garotas de Detroit descobertas pela recém-inagurada gravadora Motown fazem sucesso com o ingênuo doo-wop da época. Logo depois, a líder que canta bem é trocada pela integrante mais bonita para que o grupo emplaque nas paradas pop. Daí vem a decadência, com o som do trio se moldando à moda musical da época, do soul à disco music da década de 70.

O papel da gostosa com voz sem graça, é claro, caiu no colo de Beyoncé. A ex-Destiny’s Child, apesar de ser a musa do cartaz, é a estrela mais apagada do elenco. Não é a toa que o filme perde boa parte da graça quando ela se torna a personagem principal. Beyoncé encarna com propriedade o novo momento da música negra, pasteurizado e chato, do qual é o expoente máximo hoje.

A concorrência da cantora-agora-atriz, que inclui Jamie Foxx e Danny Glover, não a ajuda. A novata Jennifer Hudson (que interpreta Effie, a gordinha que canta de verdade) rouba a cena assim que abre a boca. E Eddie Murphy alcança o grande papel dramático da sua carreira com seu cantor decadente, uma mistura de James Brown com Marvin Gaye.

Dreamgirls tem outros tantos pontos fortes além do elenco, como a direção de arte sensacional e os figurinos impecáveis. Para quem gosta das Supremes, vale prestar atenção para achar as dezenas de referências escondidas, nos vestidos das moças e nas capas dos discos. E o diretor Bill Condon, escolado depois de ter preparado o roteiro de Chicago (2002), consegue transferir o musical da Broadway com forca suficiente para a tela, não deixando espaço para o espectador pensar muito na história, costurada com as músicas possantes da trilha sonora.

Pelo menos é distração o bastante para diminuir a estrela superestimada de Beyoncé, uma mera coadjuvante dessa fantasia black, capaz de fazer todo mundo sair cantarolando feliz do cinema. Como nos bons e velhos tempos.

O inferninho e o infernão

12.02.2007 @ 13:47No Comments

É sempre bom quando abrem novos lugares em São Paulo. Elimina aquela sensação de “nada pra fazer nesta cidade”, pelo menos até a semana seguinte. Vi dois neste fim de semana, opostos, que valem a freqüência.

O Astronete, portica vermelha à Matias Aires, refresca o congestionado circuito da Augusta. Cerveja razoavelmente barata, balcão bacana, decoração retrô, bom som e - o melhor - ainda não foi descoberto pelo Xico Sá ou a Folha de SP. Logo, ainda não está cheio de gente. Funciona como uma Funhouse transitável e abre como boteco no fim das tardes. É só não ligar para a barata que passeia entre as garrafas que está tudo bem.

Já o Clash, projeto megalomaníaco do povo da Circuito, é outra coisa. Eu tenho uma certa birra com essa tendência de coisas acontecendo na região da Barra Funda, mas acho que se eu tivesse um carro o sentimento seria outro. O lugar ocupa um galpão no bairro, com pista gigantesca (ignore os lasers da iluminação), pé direito alto e lounge a céu aberto (lembra o do Vegas, se é que o de lá ainda existe). A solução de eliminar as comandas é prático, mas o ato de comprar fichinhas deve se tornar um problema quando já se passou da segunda dose de vódega. Só não saquei qual é a do tão divulgado “sistema de reconhecimento facial Cognitec”: além de não anotar meu sobrenome, a mocinha do caixa não teve paciência de explicar que eu tinha que olhar para a luzinha vermelha da câmera e fui arquivado com um rosto esquisitíssimo. Se o Pee Wee Herman passar lá e der o meu nome, acho que cola.

O xadrez é o novo preto

07.02.2007 @ 20:48No Comments

Essa é a típica matéria sem público alvo. Eu, até hoje, nunca conheci um metrosexual. Hetero, né? Que os outros já ignoraram tudo isso aí abaixo e estão vasculhando os brechós tentando achar qualquer retalhinho Burberry.

Sempre mais útil acompanhada das fotos.

O guarda-roupa masculino para o inverno 2007
(publicado originalmente @ Chic)

Não é de se espantar que os desfiles brasileiros não atraiam muito a atenção do grande público masculino. Enqüanto os centros da moda européia despejam dezenas de fortes coleções para homens a cada temporada, por aqui a coisa diminui cada vez mais.

Basta fazer as contas: para este inverno 2007, apenas cinco nomes fizeram desfiles exclusivamente para os rapazes. São Paulo ficou sem os ternos de Ricardo Almeida, sem o masculino de Fause Haten e sem Maxime Perelmuter, seu nome mais experimental. No Rio de Janeiro, curiosamente, as três marcas masculinas são novatas: os queridinhos da Reserva e, do Rio Moda Hype, R. Groove e Adpac, revelação da temporada. Restam os grandes nomes (como Alexandre Herchcovitch, Ronaldo Fraga, Osklen) e marcas que mostram coleções mistas (Sommer, Vide Bula, Forum, Cavalera…).

Também por isso, fica difícil detectar uma cartela de tendências para a moda masculina tão detalhada como a feminina. Talvez pelo momento difícil da indústria, o mercado se vê forçado a se colocar mais próximo do consumidor, sem grandes criações arriscadas.

Algumas tendências combinam com as femininas, ainda que de forma tímida, como o vinil e o metalizado. Ao contrário da silhueta seca das estações passadas, desta vez o justo vai ter que conviver com alguns looks oversized. Lavagens de jeans, apareceram claras e escuras. Os homens vão continuar usando blasers e coletes mas, agasalhando os looks mais esportivos, a hora é das parcas. Os tricôs fininhos da outra temporada deram espaço para o tricozão pesado em situações esportivas. Nos pés, destaque para as botas e coturnos.

Xadrez Burberry

Mas a grande estrela do inverno para eles é o xadrez, ocupando o espaço das listras, que mal aparecem. Do pied de poule ao cobertor Do Estilista, em look inteiro ou discretinho, a padronagem marcou presença em boa parte das coleções masculinas.

Paulo Francis vs John Lennon

04.02.2007 @ 17:024 Comments

Dez anos da morte de Paulo Francis, todo mundo por aí contando histórias (como Ivan Lessa aqui ou Ruy Castro ali). Eu, que nunca joguei pôquer com o velho, só lembro que passei a infância imitando seu jeito de falar das aparições na TV. Era bom nisso, acho.

Daí que chegou agora por e.mail (umas cinco vezes) o texto célebre de PF dissecando a imagem de John Lennon, publicado na Folha logo após a morte do cabeludo, no dia 09.12.80. Na época, Francis causou polêmica (duh) e virou inimigo público número 01 das viúvas do Beatle.

Eu não lembro, já que ainda nem borrava a fralda ouvindo Ray Conniff. Mas o texto é bom (duh), tá colado na íntegra aí depois do clique.

Cinco tiros abrem novos negócios
(Paulo Francis)

John Lennon, compositor, cantor, músico, o “pai” dos Beatles, foi assassinado à uma hora da manhã (hora de Brasília) de ontem, por um vagabundo, Mark Chapman, que disparou nele seis tiros de um revólver 38, acertando cinco. O crime aconteceu no saguão de um dos prédios mais famosos de Nova York, a oeste do Central Park, o Dakota (que a maioria dos brasileiros conhece como cenário do filme de Roman Polanski Rosemary’s baby, com Mia Farrow e John Cassavetes). Lennon estava acompanhado da mulher, Yoko Ono, e dois cavalheiros ainda não identificados. Chapman esperou por ele horas no saguão, sem ser incomodado pelos agentes de segurança do prédio (cuja maioria dos moradores é celebridade, gente como Lauren Bacall etc.) que provavelmente, como é freqüente em Nova York, estavam bêbados ou dormindo. Lennon tinha 40 anos. Chapman, de Atlanta, Geórgia, conterrâneo de Jimmy Carter, tem 25.

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Cat Power, trilha sonora de desfile, II

02.02.2007 @ 20:11No Comments

Quer Chan no desfile da Chanel? Nos primeiros dois minutos deste vídeo dá pra ouvir ela cantando “Naked if I want to”, do The covers record. Quer dizer, nos momentos em que a narradora não está tagarelando.