Archive for January, 2007

O maior espetáculo da Terra

Monday, January 29th, 2007

O título é batiiiido, mas é de coração. E sem fotos, que já está tudo no outro post.

Mutantes em São Paulo
(publicado originalmente @ Omelete)

Começo de noite em São Paulo, eles entram marchando no palco. Um Napoleão, um corsário e um padre, com fogos pipocando no fundo de cena, prontos para enfrentar o jardim elétrico do Parque da Independência, como se trinta e tantos anos fossem ontem, como se nada tivesse acontecido. Ah, baby, há quanto tempo. Os Mutantes estão ali, sorrindo e pulando, ante uma platéia que cresceu ouvindo sem saber os seus filhotes pelo mundo.

Certas coisas só se acredita vendo. Mesmo com as notícias de shows pela Europa e EUA, mesmo com um DVD recém-lançado, não me leve a mal, as provas não convencem. Ali era o verdadeiro retorno da verdadeira banda de rock brasileiro. Algo só comparável ao retorno dos Beatles – mas, pena para os ingleses, os nossos estão bem vivos.

A situação, num improvável túnel do tempo, remete ao começo dos anos 70. Rita Lee acabou de abandonar os microfones, mas foi substituída e a banda, apesar de algumas rugas aqui e ali, toca a sua boa vida. Uma fase chata progressiva? Brigas, acidentes, fofoquinhas? Vê, vê que tudo mudou. Está tudo bem, tudo bom.

O bom humor era patente ali, mesmo antes das risadas tresloucadas de “Dom Quixote”, a primeira música. Ninguém lembrava sequer do aniversário da cidade. Pra que? Estavam todos ali para ver Sérgio Dias empunhar sua velha guitarra, Arnaldo Baptista sentar-se sob seus teclados e Dinho Leme retomar as baquetas, nosso presente de ano novo. Ah, bicho, não chore ainda não. A coisa toda está só começando.

O show seguiu exatamente o mesmo setlist de 21 músicas do DVD, gravado no primeiro show em Londres, em 2006. Um difícil best of das grandes faixas mutantes. A vantagem é ignorar as chatices do registro, como as legendas erradas, o som dessincronizado ou as versões em inglês para gringo ver.

E se naquela época os Mutantes entraram no palco com um mês de ensaio corrido, aqui eles chegam louvados por meses de turnê pelos EUA. Mas não vêm afiados em tecnices, e se jogam no calor do momento. A quentura que faz Sérgio errar notas ou a letra de “Balada do louco”. Desbunde é emoção ou o quê?

A banda não é mais aquela, é verdade, e conta com o aparo de um grupo de apoio de sensacionais instrumentistas, mais dois backing vocals. Mas isso não é um demérito e torna toda a bagunça dos arranjos mais consistente e interessante.

E está tudo ali, como deveria ser, principalmente entre os dois irmãos geniais. Sérgio liga tudo com sua veia de maestro e mostra, na guitarra ou no violão, que não está entre os grandes guitar heroes brasileiros à toa. E Arnaldo, com seu jeito terno meio desligado, conquista qualquer um – o arrepio foi inevitável nos seus vocais solos de “Cantor de mambo” e “Dia 36”.

O fator delicado seria Zélia Duncan, recrutada para ocupar o espaço de Rita Lee. A vocalista original só apareceu nas capas dos livros e discos que os fãs empunhavam no lugar e – duro dizer isso – não fez muita falta. Zélia se provou a escolha perfeita para a vaga. Esperta, ficou no seu lugar de coadjuvante da glória, glória alheia. Não se intimidou com a missão e, ao mesmo tempo, não tentou puxar a estrela para si. Sua voz grave também não foi um problema, graças à ajuda preciosa da backing vocal. A moça é cantora versátil e vê-se que treinou a garganta para estar ali – preste atenção à sua performance de “Fuga n° II” para entender. Esquece, não pensa mais. Ela está onde deve.

Outro momento emocionante foi a participação de Tom Zé, que abriu a noite ao lado da Nação Zumbi. Tropicalismo na veia, ele veio e cantou suas duas canções “Dois mil e um” e “Qualquer bobagem” – a única que não está no DVD, em dueto torto com Arnaldo. Só faltou mesmo uma homenagem ao recém-falecido maestro Rogério Duprat, tão importante para a banda, pelo menos em “Panis et circenses”.

Como não podia deixar de ser, os Mutantes conquistaram as tantas mil pessoas que lotaram as margens do Ipiranga, finalmente retomando o seu lugar devido. Tanto que voltaram para dois bis, com outra chance de Sérgio errar novamente “Balada do louco”.

E quer saber? Nunca a letra dessa música fez tanto sentido. Brrlll.

A little spaced out

Friday, January 26th, 2007

Estou há horas falando que os Mutantes, ontem, fizeram o show da minha vida – e ninguém me leva a sério. Pois foi. Eu discorro depois, quando botar minhas idéias no lugar. Por enqüanto, vou entupir isso aqui de fotos mesmo. Hmm.

Mutantes @ SP, foto Gab Marchi 

Mutantes @ SP, foto Gab Marchi

Mutantes @ SP, foto Gab Marchi

Mutantes @ SP, foto Gab Marchi

Mutantes @ SP, foto Gab Marchi

Mutantes @ SP, foto Gab Marchi

Mutantes @ SP, foto Gab Marchi

Cat Power, trilha sonora de desfile

Tuesday, January 23rd, 2007

De repente, a moça é assunto recorrente. Chan cantou hoje, ao vivo, fazendo a trilha sonora do desfile de Alta Costura da Chanel, em Paris. Ela virou, desde o ano passado, queridinha do estilista setentão Karl Lagerfeld – que ajudou a hypar os Vive la Fête em 2002 usando a mesma fórmula.

Reza a lenda que quando Karl encontrou Chan pela primeira vez, ela estava esperando um táxi em frente a um hotel, cheia de malas, e fumando. Ele a abordou e disse algo do tipo “só mulheres conseguem ficar bonitas com um cigarro na boca”. Daí ela apontou as olheiras e respondeu: “mesmo com isso na cara?”. E pronto: a cantada mais canastrona de todos os tempos deu em uma amizade improvável.

Cat Power @ Brasil?

Tuesday, January 23rd, 2007

Diz que Cat Power deve descer até aqui muito em breve.
Diz que a própria Chan está se esforçando pra marcar esses shows.
Diz que ela já confirmou presença no carnaval carioca, em um camarote indie ao lado de Rodrigo Santoro.

Uma dessas frases é mentira. Eu não boto lá muita fé nas outras, mas vai que…

Pet Shop Boys @ Brasil

Monday, January 22nd, 2007

Os Pet Shop Boys fecharam cinco shows por aqui, em março. Começam no Rio (14 @ Claro Hall), passam por São Paulo (16 e 17 @ Credicard Hall), Belo Horizonte (18) e Porto Alegre (21) antes de ir pra Buenos Aires (que já é quase Brasil mesmo…).

Chance final pra quem, como eu, dispensou o show deles no Tim Festival de 2004 pra ficar surdo assistindo Mars Volta. Lembro que os sorrisos eram tantos naquele fim de noite no Jóquei que quase bateu um arrependimento. Só quase.