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Publicados em December, 2006

Seu Jorge, cara de poste

20.12.2006 @ 19:50No Comments

Quem andou pelas áreas centrais de São Paulo nas duas últimas semanas deu de cara com, pelo menos, uma dúzia de stencils misteriosos de um rosto familiar.

Seu Jorge, Sagatiba, foto Eduardo Viveiros

Depois de um tempo de pulga atrás da orelha, o mistério veio à tona. A fuça é de Seu Jorge, o nego brasileiro mais adotado pela finesse européia. A campanha agressiva - que se completou/explicou depois com lambe-lambes, postais e anúncios ‘normais’ - é da Sagatiba, auto-proclamada fina flor da cachaça nacional.

Eterna busca“, além de slogan da pinga, é o título da nova música do cantor, que já toca nas rádios e é carro chefe do seu novo álbum. Até aí tudo normal, se a campanha publicitária da marca não ultrapassasse as fronteiras do bom senso e se enfiasse no meio da faixa. Mas a bebida é a musa de inspiração da letra, declaradamente, com seu nome repetido várias vezes (dá pra ouvir - e baixar o mp3 - aqui).

Não quero discutir, porém, a esperteza sacana da Sagatiba (que ganha publicidade infinita sem gastar um puto, em teoria, com divulgação) nem a “integridade artística” de Jorge (que sempre achei um grande caso de superestimação sonora. E sua parceira com marcas não é novidade - ou você não lembra que o seu primeiro álbum só foi lançado por aqui em parceira com a grife Mandi, da qual ele foi garoto propaganda?).

O problema, aqui, é que marketing de guerrilha tem limites. E a cachaçaria ultrapassou a todos, estampando o cantor estilizado em um número surreal pela cidade. Aqui na Vila Madalena, onde também fica a casa brasileira do rapaz, é uma overdose: postes em seqüência; tapumes com dois, três, quatro em uma esquina; nem muros residenciais escaparam, o que já vira sacanagem das brabas.

A pergunta que fica é: no fim das contas, quem paga o pato? E a tinta?

Seu Jorge, Sagatiba, foto Eduardo Viveiros

Afinal, encarar Seu Jorge todo dia de manhã no caminho do trabalho é dose pra leão.

Sem mais

17.12.2006 @ 20:41No Comments

Já viu a capa do Mais! de hoje? Na onda de matérias de encerramento de ano, o caderno da Folha publicou o seu 100 +, convocando especialistas a indicarem os cinco tópicos “que irão dominar o debate em suas áreas” - presumivelmente em 2007, mas nada ali especifica.

Alguns temas mereceram mais de uma lista, caso da música. O bizarro é que o jornal chamou Livio Tragtenberg, com sua especialização mais ligada à “alta cultura”, e o DJ Renato Lopes. A segmentação deixa de lado a movimentação da cultura pop e, por conseqüência, gera uma distorção sem tamanho.

A lista de Tragtenberg é bem respeitável (puxa a sardinha a Mario de Andrade, Duprat e Elsie Houston), mas se detona ao levantar a bola do “rap feminino”. Sua recomendação, via a grife global Antônia, louva “a mulher negra cantora e compositora de rap” sem dar muita atenção à qualidade dessa nova chatice mercadológica inflada pela emissora carioca. Ir contra o “universo racista e machista”, realmente, é das últimas coisas que precisam de atenção ali.

Lopes, por outro lado, me deixou com medo do ano que vem. Se uma das cinco grandes coisas de 2007 na música eletrônica será mesmo a terceira (!) edição de remixes da trilha sonora de Cidade de Deus, com Felipe Venâncio no meio, eu acho que prefiro pular diretamente pra 2008. Cruzes.

Øye como va mi ritmo

16.12.2006 @ 01:232 Comments

Acabei de sair do show solo de Erlend Øye no Studio SP e confesso: ainda não saquei o motivo de tanto frisson. Só por ele ser norueguês e ter óculos estilosos?

Erlend Øye @ Studio SP, foto flickr.com/sampaist

Casa cheia, insuportável como anteontem, para um show arrastado e sonolento. Nada que combine com uma sexta-feira à noite. Convenhamos, Erlend não é conhecido por ser um grande violonista. Uma apresentação do rapaz à la banquinho e violão, portanto, não funciona tão bem como deveria. Em 2004, quando ele fez um luau em Ipanema (ao lado do outro King of Convenience, Eirik), dizem ter sido incrível - e não duvido, é só assistir aos vídeos aqui, aqui e aqui. Agora, no palco, a banda fez muita, muita falta.

Mas todo mundo aplaudiu, de qualquer forma. Mesmo que ele tenha dado chiliques (compreensíveis) em Curitiba pelo barulho do público e pedido para que o Studio não abrisse o bar da pista (o que foi devidamente ignorado). Afinal, ele é norueguês e tal.

Erlend Øye @ Oscar Freire, foto divulgação

Fato é que o rapaz gosta tanto do Brasil que está em vias de se tornar figurinha carimbada. Na quarta-feira, anunciou que pretende ficar um tempo por aqui, disse que Eirik também vem e que talvez role um show conjunto. Já foi visto circulando pimpão no mondo hype Oscar Freire (a foto acima é de um coquetel na semana passada) e deve apresentar pockets em qualquer lugar que lhe oferecerem um pouco de silêncio (difícil…).

De tão rodado, daqui a pouco começam a falar mal. Afinal, porra, o cara é norueguês e usa uns óculos bem feios.

Bagel pop

15.12.2006 @ 22:31One Comment

Yummy.

Bagel pop
(publicado originalmente @ Chic) 

De Woody Allen e Dorothy Parker a Bob Dylan, Roy Lichtenstein e Scarlett Johansson, não é de hoje que os judeus nova-iorquinos movimentam a base da cultura pop mundial. Maior concentração judaica fora de Israel, a cidade estadunidense recebeu forte influência dos seus costumes – além da arte e do pensamento, principalmente no seu estômago. Se Paris é conhecida pelos seus croissants, Nova York tem um gigantesco bagel dentro do seu imaginário.

Nada mais lógico, então, que um restaurante especializado nesse pão tradicionalmente judeu ganhe o nome de Pop’s Bagels & Coffee. Ocupando há um ano uma casa pequena na Bela Cintra, afastada da movimentação central dos Jardins, o lugar vem ganhando fãs a cada dia, com suas mesinhas ao ar livre e decoração que remete (claro!) à pop art.

Capitaneado pelo chef Cássio Machado (conhecido pelo B&B Burger Bistrot, ali ao lado), o fast food de luxo do Pop’s tem um pequeno cardápio, onde o sanduíche no bagel é a grande estrela. Apesar das variações nos recheios (como pastrami, rosbife ou o vegetariano, com legumes grelhados), a pedida recomendada é o tradicional lox (iídiche para salmão). Na receita mãe dos sanduíches judeus, o peixe defumado é servido com cream cheese, cebola e tomate (R$ 15). Mas se o sabor é certeiro, difícil é escolher o tipo do pão. A gente indica o coberto com sementes de papoula, mas ainda tem o tradicional, o integral, com parmesão, gergelim…

Sanduíche lox, foto Charles Naseh

Se quiser arriscar menos, já que o paladar brasileiro não é tão familiarizado com o massudo bagel, ou se a fome não for tanta, tente o cachorro quente próprio da casa, servido no pão preto (cerca de R$ 8). É a desculpa perfeita para dar uma olhadinha na prateleira que fica logo na entrada, repleta de mostardas de diversas marcas e origens.

Visitar o Pop’s é uma ótima oportunidade para os góis, como são chamados os não-judeus, conhecerem um pouquinho da culinária desse povo. Aproveite que o Chanucá, a festa judaica de oito dias do final do ano, começa hoje e erga um brinde a eles.

Pop’s Bagels & Coffee
Rua Bela Cintra, 1541 – Jardins
Tel 11 3063 5232

Jens Lekman @ SP, segunda chance

14.12.2006 @ 03:17No Comments

Diz que ele vai tocar de novo em São Paulo no finalzinho da tarde de sábado, mais Erlend Øye. A confirmação (ou não) deve vir mais tarde. Tiliga.

Update: hmm, esquece esse post.