Party monster é um filme-documentário que retrata a ascensão e queda do super-promoter Michael Alig durante a cena clubber do fim da década de 80/começo da década de 90. Logo, o mais óbvio é que a trilha sonora seja uma cuidadosa compilação do melhor e mais marcante que apareceu nessa época, certo?
Certo. E errado.

Contrariando todas as expectativas, o CD não é lá um grande documento sobre o que foi realmente trilha das festas promovidas por Alig. A época, que ocupa menos da metade do CD, está representada por sucessos que chegaram a tocar até nas FMs brasileiras. “Go”, hit do grupo Tones on tail, é um exemplo.
Ainda dos anos 80, podemos destacar a piração teatral de Nina Hagen em “New York, New York”; “Two of hearts” da Stacey Q, cantorete à la Madonna de um hit só, e a ótima “How to be a millionaire”, synth-pop do ABC, grupo famosíssimo na época e que tem uma sobrevida até hoje.
No resto do CD - surpresa! - o hype aparece. Com toda essa onda de revival que invadiu a música, nada mais atual na produção eletrônica do que os anos 80. Ou seja, o tão infame electroclash. Artistas moderninhos fazendo músicas com cheiro de velhas. Tem de WIT (com a lentinha “Inside out”) a Scissor Sisters (e a chata “It can’t come quickly enough”), passando pela manjada “Frank Sinatra”, de Miss Kittin e The Hacker.
“You’re my disco”, do Waldorf, é a mais divertida das novas e, assim como Ladytron (”Seventeen”), merece atenção. Felix da Housecat marca presença com o remix da música “cantada” pelo elenco durante o filme (”Money, success, fame, glamour”). E Marilyn Manson estendeu sua participação especial à trilha, gravando com seu alter-ego Christina a música “The la la song”, divertida e só.
A seleção das faixas parece se preocupar mais em combinar o título e as letras das músicas com o contexto do filme do que em recriar qualquer ambiente. Mas, apesar de mediana, a compilação funciona. Principalmente pra quem sofre de nostalgia.
(publicado originalmente @ Omelete @ 03.2004)

