Alguém avise a prefeitura do Rio de Janeiro: depois da passagem dos Beastie Boys pela Marina da Glória, os edifícios da região ao redor precisam de uma análise urgente das suas estruturas, abaladas pela pancadaria sonora produzida pelo grupo.
E isso não é um exagero. Assim que o DJ Mix Master Mike assumiu suas picapes, os graves começaram a estourar as caixas de som e a caixa torácica do público. A coisa era tão violenta que fazia voar, a cada batida, garrafas jogadas no chão perto do palco. Até uma pobre borboleta, surgida sabe-se lá de onde, se esforçava para fugir dali.
Os incautos que permaneceram na platéia receberam um show fenomenal, assim que os três vocalistas da banda assumiram os microfones. Onze anos depois de sua primeira passagem pelo Brasil, os estadunidenses mostraram que estão mais em forma do que nunca. O difícil era definir se aquilo era hip hop, punk, hardcore ou o que.
Tarimbados, Mike D, MCA e Adrock encarnam seus títulos de Mestre de Cerimônias. Sem parar de falar um minuto, vestidos de terno e gravata à la gangsta, revezavam a verborragia entre as músicas e interagiam com a platéia, seduzindo qualquer mortal. Não que eles precisassem de muito esforço, já que entraram no palco com a taça na mão.
O público da noite hip hop do festival, aliás, era o mais unido e empolgado de todos. Ponto talvez para a escalação do palco, única que fez algum sentido nos dois ambientes não-jazz do evento. A noite começou com o sensacional Instituto, com seu rap disparado sobre uma base não ortodoxa que inclui até um flautista, e o morno interlúdio do DJ Shadow, que falou demais e empolgou demenos.
No repertório dos B-Boys, os clássicos supremos da longa carreira dos rappers – “Time to get ill”, “The skills to pay the bills”, “No sleep till Brooklyn”, “Body movin’”, “Intergalactic” – mantiveram a energia no topo. No bis, voltando ao palco em formação de banda, com baixo-guitarra-bateria, detonaram com “Sabotage”. E a pobre da Guanabara nunca mais será a mesma.
(publicado originalmente @ Omelete)
