Skip to Content Skip to Search Go to Top Navigation Go to Side Menu


//@ Omelete, auto-clipping, música

Timfa 06: o cê de Caê

31.10.2006 @ 22:40

Em 2005, Caetano Veloso foi uma das grandes atrações paralelas do Tim Festival. Genuinamente interessado no que acontecia por ali, acompanhou (e comentou, como é seu praxe) os shows indies dos Strokes, Vincent Gallo e Arcade Fire e participou de uma reunião íntima com o povo do Wilco. E nem ligou para o olhar torto dos roqueiros, desagradados pela sua versão de “Come as you are”, do Nirvana, gravada no disco A foreign sound, do ano anterior.

Agora, um ano depois, Caê volta ao Tim com… um disco “indie”. O recém-lançado relê a verve poética do compositor baiano com uma crua sonoridade rock, liderada pelo músico carioca Pedro Sá. Apesar de ótimo, o álbum levantava algumas dúvidas sobre se o cantor conseguiria segurar, ao vivo, a peteca distorcida de sua nova fase.

Classificado como “cantor pentelho de MPB”, já faz tempo que Caetano está afastado da massa jovem. Um sintoma disso era as vaias maciças do público do palco Lab, na sexta e no sábado, quando as caixas de som anunciavam sua apresentação no festival. Escalado de última hora, o cantor foi responsável pelo encerramento do Tim, já na segunda de madrugada, levando vantagem por não compartilhar a platéia com nenhum outro nome. Só restaram os fãs e os curiosos dispostos a uma colher de chá.

Apesar de seus trejeitos e maneirismo vocais tão identificados com as duas últimas décadas como bastião da MPB, o baiano fez a fórmula de seu novo rock funcionar ao vivo, lembrando seus bons tempos de moleque tropicalista, com o apoio de sua competentíssima banda púbere (além de Pedro Sá, o baterista Marcelo Callado e o baixista Ricardo Dias Gomes).

Ao vivo, soa como em estúdio, cruel nas guitarras violentas. Destacaram-se, como no disco, as ótimas “Minhas lágrimas” (pós punk com bateria de bossa nova), “Homem”, “Não me arrependo”, que é quase loureediana, e “Rocks”. Em “O herói”, seu quase rap, Caê cedeu e apelou para uma cola para acompanhar a letra gigantesca – aproveitou para inserir um tom raivoso, melhorando a música.

Pela quantidade de fãs na platéia, fica difícil saber se a nova sonoridade do cantor seria aprovada por um roqueiro comum. Mas ali, com essa apresentação histórica, Caetano saiu consagrado. E foi forçado a um bis, improvisando com “You don’t know me” e “Nine out of ten”, com um pedacinho de “Mora na filosofia”, todas do clássico Transa (1972) e “Como dois e dois”, gravada por Roberto Carlos em 1971. Surpresas para encerrar o festival em altíssimo estilo, enquanto o sol já despontava lá fora.

(publicado originalmente @ Omelete)

Leave a Reply


In order to submit a comment, you need to mention your name and your email address (which won't be published). And ... don't forget your comment!

Comment Form