No sábado, enquanto os pernambucanos do Mombojó ganhavam a merecida consagração – agradando até Karen O, dos Yeah Yeah Yeahs, que surgiu no canto do palco e dançou escondida – os curitibanos do Bonde do Rolê enfrentavam sua prova de fogo. O trio, que tem seu som calcado no funk carioca, nunca havia se apresentado no Rio de Janeiro.
Surgido há pouquíssimo tempo, febre instantânea entre os indies, o Bonde ganhou as graças do DJ Diplo, que levou embora a banda para uma turnê no hemisfério norte, nas asas do sucesso do funk entre a gringaiada.
De volta ao Brasil, os três mostraram que a viagem fez bem à banda. A grande piada interna, que remixa o ritmo carioca com samples de Alice in Chains a Caetano Veloso sob letras impublicáveis, evoluiu para uma grande piada interna já calejada e com confiança no próprio taco. Nem o nervosismo de ser atração em um grande festival atrapalhou.

A platéia parece ter aprovado a apresentação, que ganhou a participação da funkeira local Deise Tigrona (que brilhou na apresentação de MIA, na versão 2005 do Tim). No chão, apesar da presença maciça de paulistanos, os cariocas se divertiam. Colados à grade, seguranças, faxineiros e os promotores de um dos patrocinadores do festival (que, em teoria, deveriam estar do lado de fora do palco) se acabavam de dançar. E até dois policiais militares, que estavam ali para conferir a apresentação subversiva, sorriam.
Como disse mais tarde um taxista, que também estava ali no meio: “já é, sangue bom”.
(publicado originalmente @ Omelete)

