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Publicados em September, 2006

Apollo Nove @ Auditório do Ibirapuera

24.09.2006 @ 23:28No Comments

De cara, não consigo me lembrar de um show nacional recente que me tenha deixado sem fôlego. São poucos os que têm o efeito que a apresentação de Apollo Nove, há pouco, estreando o seu Res inexplicata volans em São Paulo, conseguiu.

Apollo Nove @ Auditório do Ibirapuera

No palco, Apollo (no canto desfocado à direita aí na foto) tocou ao lado do duelo baterista João Parahyba-Iggor Cavallera, o baixista Marinho e o DJ Zegon, relegando todos os vocais (e mise-en-scène) nas mãos da musa Thalma de Freitas.

As músicas do disco se misturaram em uma jam foderosa, uma festinha entre amigos, com momentinhos bossa e cantos de rock doloridos (literalmente, principalmente na guitarra do rapaz, que deixou todo mundo surdo).

Sem fôlego e sem palavras.
Putaquepariu, talvez?

Paisagem costurada

23.09.2006 @ 22:18No Comments

No começo da tarde, olhando a área nobre dos Jardins de uma varanda no oitavo andar, me dei conta mais uma vez do quanto São Paulo pode ser bonita vista de cima. É tanta árvore que a área faz jus ao nome, indo pro horizonte e se conectando com o Parque do Ibirapuera. E é um respiro, pra quem passa os dias fazendo o trânsito do chão, com o visual tosco das avenidas da cidade.

Algumas horas depois, passeando pela Paulista, dei de cara com uma exposição sensacional no espaço cultural da Caixa, dentro do Conjunto Nacional: Você está aqui, com fotos de Cristina Guerra e a arte sempre divertida de Paulo Von Poser.

Você está aqui 

O mote da expo, inaugurada hoje, vem do aniversário de vôo de Santos Dumont. A dupla passou dias fotografando a cidade do alto, embarcados no dirigível da Goodyear que todo paulistano conhece.

Já reveladas, em diversos suportes, as imagens sofrem intervenções - bordados, pinturas, coloridos e as já habituais flores de Von Poser - e são anexadas a fotos, pensamentos, poemas e letras de música de personalidades da cidade - de Mário de Andrade a Lina bo Bardi e André Abujamra.

Ficar ali flanando por elas, descobrindo um detalhezinho a mais a cada olhada, é uma terapia pra quem está pela Paulista e quer se livrar do metrô lotado ou do trânsito infernal. E muito mais fácil do que conseguir subir em uma varanda nobre do oitavo andar dos Jardins.

O diabo veste Prada

22.09.2006 @ 13:573 Comments

Preguiça de fazer introdução ou um título divertido. Então vai aí, resenha do filme-mulherzinha que estréia hoje.

O diabo veste Prada

O diabo veste Prada
(publicado originalmente @ Omelete)

Para quem nunca folheou uma revista Vogue, uma contextualização se faz necessária. O mundo da moda é um dos poucos onde os jornalistas estão no topo da pirâmide de importância. Dentro dessa organização, construiu-se uma espécie de mito moderno, as intocáveis Editoras de Moda. Falando de uma maneira rasa, são elas as responsáveis pela análise do trabalho semestral dos estilistas e, mais que os departamentos de marketing das grandes maisons, cuidam da divulgação (ou da execração pública) do que aparece nas passarelas.

No circuito fashion internacional – que, mais que um monte de desfiles afrescalhados, é uma indústria que movimenta bilhões de dólares ao ano –, uma dessas Editoras personifica toda a mitologia da classe: Anna Wintour, chefe suprema da Vogue America há quase 20 anos. É a mulher mais poderosa, no comando da revista mais influente no meio. Na cadeia alimentar, é ela quem dita o que vai ou não entrar no guarda-roupa de quem está disposto a pagar. E se você é um estilista, seu pesadelo diário é estar nas graças de madame Wintour e seus indefectíveis óculos Chanel.

Pois é sobre ela que O diabo veste Prada (The devil wears Prada, 2006) se constrói. Lauren Weisberger, a autora do livro que deu origem ao filme, trabalhou como assistente de Wintour por alguns meses antes de largar tudo e desembarcar com sua semi-biografia nas livrarias.

A escritora jura que não se baseou em sua vivência com Wintour para o livro, mas as “coincidências” no enredo são um prato cheio. Nele, ela vira Andy Sachs (Anne Hathaway), universitária recém-formada que sonha em ser escritora e colaborar em revistas como a New Yorker e que cai de pára-quedas na redação da Runway, a maior revista de moda de todas. Contratada como assistente da editora-chefe, Miranda Priestly (Meryl Streep), Andy tem que lidar com os seus caprichos, exigências e chiliques, tentando sobreviver em um mundo à parte do seu.

No fundo, é toda uma grande discussão sobre a adaptação do ser humano ao meio, sobre as concessões que todos fazemos para encarar a vida real e o quanto isso afeta nossa própria dignidade.

Mas se o livro original é diversão genuína para quem não se importa em atravessar um calhamaço de marcas e grifes a cada duas páginas, o filme se perde na adaptação. A Andy original – uma cínica que passa todo o tempo maldizendo sua chefe, trabalhando contrariada em um lugar que não consegue entender, usando tudo como um mero atalho na carreira – é traduzida como uma pós-adolescente boba demais, incapaz de aproveitar o que há ao redor e que acaba se deslumbrando com o mundinho fashion.

A produção também desperdiça a personagem sensacional de Miranda, na mania pentelha de Hollywood de humanizar até a mais irritante das ditadoras. Meryl Streep, inspiradíssima, construiu uma bitch odiável, ao nível das piores figuras de Bette Davis. Mas se no papel a editora sai incólume como o monstro desprezível que é, na tela ela ganha contornos quase… sentimentais.

O diabo veste Prada acaba soando como uma versão mordernizada de Uma secretária de futuro (Working girl, 1988). Na época, Melanie Griffith batalhava com Sigourney Weaver pelo sonho yuppie, ainda em voga nos EUA. Hoje, o filme manipula arquétipos e divide as garotas americanas em dois grupos: as que sonham trabalhar com moda e as que absolutamente não querem, mesmo que não soubessem disso até assisti-lo. Mas, no fundo, não passa de uma produção à la Sessão da tarde.

Portanto, se você é do tipo que lê Vogue, é aconselhável deixar o filme para lá e se divertir com o livro. Vá ao cinema somente por Meryl Streep, pelo figurino fabuloso de Patricia Field e pelas piadas e insinuações que só quem acompanha o microverso fashion vai entender. Mas se você não sabe diferenciar um casaco Prada de um Dior, não espere grande coisa.

KT no guarda-roupa

22.09.2006 @ 13:22No Comments

Algumas estratégias de marketing das gravadoras são tão descaradas que dá pra pegar no ar.

Vide KT Tunstall, escocesa que saiu com seu primeiro disco em 2005, e o esforço da EMI em ligar a moça ao mundinho da moda.

“Suddenly I see”, single lançado no comecinho deste ano para promover a edição de Eye to the telescope nos EUA, caiu em pelo menos dois lugares: virou música tema da mocinha de O diabo veste Prada, que estréia aqui hoje, e do núcleo de modelos de Belíssima, novela global que estreou em novembro passado.

Pelo menos a música não é ruim.

Nação Zumbi @ VMB (se não tem tu, vai tu mermo)

20.09.2006 @ 23:453 Comments

O VMB, que acontece daqui a uma semana, vai tomando forma real. Daniela Cicarelli trepou na praia à vista de toda a Internet e é uma das apresentadoras - espera-se que consiga rir de si mesma e suba ao palco de biquíni. Caetano Veloso enfrenta a juventude MTVesca com seu disco indie. E a Living Things, uma banda dos EUA que (uau!) é realmente boa, também toca na noite da premiação.

Ao mesmo tempo, histórias dos bastidores começam a circular pela cidade. A que acabei de ouvir vem da Nação Zumbi - aka a melhor banda brasileira do mercadão, eu diria - que também é atração.

A MTV queria de qualquer jeito escalar os recifenses. Mas também queria colocá-los no palco em dueto com mais alguém, formatando outra daquelas costumeiras jams do VMB que raramente dão certo.

Tentaram emplacar Marcelo D2 nos microfones. A resposta foi um sonoro “nem fodendo”.
Segunda opção, Falcão. Mesma reação.

Chorão ligou pessoalmente, dizendo que “adoraria tocar com a banda” (provavelmente não com essas palavras, tá ligado?), o que deve ter feito Jorge Du Peixe ter pesadelos por uma semana.

Opção vai, opção vem, os produtores de ambos os lados absolutamente histéricos, surgiu o nome de Pitty, que acabou sendo aceita pelos zumbis.

E o ápice dessa história, só quinta-feira que vem. Será que a baiana agüenta, sem levar um atabaque na cabeça?