Dois exemplos recentes de textos nonsense em espaços nobres da imprensa cultural:
Um. Tirando o atraso dos jornais, li a coluna de Thiago Ney na Folha de sexta-passada. Ele, que ocupou o espaço semanal dedicado ao último grito do hype, fundamentado no jornal por Lucio Ribeiro, se esforçou no quesito ‘opinião bizarra’. Aspa:
“Ok, Bob Dylan é lenda, e Modern times está longe de ser ruim, mas… Será que o mundo precisa tanto assim de um novo disco do Bob Dylan? (se fosse o New Order, tudo bem, claro). O que eu sei é que sempre precisamos de bandas como Automatic e Be Your Own Pet. Bandas jovens que fazem música para jovens. No festival de Leeds, na semana passada, teve gente que ficou para fora da tenda de 8.000 pessoas. Dentro, adolescentes gritavam suas músicas. Tudo bem novo, tudo bem 2006.”
Aí fica a pergunta: o que importa é o novo pelo novo? Sem análise de valor? Não quero endeusar Dylan ou detonar a BYOP, mas…
E afinal, se pegarmos a última frase e substituirmos o personagem (que não dá pra entender qual das duas bandas é), o contexto cai como uma luva em Milli Vanilli. Ou, sei lá, Menudo.
Dois. Na Bravo! do mês, José Flavio Junior dedica uma página a Regina Spektor. E diz, aspa:
“Certos artistas não ficam bem em prateleira alguma. Você tenta associá-los a um gênero, a uma cena, a uma tendência moderna ou revivalista… Só que nenhum rótulo satisfaz. Claro que, em 2006, essa é uma espécie bastante rara.”
Rara onde? Opinião é opinião, OK. Mas um embasamento histórico, às vezes, ajuda. E esse parágrafo cai por terra assim que a gente começa a dissecar o conteúdo das estantes de qualquer loja de discos.
Ou sou eu que vivo em um universo paralelo?


September 6th, 2006 at 1:58 pm
Não vive em universo paralelo, não.
Eu li e pensei o mesmo. Tsc, tsc.