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Publicados em August, 2006

Blog de rua

25.08.2006 @ 00:562 Comments

Esse assunto dá pano pra manga, se alguém se dispuser a analisar. Mas por enqüanto vai um textinho rápido - o espaço não é dos maiores e o tempo também foi curto.

Street blogs, foto Face Hunter

Blogs mapeiam o estilo das ruas
(publicado originalmente @ Chic)

Ignore a passarela e olhe pela janela. Muitas vezes esquecida no cotidiano, é sempre bom lembrar que é na rua que a moda tem sua prova de fogo. É na calçada, mais que nos tapetes vermelhos, que as tendências realmente funcionam - ou não. E é essa criatividade anônima que também alimenta a criação dos estilistas, que atualizam o pacote e o jogam de volta nas ruas.

Hoje, com a crescente utilização dos blogs, pipocam sites pela internet que registram o estilo do cidadão comum, já apelidados de street-style blogs. Mas esse tipo de apontamento não é novidade. As grandes marcas sempre quiseram manter um olho aberto para essas tendências espontâneas – e os escritórios de coolhunting, com seus agentes caçadores de tendências e lifestyle, já fazem esse serviço há anos.

A diferença agora é que essa nova pesquisa é feita por gente comum, despretensiosamente, sem o olhar viciado dos insiders e sem longas análises. O que importa é imagem, e as conclusões ficam por conta dos leitores.

Blogroll

. Face Hunter - é o meu preferido e um dos mais famosos. Quem alimenta é Yvan Rodic, um suíço, radicado em Paris, que viaja pela Europa de máquina fotográfica na mão.

. Hel Looks - outro dos badalados, registra a juventude cool de Helsinque, capital da Finlândia.

Tokyo Street Style - a navegação é bem chata, mas os japoneses, mestres da moda de rua, não podem ficar de fora.

The Clothes Project - traz fotos de Singapura, e se esforça em decifrar o look e o personagem registrado.

Stiliberlin - os jovens alemães sabem das coisas.

Moscow Street Fashion - tem legendas em russo, mas isso não atrapalha.

City Runway - de Buenos Aires.

São Paulo Style - foi encontrado por acidente, mas vale o registro só por ser da vizinhança. Ainda pouco atualizado, tem fotos na Galeria do Rock, na Paulista, no Ibotirama…

The Sartorialist - o mais falado de todos, que vem de Nova York e é mantido por Scott Schumann. Ficou ainda mais famoso por fazer a cobertura da temporada de desfiles masculinos para o site da Vogue America. O acordo deu tão certo que Schumann já foi contratado para cobrir os femininos também, em setembro.

Esses são só alguns pinçados. É so começar a navegar que eles aparecem às dúzias.

Da vanguarda brasileira

25.08.2006 @ 00:45No Comments

Mais um documentário brasileiro que estréia nesta semana. Desta vez o assunto é Gilberto Mendes, compositor genial que ninguém conhece. Mas devia.

A odisséia musical de Gilberto Mendes
(publicado originalmente @ Omelete, republicado @ Bala)

“Música nova: procura de uma linguagem direta, utilizando os vários aspectos da realidade (física, fisiológica, psicológica, social, política, cultural) em que a máquina está incluída. Extensão ao mundo objetivo do processo criativo (indeterminação, inclusão de elementos ‘alea’, acaso controlado)”.

Esse é um pequeno trecho do Manifesto Música Nova, publicado em 1963 e assinado por um grupo de maestros e compositores essenciais à cultura nacional moderna, como Rogério Duprat, Júlio Medaglia e Willy Correia de Oliveira. Neste grupo estava também o criador santista Gilberto Mendes, tema central do filme que carrega seu nome.

Street blogs, foto Face Hunter

Mendes, hoje com mais de 50 anos de carreira, é uma encarnação da vanguarda brasileira. Aluno de Stockhausen, começou suas composições de destaque ao lado dos poetas concretos (Haroldo e Augusto de Campos, Décio Pignatari), partindo do movimento serialista para construir uma identidade própria, pervertendo a música clássica com elementos estranhos a ela (como a própria eletrônica, a performance teatral ou as construções aleatórias) e ganhando gigantesco respeito por quem acompanha o mundo da música de alto repertório.

Além de ser uma homenagem ao compositor, A odisséia musical de Gilberto Mendes tem a missão complicada de explicar esse universo a toda uma geração que não convive com agitações vanguardistas, tendo contato apenas com uma produção que sempre remói algum elemento do passado, e relega toda essa mitologia a um público ínfimo.

Baseado no excelente livro de mesmo nome, fruto da tese de Mendes sobre sua própria carreira e há muito tempo fora das prateleiras, o filme adota uma linguagem didática. A personagem principal é a neta do compositor, que costura a busca do documentário pela compreensão da figura do avô. Daí seguem vídeos de arquivo com apresentações, mesclados a depoimentos de amigos e entusiastas da obra e as deliciosas memórias do músico – que, de sisudo não tem nada.

Coisas como “vanguarda” e “alto repertório” realmente assustam a platéia leiga. Mas A odisséia serve para desvendar uma personalidade que deveria ser mais digerida pela cultura nacional. Para além de mero compositor, Gilberto Mendes é potencialmente pop, assim como sua obra. Suas composições fogem do simples instrumentalismo enfadonho. Vide “O último tango em Vila Parisi”, por exemplo, onde ele choca por colocar o maestro dançando um tango minimalista com uma das violinistas. Ou “Santos footbal music”, que depende da interação da platéia para transformar a câmara em um estádio de futebol. Ou ainda “Beba Coca-Cola”, construído sobre poema de Décio Pignatari, uma de suas peças mais famosas.

São apenas rápidos exemplos de uma grande carreira, empoeirada pelo preconceito e pela falta de atenção maciça. Uma carreira que faria muito bem à produção musical do país. Afinal, olhar para o próprio umbigo, às vezes, faz bem.

A escalação do Tim 2006

24.08.2006 @ 13:009 Comments

Saiu, saiu, saiu. Chegou aqui agora o rol com as atrações oficiais do Tim Festival 2006. Nada de Clap Your Hands Say Yeah, Goldfrapp, Morrisson ou Radiohead (tá, esse último foi piada).

Do que vem pro Rio, que abriga a veia principal do festival, poucas surpresas. Aí embaixo:

. Amadou e Marian
. The Bad Plus
. Beastie Boys
. Black Dice
. Daft Punk
. Devendra Banhart
. Patti Smith
. DJ Shadow
. TV On The Radio
. Yeah Yeah Yeahs

. Bonde do Rolê
. Céu
. Instituto
. Marcelo Birck
. Mombojó

Lembrando sempre que esses são dos dois palcos pop/rock. Ainda tem Herbie Hancock e Maria Schneider no lineup jazzy e Jason Forrest no after eletrônico.

Agora é o momento de começar a sofrer por causa dos horários encavalados dos dois palcos. Daft Punk ou Devendra? YYY ou TVotR?

Além do Rio, o Tim se estende para São Paulo, Vitória e Curitiba. Tem toda a agenda aí embaixo, depois do link.

(more…)

“Estou crazy com o Diplo”

23.08.2006 @ 19:292 Comments

À vista, temos dois nós no cérebro coletivo: o primeiro é “Crazy”, dos Gnarls Barkley, que já é febre faz tempo e ganhou dúzias de covers (desde a chata dos Raconteurs até a massa de Nelly Furtado, todas disponíveis pela web).

A outra é o funk carioca, reprocessado por brasileiros lá fora na base de muito fermento hype - boa parte dele culpa de Diplo, ex-MIA, atual namorado de Cansei de Ser Sexy e Bonde do Rolê e tal.

Daí chegamos ao novo brainstorm do próprio DJ, que misturou uma coisa com a outra e jogou no seu MySpace. Passatempo de pouco mais de um minuto, ele mistura os Barkley com uma letra em português e batida genérica do funk. Precisa mais? Ouve aí no play e rebola.

Dois textos rabugentos

23.08.2006 @ 05:182 Comments

Links guardados durante a semana em que estive offline, dois textos ranzinzas e realistas - concorde ou não com as opiniões.

No primeiro, o homem de teatro Mario Bortolotto faz um relato reclamão e idoso sobre uma noite no Berlin. Aspa: “Enfim, sou um velho chato pra caralho. E ninguém tem nada a ver com isso.” No blogue dele - não dá pra linkar o post diretamente, então desça o scroll até o penúltimo texto, Berlin nunca mais.

O outro começa mal - é mais uma daquelas matérias sobre cultura da Veja, assinadas por Sérgio Martins. Em O túmulo do reggae, ele faz um DNA de dois parágrafos, esculhambando (não sem razão) o reggae nacional. Aspa: “A base do reggae jamaicano é a sonoridade do baixo. O reggae brasileiro é diferente – todas as canções têm de ter uma levadinha dengosa de violão. Isso porque os fãs do gênero adoram cantar em torno de uma fogueira.” Polêmica seca, mas divertida. O site da revista é fechado pra quem paga, mas dá pra ler o texto neste fórum.