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//@ Omelete, auto-clipping, cinema, jornais

O sol de quase dezembro

10.08.2006 @ 17:57

Neste post e no anterior, duas críticas rápidas sobre filmes que chegam amanhã aos cinemas. Os dois brasileiros, os dois documentários. Um é realmente bom, sobre um assunto que nem é tanto. O outro, sobre um tema excelente, é meia boca, mas vale os cobres da entrada. Vai assistir e tenta adivinhar qual é qual.

O sol - Caminhando contra o vento
(publicado originalmente @ Omelete)

O Brasil tem uma história pródiga no quesito ‘imprensa alternativa’, que vem sendo re-observada e documentada aos poucos nos últimos anos. Principalmente a importante fase dos anos 60/70, da resistência à repressão e às fardas: o Pasquim virou uma coletânea nas livrarias, o Pif Paf de Millôr também ganhou versão luxuosa de prateleira. E agora, via documentário, o cinema resgata a história do menos conhecido O Sol.

O sol - Caminhando contra o vento

Criado pelo jornalista e poeta Reynaldo Jardim em 68, O Sol era um encarte diário do Jornal dos Sports, um projeto romântico de jornal-escola, feito para aproveitar a molecada idealista que saia das faculdades. Durou seis meses nas bancas, até ser desmantelado pela censura.

Produzido pela dupla Tetê Moraes e Martha Alencar, integrantes da equipe do jornal, O Sol – Caminhando contra o vento se baseia em uma reunião afetiva de estrelas do universo intelectual carioca da época, um petit comité de cérebros. É a desculpa perfeita para uma seqüência de discursos informais de um elenco gigantesco – de Hugo Carvana a Arnaldo Jabor, de Ziraldo a Ruy Castro, e a trinca musical da época, Gilberto Gil, Chico Buarque e Caetano Veloso (que, aliás, eternizou o jornal na letra de seu clássico “Alegria, alegria”: “o sol nas bancas de revista / me enche de alegria e noticia / quem lê tanta notícia?”).

No fim das contas, o documentário parece o encontro de um grupo nostálgico de adolescentes, que se reencontra para lembrar os brinquedos de sua primeira infância. É bonito de se ver, uma pequena homenagem a uma geração que começou em 68 e influencia a cultura brasileira até hoje.

Mas fica um vácuo de história, de uma análise mais aprofundada sobre esse formato de imprensa, sobre o tal “sonho revolucionário” – que realmente acabou, mas que tanto fez pelo país.

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