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Publicados em July, 2006

Minutemen, grátis @ MIS

25.07.2006 @ 04:29One Comment

Boa pedida para a semana, para quem gosta de fuçar o histórico do punk: o MIS recebe as primeiras projeções oficiais na América do Sul do documentário We jam econo - The story of The Minutemen, com dedos de ajuda do povo da Amplitude.

O filme, de título óbvio, resgata os cinco anos de vida dos Minutemen (80-85), banda californiana que deixou raízes no rock underground dos EUA. Lançado no ano passado (o DVD acabou de chegar às lojas de lá e deve estar à venda no MIS), a produção compila vídeos de shows e entrevistas com os membros da banda e gente do naipe de Jello Biafra, Richard Hell e Thurston Moore.

Pepita rara, cinema bom, curta temporada. De 26 a 28.07, às 20h, e 29-30.07, às 17h. Ingressos a r$ 4. Tá, não é grátis. Foi só pra te chamar a atenção.

Não conhece a banda? Aperta o play e ouve “Bob Dylan wrote propaganda songs”, gravação ao vivo de 84, um ano antes da morte do líder D. Boon.

Franz Ferdinand + Art Brut @ São Paulo

24.07.2006 @ 15:052 Comments

Favas dadas: Franz Ferdinand é grande atração do Motomix, em setembro, na sua segunda passagem pelo país em 2006. A organização finalmente confirmou de verdade, junto com o Art Brut (que também já tinha dado OK para este blogue no começo do mês).

As duas bandas se juntam ao resto do lineup (com Peter Hook, a norueguesa Annie e uma balaiada de produtores eletrônicos) para a maratona, que acontece dia 16 no Espaço das Américas.

Em março, Franz Ferdinand fez já um dos melhores shows internacionais de 2006, no Circo Voador (resenha da época no post abaixo). Não dá pra ignorar uma segunda apresentação do bando por aqui. 

O show do Franz Ferdinand no Rio de Janeiro

24.07.2006 @ 15:00No Comments

(publicado originalmente @ Omelete @ 03.2005)

O inferno, dizem, é quente, malcheiroso, lotado e desconfortável. Feito o Circo Voador carioca, em dias pré-carnaval. Mas o inferno nem sempre é uma coisa tão ruim. O show do Franz Ferdinand, que aconteceu nesse cenário dantesco, é a prova.

A banda entrou no palco da estufinha seguindo o velho clichê da pontualidade britânica, pronta para coroar sua turnê relâmpago no Brasil. Metro e meio abaixo, a multidão espremida de fãs que esgotou os ingressos em menos de três dias, programada para devorar qualquer escocês que aparecesse ali naquela noite – mesmo que, para isso, respirar se tornasse um detalhe.

Os integrantes do Franz Ferdinand vêm de uma história ascendente nos últimos cinco anos. Dois ótimos discos, fama e respeito no Hemisfério Norte. Só faltava, perante o microverso tupiniquim, a prova dos nove sobre o palco. Faltava provar que a sonoridade retrô dos estúdios sobrevive aos amplificadores ao vivo.

As duas primeiras escalas da viagem brasileira foram ingratas para os escoceses. Viajando à tiracolo como banda de abertura do U2, tiveram que encarar um estádio lotado de fãs alheios, tocando com som ruim e sendo anulados pelo gigantismo do cenário irlandês. Chegaram a agradar, é verdade. Mas o FF não é banda de arena e, em situações assim, basta um minuto pós-hit radiofônico para qualquer banda de abertura receber garrafadas do público xiita.

Conscientes, fizeram questão de marcar um show solo para aproveitar a platéia de animação mundialmente conceituada. E, desta vez, em um lugar pequeno que joga a favor do que eles realmente são. A consagração era palpável ali, em meio ao vapor.

(more…)

Cultura livre?

24.07.2006 @ 02:17No Comments

Um dos grandes trunfos da Trama, quando começou a se meter com o mundo Creative Commons, foi a tradução para o português do livro Free culture, de Lawrence Lessig, pedra fundamental de todo o movimento CC.

Cultura livre saiu no finalzinho de 2005, via Trama Universitário em parceria com a Editora Francis, com versão impressa distribuída em bibliotecas universitárias (nunca vi, mas acredito) e arquivo em PDF para download mediante cadastro.

Acontece agora que, com reformulações no site do TU, uma porrada de links está há tempos fora do ar. E o livro, que deveria ser uma das partes mais importantes ali, totalmente indisponível. Erro que vai contra todos os preceitos do movimento. E ainda mais grave em uma época pós-iSummit - encontro sobre CC que aconteceu no Rio de Janeiro há um mês, com a presença do próprio Lessig -, que deve ter gerado uma demanda de curiosidade frustrada.

Enfim, sobra a distribuição paralela. Então quem ainda não tiver o arquivo, eu posso mandar. O e.mail está ali em cima.

Super-Homem, o barco naïf

23.07.2006 @ 23:25No Comments

Uma franquia forte, um galã bonitão, uma mocinha de olhos multicoloridos, um diretor hypado e uma das músicas tema mais fortes do cinema. Superman - o retorno tem tudo pra ser um sucesso nas bilheterias. Ou não.

Explico a teoria mal formada: na década de 90, acompanhando a onda da geração perdida pós-yuppies, os quadrinhos estadunidenses passaram por uma vibe de cinismo extremo, que ecoa até hoje. Praticamente todos os personagens grandes da indústria, à parte a qualidade do material publicado, se encaixaram bem no “novo formato”. O grande fracasso entre eles foi o Super-Homem.

É fácil identificar o motivo, basta olhar a essência da figura. O herói, com seu uniforme azul-vermelho-bandeira, é a encarnação do lifestyle americano, defensor dos inferiores oprimidos, sempre disposto a intervir. Um personagem que não se acomoda em uma visão mundo cão da realidade.

Nos últimos anos, com o cinema redescobrindo os quadrinhos, as produções que fizeram sucesso foram aquelas que botaram as manguinhas da crueza de fora. Por isso os X-Men vestiam couro e não abobados uniformes amarelos. Por isso Wolverine é tão aclamado pelas massas. Por isso o vilão de Homem-Aranha não veste uma máscara plástica de duende. E por isso, é claro, que Batman begins finalmente botou o morcego nos trilhos - trocando as firulas pelo quê gótico.

Superman returns

Superman - o retorno, por outro lado, é inocente, ingênuo, quase naïf com seu pega-rapaz eternamente intacto. Brian Synger, o diretor, fez uma ode direta aos primeiros filmes do herói - escolhendo, inclusive, um protagonista que é assustadoramente parecido com Christopher Reeve, o Super-Homem clássico.

Nada de mal nisso. É o filme que o personagem pede, para poder desafiar a física, salvar a donzela em perigo e perguntar “Está tudo bem com a senhora?”, sob um sorriso sincero e uma fotografia iluminada. É o super-bombeiro, pronto para salvar um gatinho na árvore em qualquer subúrbio do mundo. E derrotar o vilão da história sem desferir um mísero soco.

O questionamento: é isso que o público, a geração que nasceu enqüanto o personagem era assassinado nas HQs, engole hoje em dia? E estou falando do espectador comum, aquele que não sabe explicar direito a origem do herói-mito, mas reconhece desde que nasceu o S vermelho - uma marca tão forte quanto a Coca-Cola. A opinião do fanboy babão que vai ficar de pau duro quando reconhecer a capa de Action Comics #01 nas fotos de Jimmy Olsen, neste caso, não conta.

Eu realmente acho que não engole. Superman é bem produzido, com uma boa história, elenco na média e efeitos impecáveis. É um belo filme. Só está 20 anos atrasado.