Skip to Content Skip to Search Go to Top Navigation Go to Side Menu


//HQs, cinema

Super-Homem, o barco naïf

23.07.2006 @ 23:25

Uma franquia forte, um galã bonitão, uma mocinha de olhos multicoloridos, um diretor hypado e uma das músicas tema mais fortes do cinema. Superman - o retorno tem tudo pra ser um sucesso nas bilheterias. Ou não.

Explico a teoria mal formada: na década de 90, acompanhando a onda da geração perdida pós-yuppies, os quadrinhos estadunidenses passaram por uma vibe de cinismo extremo, que ecoa até hoje. Praticamente todos os personagens grandes da indústria, à parte a qualidade do material publicado, se encaixaram bem no “novo formato”. O grande fracasso entre eles foi o Super-Homem.

É fácil identificar o motivo, basta olhar a essência da figura. O herói, com seu uniforme azul-vermelho-bandeira, é a encarnação do lifestyle americano, defensor dos inferiores oprimidos, sempre disposto a intervir. Um personagem que não se acomoda em uma visão mundo cão da realidade.

Nos últimos anos, com o cinema redescobrindo os quadrinhos, as produções que fizeram sucesso foram aquelas que botaram as manguinhas da crueza de fora. Por isso os X-Men vestiam couro e não abobados uniformes amarelos. Por isso Wolverine é tão aclamado pelas massas. Por isso o vilão de Homem-Aranha não veste uma máscara plástica de duende. E por isso, é claro, que Batman begins finalmente botou o morcego nos trilhos - trocando as firulas pelo quê gótico.

Superman returns

Superman - o retorno, por outro lado, é inocente, ingênuo, quase naïf com seu pega-rapaz eternamente intacto. Brian Synger, o diretor, fez uma ode direta aos primeiros filmes do herói - escolhendo, inclusive, um protagonista que é assustadoramente parecido com Christopher Reeve, o Super-Homem clássico.

Nada de mal nisso. É o filme que o personagem pede, para poder desafiar a física, salvar a donzela em perigo e perguntar “Está tudo bem com a senhora?”, sob um sorriso sincero e uma fotografia iluminada. É o super-bombeiro, pronto para salvar um gatinho na árvore em qualquer subúrbio do mundo. E derrotar o vilão da história sem desferir um mísero soco.

O questionamento: é isso que o público, a geração que nasceu enqüanto o personagem era assassinado nas HQs, engole hoje em dia? E estou falando do espectador comum, aquele que não sabe explicar direito a origem do herói-mito, mas reconhece desde que nasceu o S vermelho - uma marca tão forte quanto a Coca-Cola. A opinião do fanboy babão que vai ficar de pau duro quando reconhecer a capa de Action Comics #01 nas fotos de Jimmy Olsen, neste caso, não conta.

Eu realmente acho que não engole. Superman é bem produzido, com uma boa história, elenco na média e efeitos impecáveis. É um belo filme. Só está 20 anos atrasado.

Leave a Reply


In order to submit a comment, you need to mention your name and your email address (which won't be published). And ... don't forget your comment!

Comment Form